CRIATURA EXISTIU?

ET de Varginha: ufólogos explicam por que o caso ainda gera debate

Mesmo depois de três décadas, inconsistências nas investigações e relatos de testemunhas mantêm vivo o enigma do ET de Varginha

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Há 30 anos, a cidade de Varginha, no Sul de Minas, tornou-se internacionalmente conhecida por relatos de encontros com seres extraterrestres. Conhecido como o “Caso Varginha”, o episódio continua gerando debates e despertando interesse de ufólogos, pesquisadores e curiosos do mundo todo — e, segundo especialistas, está longe de chegar a uma conclusão oficial.

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O Inquérito Policial Militar (IPM 18/97), instaurado pelo Supremo Tribunal Militar, negou que haja indícios da existência de qualquer ser não humano. Segundo a investigação, a criatura vista pelas três meninas (Kátia, Valquíria e Liliane) era, na verdade, Luiz Antônio de Paula, apelidado de “Mudinho”, morador local. Para ufólogos como Marco Antonio Petit e Edison Boaventura Jr., essa explicação não se sustenta.

"As meninas conheciam o Mudinho. Além disso, a descrição que fizeram — pele oleosa, três protuberâncias e olhos vermelhos — é específica demais para ser confundida com um ser humano, mesmo em penumbra", afirma Petit.

As três mulheres, inclusive, continuam afirmando, três décadas depois, que viram uma criatura e não o vizinho. 

Silêncio e acobertamento militar

Outro ponto que mantém o mistério vivo é o que os ufólogos chamam de “silêncio estratégico” do Exército. O IPM, segundo eles, focou mais em punir e silenciar quem falava sobre o ocorrido do que em investigar a criatura.

Há relatos de movimentação militar incomum, com comboios fechando alas de hospitais e a suposta transferência de seres para Campinas (SP) e, posteriormente, entrega das criaturas para o Exército americano. As autoridades negam as acusações, mas os ufólogos questionam que as Forças Armadas não esclareceram totalmente as movimentações de militares e viaturas.

ET de Varginha, na verdade, seria um homem de cócoras, segundo o Exército
ET de Varginha, na verdade, seria um homem de cócoras, segundo o Exército Reprodução

“A falta de informações oficiais precisava ser questionada juridicamente. O Caso Varginha não se sustenta por uma única evidência, mas pelo conjunto de fatos nunca esclarecidos", explica Petit.

Além disso, de acordo com ufólogos, a criatura teria sido levada para um suposto laboratório secreto no subsolo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde teria sido analisada pelo legista Badan Palhares. Palhares, porém, nega que qualquer ET tenha chegado ao interior de São Paulo, mas diz que recebeu um contato misterioso.

"Eu me recordo de ter recebido um telefonema, em que, estranhamente, me informaram que eu não saísse do laboratório, porque uma equipe do Exército brasileiro estava levando para lá um material vindo de Varginha, e que era um material que era importante para ser feito o trabalho de exumação completa. E esse material não chegou até hoje", disse à TV Globo.

"Falar é fácil, mas mostrar, demonstrar, isso é impraticável quando não existe. Eu só acredito naquilo que vejo e ponho a mão", afirmou. Na época, os ufólogos Ubirajara Rodrigues e Vitório Pacaccini afirmaram que a criatura teria sido estudada em Campinas, embora reportagens posteriores tenham mostrado que no local havia apenas uma casa de máquinas do hospital.

A morte de Chereze

O episódio da morte de Marco Eli Chereze é considerado um “ponto de não retorno” no debate. O soldado morreu de uma infecção generalizada fulminante após ter contato direto com a criatura, na versão dos ufólogos. Segundo Petit, seu sistema imunológico foi “aniquilado”.

"A ausência de um laudo de necropsia completo e público nos arquivos oficiais é vista como uma prova de que a causa da morte era algo que o Estado não podia explicar", afirma o ufólogo.

O caso de Chereze é citado como uma das evidências de que o fenômeno envolveu riscos biológicos, reforçando que não se tratava de um avistamento isolado. O Exército nega a possibilidade, afirmando que a morte do soldado ocorreu por causas médicas conhecidas, sem qualquer relação com agentes biológicos desconhecidos ou com contato com criaturas não humanas.

“Inexiste qualquer ligação entre a morte do referido militar e as supostas operações de captura [...] os laudos médicos indicam que o óbito ocorreu devido a um quadro de insuficiência respiratória aguda, septicemia e choque bacteriano”, diz um trecho do processo.

Morte de Marco Eli Chereze foi ligada ao avistamento do ET de Varginha
Morte de Marco Eli Chereze foi ligada ao avistamento do ET de Varginha Acervo EPTV/ Reprodução TV Globo/Reprodução

O IPM também afirma que não foram encontradas evidências, dentro das Forças Armadas, que sustentassem a narrativa de contaminação por microrganismo estranho, nem cita uma operação de captura de uma suposta criatura não humana.

A informação coincide com o que aparece no laudo pericial oficial do Instituto Médico Legal de Minas Gerais. O laudo conclui que a morte foi causada por septicemia (infecção generalizada), provocada pela bactéria Staphylococcus aureus, comum na pele humana, mas que pode ser fatal se entrar na corrente sanguínea.

“Em conclusão, admitimos que o soldado Marco possa ter sofrido pequena lesão superficial cutânea ao nível do membro superior; no evento dessa lesão foi inoculada a bactéria Staphylococcus schleiferi que, embora rara, estava provida de recursos bioquímicos para sua defesa, mecanismos de resistência a antibióticos e, em termos de virulência, pelos mecanismos locais necrótico-supurativos (segundo relatos orais) e de invasão do sistema circulatório, provocando sua disseminação com suas secreções, fechando o quadro de septicemia grave”, diz o laudo assinado pelo médico-legista Dr. João Batista de Souza.

Evidências biológicas e avistamentos

Desde 1996, o ET de Varginha aparece em diversas publicações
Testemunhas e ufólogos defendem existência de ET de Varginha Secretaria de Turismo / Varginha

Para os ufólogos, o caso não se limita a um único avistamento. Houve, no zoológico da cidade, relatos de animais mortos devido a substâncias tóxicas não identificadas, sugerindo a presença de algum agente biológico estranho circulando pela cidade. Isso também é negado pelas autoridades.

Além disso, um casal de fazendeiros relatou ter visto um objeto voador sobre a cidade, a cerca de 2 km do local do suposto encontro com a criatura, reforçando a hipótese de queda ou pouso de emergência.

Segundo Petit, esses acontecimentos mostram que o episódio de Varginha se insere em uma série de eventos sobrenaturais.

Por que o debate continua

Para os ufólogos, o que impede o encerramento definitivo do Caso Varginha é a combinação de elementos: relatos consistentes de testemunhas, mortes misteriosas, evidências biológicas, movimentação militar suspeita e documentos ainda sob sigilo.

"Vai chegar um ponto que tanto fará o exército continuar a negar ou não, porque o nível de conhecimento vai subindo. O número cada vez maior de pessoas tem uma visão diferente", afirma Petit.

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