BH reforça vacinação contra doenças respiratórias diante da baixa adesão
Mesmo com postos cheios nesta quinta-feira (30/4), índices de imunização em Minas Gerais preocupam autoridades; grupos prioritários seguem como foco exclusivo
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Os centros de saúde de Belo Horizonte amanheceram cheios nesta quinta-feira (30/4). Diversas pessoas, idosos em sua maioria, foram aos postos receber a vacina contra a gripe. Quem buscou a vacina nesta quinta, em diferentes pontos da cidade, afirmou que a prevenção deve ser contínua, assim como os especialistas em saúde ressaltam. No entanto, a cobertura vacinal em Minas Gerais está aquém do esperado. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, apenas 34,8% do grupo prioritário vacinou contra a gripe em BH, sendo que a meta do Ministério da Saúde é de 90%.
O número na capital representa 202 mil doses aplicadas até essa quarta-feira (29/4). Em relação à vacina contra a Covid-19, foram aplicadas cerca de 90 mil doses. Já a dose contra o vírus sincicial respiratório (VSR), que causa bronquiolite, foi aplicada em cerca de 11 mil gestantes. Ao todo, 106 pessoas morreram por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
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De acordo com o médico infectologista Leandro Curi, um dos fatores que causam a baixa adesão da vacina é o fato de haver uma hesitação vacinal em todo o país. “As pessoas estão temendo a vacina, globalmente falando. Observamos isso em relação às vacinas contra gripe e covid, mas se as pessoas não estão enxergando a doença, é porque a vacina está funcionando”, diz o especialista.
Segundo o infectologista, o medo da segurança e o desconhecimento da eficácia de vacinas também interferem na situação. Curi aponta que há pessoas que temem a segurança da vacina, que desconhecem sua eficácia e ignoram sua importância. Isso é comum entre aqueles que não possuem conhecimento aprofundado sobre o processo vacinal, a liberação e a condução das vacinas, o que pode acarretar nos baixos índices da cobertura vacinal atual.
Campanha contra a gripe em BH
A reportagem do Estado de Minas percorreu alguns postos de saúde nesta quinta-feira (30/4) e observou que, apesar de índices abaixo do esperado, as unidades não estavam completamente vazias. No Centro de Saúde Oswaldo Cruz, no Bairro Barro Preto, na Região Centro-Sul, o morador de BH Mário Lucas se vacinou contra a gripe. Ele relatou que não tem nenhuma doença crônica e que está com as vacinas em dia, mas reforçou que a imunização é uma precaução.
“Tomei a vacina contra a gripe e tomo todas as doses. Faço questão. Agora, estou esperando para tomar a vacina contra a covid. Tem que aproveitar a campanha agora, aproveitar que não tem muita fila nos postos”, disse.
Ainda na Região Centro-Sul, no Centro de Saúde Santa Rita de Cássia, no Bairro São Pedro, várias pessoas se direcionaram para tomar o imunizante. Apesar de cheio, não havia filas grandes no local. O dentista Aires Garrocho, de 77 anos, também foi atrás da sua dose. “Tomo todo ano. Não tenho nenhum problema (de saúde). Recomendo que sempre acompanhem o caderno de vacinação. A prevenção é tudo”, orientou.
Para reverter esse quadro e evitar uma explosão de internações respiratórias no inverno, a PBH intensificou as ações de mobilização. A estratégia inclui a busca ativa, isto é, agentes de saúde reforçando a importância da vacina em visitas domiciliares e vacinação nos 153 centros de saúde e postos extras espalhados pela cidade. Os centros de saúde de BH funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Alguns postos extras operam em horários diferenciados, que podem ser consultados no portal oficial da Prefeitura.
Cenário em Minas
Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) também crescem em Minas. Até 25 de abril, quando a semana epidemiológica 16 se encerrou, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) contabilizou 8.615 notificações e 414 mortes no estado, sendo que BH concentra a maior parte delas. Conforme a última atualização do boletim "InfoGripe", da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nessa quarta-feira (29/4), Minas é um dos 16 estados que apresentam sinal de aumento de casos de SRAG associadas à influenza A na tendência de longo prazo, de acordo com análise das últimas seis semanas, até a semana epidemiológica 16.
De acordo com a SES, o público prioritário do estado é estimado em 5.484.579 pessoas. Com a meta de 90% de vacinação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), 4.936.121 precisariam se vacinar contra a gripe, mas apenas 2.010.867 doses foram aplicadas, o que representa 40,7%. Desse total, 1.138.459 doses foram aplicadas em idosos, 231.289 doses em crianças de 6 meses a menores de 6 anos e 48.979 doses em gestantes.
A capital e outros oito municípios decretaram situação de emergência em decorrência da alta de quadros de SRAG, que começou de forma antecipada no país, segundo a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed). Além de BH, entraram em situação de emergência: Araguari, no Triângulo Mineiro; Caratinga, no Rio Doce; Contagem, Pedro Leopoldo e Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana; Diamantina, no Jequitinhonha; Montes Claros, no Norte de Minas, e Unaí, no Noroeste.
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Curi reforça que para combater casos graves e internações por SRAG, o mais importante é se prevenir por meio da vacinação. Nos últimos dois anos a cobertura vacinal contra a influenza no estado ficou em torno de 60%. Minas Gerais recebeu cerca de 3,2 milhões de doses do imunizante contra a gripe, que foram distribuídas para todos os municípios. A campanha de vacinação contra a gripe conta com doses disponíveis para crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, idosos, mulheres no pós-parto, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente e caminhoneiros.