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Após 15 anos sem ampliação, UFMG deve ganhar novo câmpus na Grande BH

Proposta inclui cursos noturnos e semipresenciais nas áreas de tecnologia e esporte; implantação ainda depende de aval interno e cenário orçamentário

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Após 15 anos desde a última ampliação, em Tiradentes, no Campo das Vertentes, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) terá novo câmpus em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A criação da unidade entrou em nova etapa de negociação após reunião realizada nessa segunda-feira (23/3), em Brasília. A proposta, que prevê cursos voltados principalmente a estudantes trabalhadores e aproveitamento de estrutura já construída na cidade, foi discutida com o Ministério da Educação (MEC) e aguarda agora análise interna da universidade. 

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Diferentemente de outros projetos de expansão universitária baseados em novas construções, a iniciativa em Betim parte de modelo que combina reuso de espaço urbano e parceria direta com o poder municipal. O local reúne área de aproximadamente 90 mil m², composta por área de construção de 27 mil m², acoplado a área livre de 60 mil m².

O local indicado para o câmpus é o antigo Clube dos Metalúrgicos (Fiat Clube). Desativado há anos, o espaço reúne ginásio (com capacidade para mais de 5 mil pessoas), salão de eventos (que comporta 2 mil pessoas), quadras, piscinas e edificações que podem ser adaptadas para uso acadêmico. A Prefeitura de Betim se comprometeu a preparar a infraestrutura, enquanto a universidade ficaria responsável pela organização pedagógica e oferta dos cursos.

A ideia de levar uma unidade da UFMG para a cidade ganhou força a partir de articulações iniciadas ainda em 2025, quando o município passou a dispor do terreno após negociação com a Stellantis. Inicialmente pensado para atividades esportivas, o espaço passou a ser considerado para fins educacionais depois de conversas com representantes do governo federal e da universidade. O projeto acabou incorporando duas frentes: formação tecnológica alinhada ao perfil industrial da região e cursos ligados ao esporte, aproveitando a estrutura física existente.

De acordo com o prefeito Heron Guimarães (União Brasil), a nova unidade em Betim é importante, pois, além de Montes Claros (Norte de Minas), será a única fora de Belo Horizonte que a UFMG tem em formato de câmpus. "Essa região atinge mais ou menos de 1,6 a 2 milhões de pessoas que não têm acesso ao ensino superior, somando as populações de Betim (430 mil habitantes), Contagem (700 mil) e todo o Médio Paraopeba. Há o Instituto Federal em Betim, mas não é uma universidade", explica.

A iniciativa recebeu aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante agenda do petista em Minas Gerais na última semana. A partir disso, as tratativas ganharam caráter mais concreto e passaram a envolver diretamente equipes técnicas do MEC e da UFMG.

"Betim já é um polo de ensino superior, com a PUC e outras universidades particulares, mas faltava para nós o sonho de uma universidade federal, que tenho certeza de que vamos conseguir agora que o presidente deu o aval", disse Heron Guimarães. 

Segundo o reitor da UFMG, Alessandro Fernandes Moreira, que assumiu o cargo no último 19 de março, a universidade foi provocada pelo próprio Ministério da Educação a avaliar a proposta e instituiu um grupo de trabalho para elaborar estudo preliminar. Esse levantamento já foi apresentado ao MEC e serviu de base para a discussão mais recente em Brasília. A avaliação inicial é de que há viabilidade, sobretudo pelo fato de o município assumir parte relevante da estrutura necessária.

Reunião na qual Juscelino Pereira, Alessandro Moreira, Marcus David, Sandra Goulart e Lúcia Pellanda discutiram detalhes do projeto
Juscelino Pereira, Alessandro Moreira, Marcus David, Sandra Goulart e Lúcia Pellanda discutiram detalhes do projeto em reunião promovida pela UFMG Divulgação/UFMG

Proposta de Inovação

O desenho acadêmico em discussão rompe, em parte, com o modelo tradicional da UFMG, de acordo com a própria universidade. A proposta prevê cursos em turno noturno e com componentes semipresenciais, voltados a um público que normalmente não consegue frequentar graduações integrais. A organização curricular também deve permitir ingresso em uma base comum, com definição posterior da área específica, o que amplia a flexibilidade para os estudantes.

Entre as graduações consideradas, estão:

  • Engenharia de Produção
  • Engenharia de Sistemas
  • Sistemas de Informação
  • Ciência de Dados e Inteligência Artificial
  • Fisioterapia
  • Educação Física 

A combinação dessas áreas é pensada pela realidade das indústrias no município e pela tentativa de explorar uma vocação esportiva associada ao espaço escolhido para o câmpus.

Segundo o prefeito de Betim, a proposta inclui ainda a criação de uma formação transversal em empreendedorismo e inovação, com o objetivo de aproximar a universidade das demandas do mercado local. "Betim concentra empresas de grande porte e cadeias produtivas relevantes, especialmente nos setores automobilístico e petroquímico, o que influencia diretamente o perfil dos cursos planejados", afirma.

Ainda de acordo com o prefeito, outro ponto central do projeto é a tentativa de reduzir barreiras de acesso ao ensino superior público. Parte significativa dos estudantes da UFMG vive fora de Belo Horizonte e enfrenta deslocamentos longos até o câmpus Pampulha. 

Plano similar

Assim como a implementação de um câmpus UFMG em Betim, outro município da Grande BH também possui projeto de abertura similar. Em Pedro Leopoldo, a meta é transformar a Fazenda Modelo em um espaço acadêmico avançado com foco em sustentabilidade – que seria inaugurado em 2027. No entanto, de acordo com a própria UFMG, para que esse projeto seja concretizado, ainda será necessário haver a transferência definitiva da fazenda à instituição, em doação.

Apesar do avanço político e institucional, o projeto ainda depende de etapas decisivas dentro da universidade. Pela legislação, a criação de novos cursos e campi precisa ser aprovada por conselhos superiores, que avaliam viabilidade acadêmica, impacto financeiro e alinhamento com o planejamento estratégico da instituição. Só depois dessa fase é que a proposta pode seguir formalmente para implementação.

Recomposição de recursos

No âmbito federal, também será necessário definir a criação de vagas para professores e técnicos administrativos, além do credenciamento da nova unidade. Esses fatores estão diretamente ligados à disponibilidade orçamentária, um dos principais pontos de atenção no momento. Nos últimos anos, universidades federais enfrentam oscilações nos recursos, com cortes e recomposições que afetam desde o funcionamento cotidiano até planos de expansão.

A expansão ocorre em um contexto recente de restrições orçamentárias para as universidades federais. O orçamento de 2026, aprovado pelo Congresso Nacional, sofreu redução de cerca de R$ 488 milhões nos recursos discricionários das instituições, impactando despesas de custeio e assistência estudantil. Posteriormente, o governo federal anunciou a recomposição desses recursos, com a liberação de aproximadamente R$ 977 milhões para a educação, incluindo verbas destinadas à manutenção e funcionamento das universidades. 

O próprio MEC reconhece que informações como de investimento e prazo de ainda dependem da conclusão dos estudos da UFMG. A pasta, por outro lado, considera o projeto alinhado à estratégia de ampliar a presença da educação superior pública em regiões com grande população e dinamismo econômico, mas sem oferta equivalente de universidades federais.

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* Estagiária sob supervisão da subeditora Tetê Monteiro

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