Por que a gripe muda de nome? Entenda o que é influenza e suas variantes
Termos como H1N1 e H3N2 indicam subtipos do vírus influenza, que sofre mutações constantes e exige atualização anual das vacinas
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Todos os anos, com a chegada das doenças respiratórias, uma dúvida volta a circular: afinal, gripe, influenza, H1N1 e H3N2 são a mesma coisa? Embora os termos sejam frequentemente usados como sinônimos, eles se referem a diferentes formas de nomear o mesmo vírus, o influenza, que possui variantes capazes de circular simultaneamente na população.
Uma tem relação com a outra
A gripe é causada pelo vírus influenza, que possui diferentes tipos e subtipos. Entre eles, os que mais afetam os humanos são a Influenza A e a Influenza B, responsáveis pela maioria das epidemias sazonais. Dentro da Influenza A, existem mais de 30 mil subdivisões conhecidas por combinações de letras e números, como H1N1 e H3N2, que identificam proteínas presentes na superfície do vírus.
Essas variações são resultado das mutações do vírus, um fenômeno que ocorre constantemente e exige vigilância epidemiológica global. “A gripe não é causada por uma única variante. O influenza sofre mutações frequentes; além disso, diferentes variantes circulam ao mesmo tempo”, explica Maria Isabel de Moraes-Pinto, infectologista e coordenadora em vacinas na Dasa.
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Aumento nos casos
Segundo o último boletim InfoGripe, da Fiocruz, em nível nacional, o cenário atual indica aumento de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) tanto nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) quanto de curto prazo (últimas três semanas).
No ano epidemiológico de 2026, já foram notificados 16.882 casos de SRAG, sendo 6.064 (35,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus. O levantamento chama atenção para o fato de que esse cenário tem sido impulsionado principalmente pelo aumento das hospitalizações por rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR) e influenza A.
Segundo a infectologista, essa capacidade de mutação do vírus explica por que os nomes da gripe aparecem com frequência nas notícias. “Essas classificações ajudam os cientistas a acompanhar quais variantes estão circulando e a atualizar as vacinas anualmente”, afirma.
Por que a vacina da gripe muda todos os anos?
Como o vírus influenza evolui rapidamente, a composição da vacina contra a gripe precisa ser revisada periodicamente para acompanhar as variantes predominantes. “Os imunizantes atuais costumam incluir diferentes cepas do vírus - geralmente duas variantes de influenza A e uma ou duas de influenza B, selecionadas com base em monitoramento internacional”, pontua Maria Isabel.
Para a infectologista, esse acompanhamento constante é essencial para reduzir hospitalizações e mortes associadas à doença. “O vírus influenza tem grande capacidade de sofrer variações genéticas. Por isso, a vacina precisa ser atualizada com frequência, para oferecer proteção contra as variantes mais relevantes em circulação”, diz.
No mercado, as principais vacinas incluem a trivalente e a tetravalente (quadrivalente), indicadas para todas as idades a partir de 6 meses em dose única (ou duas doses para crianças não vacinadas anteriormente). Elas protegem contra H1N1, H3N2 e uma ou duas linhagens de Influenza B. Há ainda a vacina de alta dosagem, exclusiva para maiores de 60 anos, com quatro vezes mais antígenos, o que amplia a resposta imunológica diante do envelhecimento do sistema imune.
No Sistema Único de Saúde (SUS), a campanha de vacinação contra a gripe é feita entre os meses de abril e agosto e faz parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde. Podem tomar a vacina todas as pessoas a partir dos 6 meses de idade. Hoje as doses são 100% produzidas pelo Instituto Butantan. O imunizante, tetravalente, é atualizado de acordo com os vírus que mais circularam no hemisfério Sul no ano anterior.
Nem todo quadro respiratório é gripe
Outro fator que gera confusão é o uso do termo “gripe” para qualquer infecção respiratória. Na prática, diversos vírus podem provocar sintomas semelhantes, como os responsáveis por resfriados comuns, além de COVID-19 e VSR.
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“A influenza costuma causar sintomas mais intensos, como febre alta, dores no corpo e mal-estar importante. Já os resfriados tendem a ser mais leves e predominam sintomas nasais”, explica a infectologista. Por isso, a vacinação, a higiene das mãos e a atenção a sintomas persistentes continuam sendo as principais medidas para prevenir complicações durante a temporada de vírus respiratórios.