Bandinha de crianças viraliza com homenagem a Zé Ramalho
Grupo surgiu após a pandemia e utiliza vídeos como ferramenta de aprendizado musical
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Um projeto musical criado dentro de casa, em São Luís (MA), vem chamando atenção nas redes sociais ao unir educação e prática artística. A chamada “bandinha”, formada por crianças entre 9 e 12 anos, viralizou com um vídeo em homenagem ao cantor Zé Ramalho, destacando o talento dos alunos tanto nos vocais quanto nos instrumentos.
Por trás da iniciativa está o professor Antonyel Pacheco, de 41 anos, que há mais de duas décadas atua no ensino de música e encontrou na sala de aula, montada na própria residência, um espaço para desenvolver a ideia que hoje ganha projeção nacional.
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Segundo Antonyel, o projeto começou de forma simples, a partir de aulas realizadas em casa com crianças da vizinhança. “Dou aula há muitos anos. Há muitos anos mesmo. Mas nunca dei aula para várias pessoas. Quando chegou a pandemia, os vizinhos resolveram ir lá (em casa) com os amigos: ‘Ah, vamos fazer uma turma aqui e iniciar as aulas em casa’”, contou.
A partir desse movimento, ele começou a estruturar um pequeno estúdio e reunir os alunos em atividades coletivas. Foi aí que surgiu a ideia da banda, como uma forma de acompanhar o desenvolvimento das crianças.
“Esses membros da banda são os alunos que começaram comigo lá no pós-pandemia. A gente inicia com um tema de diversão. E aí gravamos (vídeos) com eles. Quando eles evoluem, a gente começar a pensas (mais sério) na banda, nas experiências”, explicou.
A proposta pedagógica foi se transformando ao longo do tempo. O que antes era focado em aulas individuais passou a incorporar a dinâmica de grupo, com ensaios, gravações e apresentações.
Hoje, a banda principal é formada por quatro alunos: David Claro (vocal), Yuri Guimarães (guitarra), Bernardo Damasceno (bateria) e Benjamin Furtado (teclado). Eles debutaram ainda muito jovens, alguns com cerca de quatro ou cinco anos, e seguem no projeto há cerca de cinco anos.
No repertório, clássicos da MPB e do rock nacional. Com isso, o professor destaca que foi natural os alunos homenagearem Zé Ramalho. “Trazer o Zé Ramalho para o repertório foi muito natural, porque a gente já trabalha com esse tipo de música e quer apresentar esses clássicos para eles”, destacou.
Essa não é a primeira vez que a bandinha viraliza com uma performance. No ano passado, eles caíram nas graças do público com uma versão de “Tempo perdido”, do Legião Urbana.
“O vídeo abriu a porta para a gente, e a gente foi ao Festival LED, no Rio de Janeiro. Eu nem esperava aquela repercussão. Já esse (novo vídeo) agora está muito mais maduro, muito mais construído. Dá para ver a evolução deles. Então eu acho que vem coisa boa por aí com esse vídeo de novo”, disse.
Sobre a recente repercussão, Antonyel demonstra otimismo, mas mantém os pés no chão. “A gente aguarda que o reconhecimento venha e possa mostrar ao vivo esses vídeos. Que não são apenas para a internet. A gente tem muita vontade de fazer ao vivo e seguir o sonho da gente”, afirmou.
Metodologia baseada na experiência
Os vídeos publicados nas redes sociais fazem parte do método de ensino adotado por Antonyel. Para ele, a gravação funciona como um momento de avaliação prática.
“O vídeo é o recital do aluno, que ele apresenta e mostra o que ele precisa evoluir e o que não precisa”, explicou.
“A forma que eu ensino é a metodologia da sensibilidade, que a criança passa a sentir a música. É baseado no bebê, que primeiro aprende a falar, depois a ler e escrever. E a música deve ser mais ou menos isso, você sente”, comentou.
Para Antonyel, o impacto da música vai além do aprendizado técnico. Ele defende que a prática musical contribui diretamente para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças. “A música é um complemento fundamental, porque vai além do físico. Trabalha ritmo, melodia, harmonia e está presente em todos os cantos”, destacou.
Segundo ele, os resultados são perceptíveis no dia a dia. “Os pais relatam melhora no controle cognitivo da criança, na concentração. Ela passa a se interessar mais por ouvir música, tira da tela. É uma atividade que desenvolve a criança num todo”, disse.
Infância preservada
Apesar do sucesso, o professor destaca a preocupação em preservar a infância dos alunos, evitando a exposição excessiva nas redes sociais.
“Eu tento manter a essência da criança para que também não estrague. Eles amam, adoram [o sucesso], mas eu tento preservar o lado deles de criança”, disse.
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Ele também evita que os alunos tenham perfis próprios nas redes. “Eu recebo vários comentários perguntando se os meninos têm Instagram e eu falo que é tudo no perfil da escola. Eles não têm Instagram. Porque se criam, com a quantidade de gente sem noção, pode gerar problemas. A criança pode viver o sonho, mas não pode deixar de ser criança”, pontuou.