Bastaram poucos minutos para o céu escurecer e o temporal tomar conta de Belo Horizonte no fim da tarde dessa quarta-feira (8/4). Entre as 17h e 18h, a Região Centro-Sul registrou 42,6 mm de chuva, mais da metade da média esperada para todo o mês de abril, de 82,3mm.
O temporal deixou um rastro de destruição pela cidade. Árvores caídas, carros danificados, ruas bloqueadas e alagamentos ainda mostram os reflexos da chuva na manhã desta quinta-feira (9/4).
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), ao menos 15 árvores caíram em diferentes pontos da cidade e, em pelo menos cinco ocorrências, os troncos atingiram veículos. Apesar dos estragos e do susto, ninguém ficou ferido.
Quem passava pela Rua Timbiras, entre as ruas Alagoas e Sergipe, no Bairro Boa Viagem, se deparou com uma cena impressionante: uma árvore de grande porte caiu sobre um táxi parado no semáforo durante a chuva forte e a queda de granizo.
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Dentro do carro estavam o taxista Alfredo Roque Ferrari Sobrinho, de 60 anos, e uma passageira. Um dos troncos atravessou o para-brisa e pressionou o peito do motorista, que ficou preso por alguns instantes. “O galho estava pressionando meu peito, mas consegui afastá-lo e abrir a porta”, relembrou. A passageira chegou a desmaiar com o impacto. Apesar do susto, os dois sofreram apenas ferimentos leves e foram socorridos no local.
Poucos metros dali, na Avenida do Contorno, no Bairro Serra, outra árvore caiu sobre um carro de aplicativo e atingiu a rede elétrica, provocando curto-circuito e incêndio nas proximidades. Dentro do Chevrolet Corsa Classic estavam o motorista Ézio Moreira, de 65, e dois passageiros. “Só pensei em Deus para salvar a gente. Estava pegando fogo em volta, a gente não via nada”, relatou.
Segundo Ézio, os bombeiros orientaram que ninguém deixasse o veículo por causa do risco de eletrocussão, mas uma das passageiras entrou em pânico. Com ajuda de um motociclista, os três conseguiram sair em segurança.
A chuva também provocou a queda de um galho na Avenida João Pinheiro, no sentido da Praça da Liberdade, em frente ao prédio da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Nenhum veículo foi atingido.
Imagens registraram o momento em que um motociclista e um carro passam exatamente quando parte da árvore despenca sobre a calçada, mas ambos escapam ilesos. Alguns galhos ficaram espalhados pela pista e ocuparam parte da via, sem impedir totalmente o trânsito.
Em um supermercado na Rua Guajajaras, próximo à esquina com a Avenida Afonso Pena, no Centro, parte da estrutura do teto cedeu, provocando a entrada de água dentro do estabelecimento.
No Palácio das Artes, no Centro, a água invadiu parte do complexo e chegou até a Midiateca João Etienne Filho, localizada no andar inferior. O acervo não foi danificado. A Fundação Clóvis Salgado (FCS), responsável pelo espaço, informou que os impactos foram momentâneos e rapidamente superados.
A entidade destacou ainda que o concerto programado para a noite de quarta-feira no Grande Teatro ocorreu normalmente, com público de 1.150 pessoas.
A chuva teve impacto variado nas regionais de Belo Horizonte. No Barreiro, não houve registros. No Hipercentro, foram 9,0mm de chuva; no Leste, 1,8mm; no Nordeste, 0,4mm; no Noroeste e Norte, não choveu; no Oeste, 1,8mm; na Pampulha, não choveu; e em Venda Nova, 1,2mm.
Para minimizar os estragos, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) montou uma força-tarefa de limpeza ainda na noite de quarta-feira.
Nesta quinta-feira (9/4), algumas vias continuavam parcialmente interditadas, entre elas a Grão Mogol, na altura do número 773; a Timbiras, entre Sergipe e Alagoas; e a Rua Manaus, entre a Avenida do Contorno e a Rua Padre Rolim.
Segundo a administração municipal, equipes da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) começaram a trabalhar logo após a chuva, retirando lama, galhos, folhas e outros resíduos espalhados pelas ruas.
Ao todo, cerca de 50 garis foram mobilizados para atuar principalmente nos bairros Santa Efigênia, São Lucas e Santo Antônio. A operação contou ainda com 12 caminhões, sendo três caminhões-pipa. Até aproximadamente 20 toneladas de resíduos já haviam sido recolhidas.
Chuva continua?
A chuva, porém, não deve dar trégua. A Defesa Civil de Belo Horizonte emitiu novo alerta válido até as 8h desta sexta-feira (10/4), com previsão de pancadas entre 20 e 40 milímetros, acompanhadas de raios e rajadas de vento de até 50 km/h.
O meteorologista Lizandro Gemiacki, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explica que o temporal que atingiu a Região Centro-Sul estava dentro da previsão de chuvas isoladas, mas intensas.
“Quando essa frente se aproxima, algumas áreas de instabilidade se formam antes dela. Essas pancadas podem ocorrer de forma isolada, mas com forte intensidade, como aconteceu em Belo Horizonte”.
Ainda de acordo com o meteorologista, a frente fria deve avançar ao longo desta quinta-feira e também na sexta-feira (10/4), mantendo condições para novas pancadas fortes, principalmente na Grande BH.
A previsão é de acumulado entre 50 e 100 milímetros de chuva até sexta-feira, inclusive em Belo Horizonte. Em outras partes do estado, as áreas mais críticas devem ser o Vale do Rio Doce, o Mucuri e regiões próximas à divisa com o Espírito Santo.
A expectativa é de que a chuva perca força a partir de sábado (11/4). Segundo o Inmet, o fim de semana ainda deve ter céu mais nublado e temperaturas mais amenas, mas sem previsão de temporais generalizados.
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Diante da previsão, a Defesa Civil orienta motoristas e pedestres a evitarem áreas alagadas, não se abrigarem debaixo de árvores e acionarem imediatamente os órgãos responsáveis em caso de quedas de galhos, árvores ou fiações.
