O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou e xingou o senador Jorge Seif (PL-SC) por divergências sobre a articulação que levou à convocação de uma sessão do Congresso Nacional para analisar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei da dosimetria. Em mensagem enviada a um grupo de WhatsApp da oposição, Nikolas chegou a chamar o colega de “vagabundo”.

A reação ocorreu depois de Seif publicar, na rede social X (antigo Twitter), que preferia a articulação política nos bastidores do que a pressão exercida nas redes sociais. No texto, o senador afirmou que a mobilização virtual “é ótima para like e monetização”, mas “não é efetiva”.

Na mesma publicação, Seif citou exemplos para sustentar o argumento, mencionando que, caso a pressão digital fosse suficiente, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes “não era mais ministro”, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “estaria solto” e o ministro Flávio Dino “teria sido reprovado”. Para o senador, “política que funciona ainda é no bastidor, no diálogo e no compromisso”.

“Pressão de internet é ótima pra like e monetização. Mas não é efetiva. Se funcionasse, Moraes não era mais ministro, Bolsonaro estaria solto, Flávio Dino teria sido reprovado e teríamos anistia hoje. Política que funciona ainda é no bastidor, no dialogo e no compromisso", pontuou.

A declaração foi interpretada por Nikolas como uma crítica indireta à mobilização promovida por parlamentares e apoiadores nas redes sociais, especialmente em relação aos familiares dos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes. Em resposta, o deputado mineiro acusou Seif de desmerecer o esforço coletivo.

“Tem que ser muito vagabundo pra vir desmerecer o trabalho das pessoas. Por que na hora de colar na caminhada amou, né? Daí o like não tem problema nenhum”, escreveu Nikolas, em referência à caminhada de seis dias em que bolsonaristas percorreram cerca de 240 quilômetros a pé, desde Paracatu (MG), no Noroeste do estado, até Brasília, em janeiro deste ano.

Na sequência, Nikolas minimizou a disputa por protagonismo na articulação que levou à inclusão da matéria na pauta, mas criticou o que classificou como tentativa de atribuição individual de mérito por parte do senador.

“Estou me lixando para quem é o responsável por pautar a dosimetria. O importante é que foi pautado. O mais bizarro é ver, além do mau caratismo dessa frase, querer provar que foi o único responsável por isso”, afirmou.

O deputado também destacou que a convocação da sessão não pode ser atribuída apenas a iniciativas formais no Congresso, citando manifestações, mobilização de associações e atuação de familiares como fatores relevantes no processo.

“A caminhada, as manifestações, a pressão das associações, dos familiares, nada importou? O que importa é o seu requerimento? Egolatria tem limite”, disse.

Por fim, Nikolas defendeu a força da mobilização digital e criticou o senador diretamente: “A internet é tão efetiva que fez você ser senador. E vai ser ela também que não te fará nunca mais ser um”.

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A sessão para análise do veto foi convocada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), para o dia 30 de abril, e ocorre em meio à pressão de grupos ligados à oposição pela revisão de penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro.

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