Mulher dopa, amarra e tortura homem, posta vídeo e diz que foi vingança
Durante interrogatório, ela assumiu o crime e disse que agiu depois de falas que a revoltaram
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Uma mulher de 24 anos foi presa por dopar, amarrar, torturar e roubar um homem de 54 anos na madrugada de quinta-feira (26/2), em Ceilândia, no Distrito Federal. Ela também gravou parte das agressões e publicou na web. A suspeita foi identificada como Beatriz Elissandra Marques Carvalho e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça.
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, o crime foi premeditado e ocorreu na casa da investigada. A vítima e a suspeita haviam se encontrado horas antes em um bar da região, onde consumiram bebidas alcoólicas juntos antes de seguirem para a residência dela.
De acordo com a investigação, já no imóvel, o homem foi dopado com cinco medicamentos de efeito sedativo, misturados em uma garrafa de água. Mesmo debilitado, ele não perdeu completamente a consciência. A mulher então o amarrou, passou a agredi-lo fisicamente e o submeteu a sessões de tortura.
Imagens gravadas pela própria suspeita mostram parte das agressões. Nos vídeos, ela aparece usando máscara enquanto registra a vítima ferida. Conforme depoimento à polícia, ela pisou no pescoço e no peito do homem, chutou a cabeça dele contra um móvel, causando cortes e sangramento, e desferiu golpes de faca quando ele tentou pedir socorro.
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O homem sofreu fraturas em duas costelas e diversos hematomas na cabeça. Mesmo ferido, ele conseguiu escapar e procurou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ceilândia.
Horas depois, a própria suspeita foi até a UPA à procura da vítima. Segundo relatos, ela afirmou que queria saber se o homem havia morrido e que, caso estivesse vivo, “terminaria o serviço”. A Polícia Militar foi acionada e a prendeu na unidade de saúde.
Na delegacia, Beatriz confessou o crime e afirmou que planejou a ação. Em depoimento, disse que atua como garota de programa e que o homem era um cliente antigo, que frequentava a casa dela com regularidade.
Ela relatou ainda que teria cometido o crime por vingança. Segundo sua versão, no dia dos fatos, a vítima teria feito uma proposta considerada ofensiva para manter relação sexual, além de ter mencionado um episódio antigo em que, de acordo com ela, ele a teria “alisado” quando era mais jovem. A investigada afirmou que o comentário reacendeu um ressentimento e motivou as agressões.
Ainda em depoimento, a mulher declarou que costuma “tirar as pessoas”, expressão usada por ela para se referir à prática de subtrair dinheiro e pertences de clientes.
Outros indícios e investigação
Durante buscas na residência, os policiais encontraram grande quantidade de sangue, a faca usada no crime e diversos objetos, incluindo cartões bancários, documentos pessoais e um notebook que, segundo a polícia, pertencem a outra possível vítima, de 37 anos. O material foi apreendido para perícia.
Há registro de um caso semelhante ocorrido em 23 de fevereiro, com modo de agir parecido. A polícia apura ainda a possível prática de extorsão contra clientes e a existência de outras vítimas.
Beatriz tem 27 passagens pela polícia por crimes como ameaça, furto, injúria e tráfico de drogas.
Ela foi autuada por roubo com restrição de liberdade e uso de arma branca. A investigação também apura os crimes de tortura, extorsão e tentativa de homicídio.
Em audiência de custódia, o juiz do Núcleo de Audiências de Custódia converteu o flagrante em prisão preventiva. Na decisão, ele destacou a gravidade concreta dos fatos, o sofrimento físico imposto à vítima, as agressões, queimaduras e a intenção homicida.
O magistrado afirmou que a conduta “revela extrema frieza, periculosidade e absoluto desprezo pela vida humana”, apontando risco à integridade física da vítima e à ordem pública.
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O processo foi encaminhado à 1ª Vara Criminal de Ceilândia, onde seguirá a tramitação. A suspeita permanece à disposição da Justiça.