Ex-ministra do Planejamento e Orçamento e pré-candidata ao Senado no estado de São Paulo, Simone Tebet (PSB-SP) criticou a politização da decisão da Anvisa sobre o recolhimento dos produtos Ypê e citou a negação de crença na Agência Nacional de Vigilância Sanitária durante a pandemia da Covid-19.

A Anvisa determinou, na última quinta-feira (7/5), o recolhimento de todos os lotes com numeração final 1 da marca, incluindo detergentes, lava-louças, sabão líquido e desinfetantes, que foram fabricados pela Química Amparo, em São Paulo. A decisão aconteceu após inspeção na fábrica e identificação de descumprimento de etapas críticas da produção, com falhas nos sistemas de garantia da qualidade e de controle de qualidade.

Com isso, os problemas apontam risco de contaminação microbiológica. Apesar da decisão, a Agência orientou que os consumidores aguardem desdobramentos do caso antes de descartar os produtos da marca.

A empresa informou ter detectado a bactéria Pseudomonas aeruginosa em parte dos lotes de lava-roupas líquidos ainda em 2025. O microrganismo pode provocar infecções, principalmente em pessoas com baixa imunidade, internadas ou com lesões abertas. Em pessoas saudáveis, o risco é considerado menor, embora o contato com produtos contaminados possa causar irritações e infecções em casos específicos.

Apesar dos riscos divulgados, a marca virou um símbolo da base bolsonarista do eleitorado. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acusam, sem provas, o órgão de perseguição política, uma vez que a Ypê fez doações à campanha eleitoral de 2022. Com isso, passaram a viralizar nas redes sociais conteúdos de pessoas usando e comprando em grandes quantidades conteúdos da marca, com frases que enaltecem a empresa como: “Compre Ypê e não vote no PT”, “Nosso detergente jamais será vermelho” e “O Brasil é Bolsonaro e Ypê”.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Tebet criticou a politização do assunto e comparou com o negacionismo dos riscos da Covid-19 durante os anos da pandemia. “Faz pouco tempo, nós estávamos diante de uma pandemia que matou 700 mil pessoas, onde as pessoas, não acreditando na Avisa e na vacina, e nos estimulando a tomar cloroquina”, comentou.

 
 
 
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Em 2020, o então presidente Bolsonaro indicou publicamente o uso de cloroquina para pacientes com sintomas da doença do coronavírus, apesar de o medicamento não tivesse eficácia comprovada. Mesmo com o aumento constante do número de mortes, ele afirmava que a doença não causaria efeitos pesados aos contaminados e seria como uma “gripezinha”. 

A pré-candidata ao Senado criticou a transformação de um tema grave de saúde pública em debate político nas redes sociais. Ela citou gravações em que as pessoas tomam banho e bebem detergente e estimulam outras pessoas, incluindo crianças e pessoas com questões de saúde, a fazerem o mesmo.

“Olha a gravidade do assunto, e [estão] trazendo um tema relevante que a saúde pública, que envolve vida, envolve saúde, para questões política, ideológica ou eleitoral. Vamos parar com isso. Política é coisa séria. Saúde pública é coisa séria. Não caiam nessa”, argumentou.

A ex-ministra ainda fez um apelo para que as pessoas acreditem em ciência e em política baseada em evidência, além de “cuidar com carinho” da família. 

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Levantamento recente divulgado pela Genial/Quaest mostra Tebet na liderança de todos os cenários testados na corrida ao Senado, com variação entre 14% e 15% das intenções de voto. Em um dos cenários, o ex-ministro Márcio França (PSB) apareceu em uma segunda posição, com 12%, encaixando-se em um empate técnico com Tebet. Já em uma simulação sem o nome do PSD, a ex-ministra Marina Silva (Rede) também alcança 12% das sinalizações. 

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