Zé Ramalho, 76 anos: a jornada do artista que uniu o Nordeste ao mundo
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Nascido em Brejo do Cruz, no sertão da Paraíba, em 1949, José Ramalho Neto é reconhecido por sua obra que une a poesia do sertão, o misticismo, a literatura de cordel e a sonoridade do rock.
Foto: Carlos Ebert - Flickr -
A infância do artista foi marcada por acontecimentos decisivos. Órfão de pai ainda muito pequeno – vítima de afogamento -, ele foi criado pelos avós paternos, que lhe transmitiram a vivência sertaneja e as tradições populares que mais tarde se tornariam matéria-prima de sua arte.
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Essa origem no sertão profundo está presente em praticamente toda sua obra, seja de maneira explícita, em canções que falam da seca, da religiosidade e das lutas do povo nordestino, seja em forma mais simbólica, como nas imagens de “Avôhai”, uma das músicas mais icônicas de sua carreira.
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Na juventude, Zé Ramalho teve contato com duas vertentes musicais que moldariam sua identidade. De um lado, a tradição nordestina – com repentistas, cantadores e o baião de Luiz Gonzaga – de outro, a explosão do rock internacional, sobretudo Beatles, Bob Dylan e Pink Floyd.
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Enquanto outros artistas buscavam se alinhar a um único estilo, Zé ousou cruzar fronteiras, criando um som que dialogava tanto com o psicodelismo dos anos 1970 quanto com as raízes da cultura popular do Nordeste.
Foto: Divulgação Leo Aversa -
O início de sua trajetória artística ocorreu ainda nos anos 1970. Em 1975, lançou junto com Lula Côrtes o álbum “Paêbirú”, considerado até hoje um dos discos mais raros e cultuados da música brasileira.
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Ainda assim, foi com o disco de estreia solo, “Zé Ramalho”, de 1978, que ele se projetou nacionalmente. Esse trabalho traz faixas como “Avôhai” e “Chão de Giz”, músicas que se tornariam clássicos absolutos da MPB.
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O sucesso foi consolidado ao longo da década de 1980, com discos como “A Peleja do Diabo com o Dono do Céu”, de 1979”, e “A Terceira Lâmina”, de 1981, que reafirmaram seu estilo único.
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Letras enigmáticas, referências bíblicas, imagens de luta, fé e transformação, além da dramaticidade de sua interpretação, conquistaram o público e o transformaram em um artista cultuado.
Foto: Divulgação -
Nesse período, Zé Ramalho também se aproximou de ícones da música brasileira, como Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Elba Ramalho – prima do cantor -, reforçando a força da cena nordestina dentro da MPB.
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Nos anos 1990, em meio às mudanças da indústria musical, Zé Ramalho manteve sua relevância com novos projetos e parcerias.
Foto: As fotos da Virada/Wikimedia Commons -
Sua relação com Raul Seixas foi constantemente lembrada, já que os dois compartilhavam afinidades artísticas, místicas e até de estilo de vida. Essa ligação resultou, anos mais tarde, em álbuns de tributo.
Foto: Divulgação -
Zé também se dedicou a homenagear artistas fundamentais em sua formação. Ele gravou discos reinterpretando canções de Bob Dylan, Beatles, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e até Chico Buarque, sempre imprimindo sua marca pessoal.
Foto: As fotos da Virada/Wikimedia Commons -
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A virada dos anos 2000 trouxe uma nova fase de reconhecimento. O público jovem descobriu Zé Ramalho, seja pela força de suas letras, seja pelas participações em trilhas sonoras de novelas e filmes.
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O cantor também passou a explorar novos caminhos, como no show “Zépultura”, realizado no Rock in Rio de 2013, em parceria com a banda Sepultura.
Foto: Reprodução/Instagram -
Em 2014, lançou ao lado de Fagner um CD e DVD ao vivo, reforçando a sintonia de dois nomes centrais da música nordestina.
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Pouco depois, fundou seu próprio selo, a Avôhai Music, que lhe deu mais liberdade artística e o permitiu lançar trabalhos independentes, como o álbum “Sinais dos Tempos”, de 2012.
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Ao longo de sua trajetória, Zé Ramalho também enfrentou desafios pessoais, como problemas de saúde e dependência química, que chegou a superar após tratamento.
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Zé Ramalho é casado desde 1984 com Roberta Ramalho, união que gerou dois filhos, Linda e José. Ele tem outros quatro filhos, sendo que João Ramalho e Maria Maria são fruto do casamento com a cantora Amelinha, entre 1978 e 1983.
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