TRANSTORNOS NA CAPITAL

Rua em Santa Tereza ainda é intransitável após temporal

Quatro dias depois das fortes chuvas, moradores do bairro sofrem com falta de energia elétrica, imóveis danificados e entulhos na via

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O temporal que atingiu Belo Horizonte no último sábado (21/3) deixou um rastro de destruição no Bairro Santa Tereza, na Região Leste da capital. Muros desabaram, imóveis foram danificados e um trecho da Rua Thereza Moreira Ferreira precisou ser fechado.

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Quatro dias depois, moradores ainda enfrentam os prejuízos causados pela chuva e aguardam uma solução definitiva para o problema.

De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a Região Leste foi a mais atingida, com 48 milímetros de chuva em menos de uma hora. Na Região Nordeste, foram registrados 33 milímetros, entre as 16h45 e 17h45.

O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 17h30 e constatou que muros de duas residências e um barracão caíram devido ao acúmulo de água do temporal. Apesar dos danos, não houve vítimas no local. Ao todo, quatro imóveis foram envolvidos e ficaram bastante danificados. Os responsáveis foram orientados a acionar a Defesa Civil para avaliação técnica. 

Moradora relata momento de desespero

A moradora Luiza Horta, de 58 anos, artista plástica e professora de arte e audiovisual, foi a principal afetada, já que os entulhos se acumularam na porta de sua casa, impedindo o acesso ao imóvel.

Ela contou que chegou em casa por volta das 18h30, após passar o dia dando aula, e se deparou com o cenário de destruição. “Um dos muros sustentava um barracão. Esse barracão cedeu e o outro muro foi puxado junto. Foi uma queda muito violenta”, relatou.

Com o desabamento, os destroços atingiram diretamente o portão da residência e invadiram a garagem. “O meu portão foi arrebentado e ficou escorado. Entraram destroços dentro da minha casa, me impedindo de entrar e sair com o carro”, disse.

Apesar do impacto, uma cachorra que estava no imóvel não se feriu, pois estava afastada no momento da queda. Luiza, que mora sozinha, afirmou que entrou em desespero ao ver a situação e não conseguiu acessar a casa imediatamente. Ela aguardou a Defesa Civil, que retirou parte dos escombros e escorou o portão.

Devido ao risco, a moradora deixou o imóvel no domingo (22/3) e ficou na casa de uma amiga até essa terça-feira (24/3). Durante o período, retornava apenas para retirar pertences, com receio de novos desabamentos. A situação também trouxe impactos à saúde. Segundo Luiza, ela foi diagnosticada com herpes-zóster após o episódio. “Tive um estado de estresse muito alto, alterou minha pressão e minha glicose”, contou.

Além dos danos estruturais, a moradora relata que está sem energia elétrica desde o desabamento, o que tem dificultado atividades básicas do dia a dia. “Não consigo carregar o celular, usar a geladeira, tomar banho. Estou muito desamparada”, afirmou.

Ela também relatou preocupação com um poste localizado entre os muros, que ficou inclinado após o desabamento. “Esse poste está tombando. Parece que vai precisar ser trocado. A Cemig precisa vir resolver”, disse.

Luiza afirma ainda que já havia alertado sobre o risco anteriormente. Em 2025, procurou o proprietário e disse que a situação era grave, já que as rachaduras aumentavam com o tempo. Ela também descreve que o medo fazia parte da rotina de quem passava pelo local, especialmente em períodos de chuva, quando as pessoas evitavam permanecer na área e passavam rapidamente por receio.

 

Estruturas já apresentavam problemas 

De acordo com Luiza, que mora na rua desde 2011, os muros já apresentavam sinais de comprometimento estrutural há pelo menos 20 anos. Segundo ela, as estruturas tinham rachaduras largas, estufamento e infiltração constante de água, o que aumentava o risco principalmente em períodos chuvosos.

O desabamento envolveu muros de dois imóveis diferentes, um voltado para a Rua Salinas, nº 2.385, e outro para a Rua Capitão Bragança, nº 470. A terra acumulada junto às estruturas, somada à infiltração, comprometeu a estabilidade, fazendo com que um muro cedesse e acabasse puxando o outro. A moradora afirma que, apesar dos sinais evidentes de risco, não houve intervenções para evitar o colapso.

O desabamento também atingiu a pilastra de um lar de idosos próximo, que já apresentava uma trinca antiga. Segundo Gustavo Gurgel, responsável pelo local, por precaução, um dos quartos da instituição precisou ser interditado e a área foi isolada.

Ele relatou que o incidente provocou transtornos na rotina do espaço e preocupação entre moradores e funcionários. O ambiente foi liberado na segunda-feira (23/3), após avaliação das condições de segurança.

O que diz a prefeitura

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH)  informou que equipes da da Defesa Civil realizaram vistoria técnica no local do desabamento. Segundo o Executivo municipal, os responsáveis foram notificados e orientados a zelar pelas condições de conservação, estabilidade, segurança e salubridade das edificações. Também foi recomendada a realização de avaliação técnica especializada e a adoção de medidas imediatas para mitigar riscos e recuperar a área. Sendo obrigação dos donos do imóvel reparar danos posteriores.

Cemig informou que, no momento, há 42 clientes afetados pela falta de energia. Na manhã desta quarta-feira (25/3), equipes da PBH e da companhia energética iniciaram os trabalhos no local para retirada dos escombros e reparo dos danos.

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* Estagiária sob supervisão da subeditora Tetê Monteiro

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