Formada pela UFMG, atua no jornalismo desde 2014 e tem experiência como editora e repórter. Trabalhou na Rádio UFMG e na Faculdade de Medicina da UFMG. Faz parte da editoria de Distribuição de Conteúdo / Redes Sociais do Estado de Minas desde 2022
Mesmo com versão oficial afirmando que não havia ET, ufólogos e testemunhas seguem defendendo existência da criatura crédito: Memorial do ET
Há 30 anos, a cidade de Varginha, no Sul de Minas, tornou-se internacionalmente conhecida por relatos de encontros com seres extraterrestres. Conhecido como o“Caso Varginha”, o episódio continua gerando debates e despertando interesse de ufólogos, pesquisadores e curiosos do mundo todo — e, segundo especialistas, está longe de chegar a uma conclusão oficial.
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O Inquérito Policial Militar (IPM 18/97), instaurado pelo Supremo Tribunal Militar, negou que haja indícios da existência de qualquer ser não humano. Segundo a investigação, a criatura vista pelas três meninas (Kátia, Valquíria e Liliane) era, na verdade, Luiz Antônio de Paula, apelidado de “Mudinho”, morador local. Para ufólogos como Marco Antonio Petit e Edison Boaventura Jr., essa explicação não se sustenta.
"As meninas conheciam o Mudinho. Além disso, a descrição que fizeram — pele oleosa, três protuberâncias e olhos vermelhos — é específica demais para ser confundida com um ser humano, mesmo em penumbra", afirma Petit.
As três mulheres, inclusive, continuam afirmando, três décadas depois, que viram uma criatura e não o vizinho.
Silêncio e acobertamento militar
Outro ponto que mantém o mistério vivo é o que os ufólogos chamam de “silêncio estratégico” do Exército. O IPM, segundo eles, focou mais em punir e silenciar quem falava sobre o ocorrido do que em investigar a criatura.
Há relatos de movimentação militar incomum, com comboios fechando alas de hospitais e a suposta transferência de seres para Campinas (SP) e, posteriormente, entrega das criaturas para o Exército americano. As autoridades negam as acusações, mas os ufólogos questionam que as Forças Armadas não esclareceram totalmente as movimentações de militares e viaturas.
ET de Varginha, na verdade, seria um homem de cócoras, segundo o Exército Reprodução
“A falta de informações oficiais precisava ser questionada juridicamente. O Caso Varginha não se sustenta por uma única evidência, mas pelo conjunto de fatos nunca esclarecidos", explica Petit.
Além disso, de acordo com ufólogos, a criatura teria sido levada para um suposto laboratório secreto no subsolo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde teria sido analisada pelo legista Badan Palhares. Palhares, porém, nega que qualquer ET tenha chegado ao interior de São Paulo, mas diz que recebeu um contato misterioso.
"Eu me recordo de ter recebido um telefonema, em que, estranhamente, me informaram que eu não saísse do laboratório, porque uma equipe do Exército brasileiro estava levando para lá um material vindo de Varginha, e que era um material que era importante para ser feito o trabalho de exumação completa. E esse material não chegou até hoje", disse à TV Globo.
"Falar é fácil, mas mostrar, demonstrar, isso é impraticável quando não existe. Eu só acredito naquilo que vejo e ponho a mão", afirmou. Na época, os ufólogos Ubirajara Rodrigues e Vitório Pacaccini afirmaram que a criatura teria sido estudada em Campinas, embora reportagens posteriores tenham mostrado que no local havia apenas uma casa de máquinas do hospital.
A morte de Chereze
O episódio da morte de Marco Eli Chereze é considerado um “ponto de não retorno” no debate. O soldado morreu de uma infecção generalizada fulminante após ter contato direto com a criatura, na versão dos ufólogos. Segundo Petit, seu sistema imunológico foi “aniquilado”.
"A ausência de um laudo de necropsia completo e público nos arquivos oficiais é vista como uma prova de que a causa da morte era algo que o Estado não podia explicar", afirma o ufólogo.
O caso de Chereze é citado como uma das evidências de que o fenômeno envolveu riscos biológicos, reforçando que não se tratava de um avistamento isolado. O Exército nega a possibilidade, afirmando que a morte do soldado ocorreu por causas médicas conhecidas, sem qualquer relação com agentes biológicos desconhecidos ou com contato com criaturas não humanas.
“Inexiste qualquer ligação entre a morte do referido militar e as supostas operações de captura [...] os laudos médicos indicam que o óbito ocorreu devido a um quadro de insuficiência respiratória aguda, septicemia e choque bacteriano”, diz um trecho do processo.
