PROMESSA

Flávio Bolsonaro após novo tarifaço dos EUA: ‘Pedi ao Trump para não taxar’

Senador defende negociação entre Brasil e EUA em meio à investigação comercial que mira o Pix e outras políticas brasileiras

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O senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter pedido diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não aplicasse tarifas contra empresas brasileiras. A declaração foi feita após o governo americano divulgar um relatório que recomenda a imposição de taxas de 25% sobre produtos brasileiros, citando o sistema de pagamentos Pix como um dos exemplos de práticas consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.

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Segundo Flávio, o pedido foi feito durante encontros que teve com Trump, com o vice-presidente J.D. Vance e com o secretário de Estado, Marco Rubio. "Eu pedi expressamente ao presidente Trump para não taxar nossas empresas. Sempre defendi as empresas brasileiras e, em qualquer oportunidade que tiver, vou continuar a defender nosso setor produtivo. Tarifa não é solução. Precisamos sentar de maneira séria na mesa de negociação, não com bravatas, como faz o Lula", declarou o senador nas redes sociais.

De acordo com Flávio Bolsonaro, ele argumentou junto às autoridades americanas que o Brasil possui setores estratégicos que devem ser preservados, como o agronegócio, a produção de etanol e o desenvolvimento tecnológico nacional.

"A partir de 2027, vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês e negociar de igual para igual, porque o nosso agro alimenta o mundo. Não é justo taxar as nossas empresas. A gente tem que valorizar a nossa tecnologia, a gente tem que valorizar o nosso Pix, a gente tem que valorizar o nosso etanol", prometeu. 

Críticas a Lula

Durante a declaração, Flávio também atribuiu as dificuldades nas negociações comerciais à relação entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a administração Trump. Segundo o senador, o governo americano teria perdido a confiança no presidente brasileiro.

"O problema que nós temos é que, sentado hoje na cadeira de presidente da República, você tem alguém que simplesmente conseguiu ganhar a desconfiança do governo americano. Eles não confiam no Lula", afirmou.

Flávio criticou ainda a postura diplomática do governo brasileiro em relação aos Estados Unidos e defendeu que o país mantenha diálogo tanto com Washington quanto com Pequim. "Um presidente da República sério, que pensa no seu país, tem que sentar com os Estados Unidos, tem que sentar com a China, tem que negociar com todo mundo", disse.

Pix está entre os alvos da investigação americana

As declarações ocorrem após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluir uma investigação aberta em julho de 2025 contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. No relatório, o governo americano afirma que o Banco Central favorece o Pix de forma "injusta e discriminatória" em relação a empresas estrangeiras de meios de pagamento.

Washington questiona, entre outros pontos, a obrigatoriedade de participação de instituições financeiras no sistema, a exigência de destaque ao Pix nos aplicativos bancários e a gratuidade do serviço para pessoas físicas.

"O banco tem atuado como regulador para prejudicar provedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA e privilegiar o Pix", afirma o documento.

Na avaliação dos Estados Unidos, o Banco Central exerce um papel duplo ao atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que configuraria um conflito de interesses.

Apesar da recomendação de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, a medida ainda não foi adotada. O governo americano abriu um período de consultas públicas que seguirá até o início de julho. Também está prevista uma audiência pública antes da decisão final.

Segundo o representante comercial dos Estados Unidos Jamieson Greer, as conversas entre Washington e Brasília continuam e devem prosseguir até 15 de julho.

O relatório prevê ainda uma série de exceções para produtos considerados estratégicos para a economia americana, incluindo carne bovina, café, frutas tropicais, petróleo, minérios, fertilizantes, produtos farmacêuticos e aeronaves.

Além do Pix, a investigação cita preocupações relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e acesso ao mercado brasileiro de etanol.

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Enquanto o governo americano avalia os próximos passos, o tema se tornou mais um ponto de disputa política entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e o governo Lula, em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington.

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