Morte de Marco Eli Chereze foi ligada ao avistamento do ET de Varginha Acervo EPTV/ Reprodução TV Globo/Reprodução
O IPM também afirma que não foram encontradas evidências, dentro das Forças Armadas, que sustentassem a narrativa de contaminação por microrganismo estranho, nem cita uma operação de captura de uma suposta criatura não humana.
A informação coincide com o que aparece no laudo pericial oficial do Instituto Médico Legal de Minas Gerais. O laudo conclui que a morte foi causada por septicemia (infecção generalizada), provocada pela bactéria Staphylococcus aureus, comum na pele humana, mas que pode ser fatal se entrar na corrente sanguínea.
“Em conclusão, admitimos que o soldado Marco possa ter sofrido pequena lesão superficial cutânea ao nível do membro superior; no evento dessa lesão foi inoculada a bactéria Staphylococcus schleiferi que, embora rara, estava provida de recursos bioquímicos para sua defesa, mecanismos de resistência a antibióticos e, em termos de virulência, pelos mecanismos locais necrótico-supurativos (segundo relatos orais) e de invasão do sistema circulatório, provocando sua disseminação com suas secreções, fechando o quadro de septicemia grave”, diz o laudo assinado pelo médico-legista Dr. João Batista de Souza.
Esta reportagem do Estado de Minas de 2/2/96 foi a primeira sobre o caso | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 3/2/96: entusiasta pelo tema, "usuário da internet" convocou médicos, jornalistas e ufólogos para tentar desvendar o caso | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 4/2/96: quatro ufólogos do Rio de Janeiro foram convidados por Ubirajara Rodrigues a entrar no caso | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 16/2/96: cinegrafista da TV Alterosa em Varginha, Vinício Cunha foi o primeiro a fazer o retrato falado do ET | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 27/2/96: mecânico relatou ter visto um OVNI sobrevoando a cidade | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 28/2/96: nas semanas seguintes ao caso, relatos se espalharam pelo Sul de Minas | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 7/3/96: UFMG conduziu análise sobre placa misteriosa com inscrições | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 10/3/96: o extraterrestre virou garoto-propaganda das lojas de rua de Varginha | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 26/3/96: "Ufólogo acusa Mãe Dinah de se aproveitar do caso do ET de Varginha | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 28/3/96: "Filmado em todo o País, objeto no céu não passa de uma ilusão ótica" | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 30/3/96: placa com "inscrição misteriosa" foi atribuída a disco voador por moradores de Januária| 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 7/4/96: caso no Sul de Minas atraiu a atenção de ufólogos de todo o país | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 5/5/96: caso virou tema para o humorÃstico 'Casseta & Planeta' | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 11/5/96: a Escola de Sargentos das Armas (ESA), de Três Corações, foi o centro das atenções | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 14/5/96: "ufólogos acreditam que a 'criatura' capturada dia 20 de janeiro esteja sendo estudada na Unicamp" | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 31/5/96: telefonema para a redação do EM feito por "autoridade judicial" alegava supostas "capturas de criaturas" | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 4/6/96: ufólogo alegava que extraterrestres trouxeram o amor para a Terra | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 11/6/96: queda de meteorito em Monte Azul assustou moradores | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Estado de Minas, 24/6/96 | "Rafael Toledo, arranjador, e Wolr Borges, vocalista, já fazem sucesso com a música" | 30 anos do ET de Varginha Arquivo Estado de Minas
Evidências biológicas e avistamentos
Testemunhas e ufólogos defendem existência de ET de Varginha Secretaria de Turismo / Varginha
Para os ufólogos, o caso não se limita a um único avistamento. Houve, no zoológico da cidade, relatos de animais mortos devido a substâncias tóxicas não identificadas, sugerindo a presença de algum agente biológico estranho circulando pela cidade. Isso também é negado pelas autoridades.
Além disso, um casal de fazendeiros relatou ter visto um objeto voador sobre a cidade, a cerca de 2 km do local do suposto encontro com a criatura, reforçando a hipótese de queda ou pouso de emergência.
Segundo Petit, esses acontecimentos mostram que o episódio de Varginha se insere em uma série de eventos sobrenaturais.
Por que o debate continua
Para os ufólogos, o que impede o encerramento definitivo do Caso Varginha é a combinação de elementos: relatos consistentes de testemunhas, mortes misteriosas, evidências biológicas, movimentação militar suspeita e documentos ainda sob sigilo.
"Vai chegar um ponto que tanto fará o exército continuar a negar ou não, porque o nível de conhecimento vai subindo. O número cada vez maior de pessoas tem uma visão diferente", afirma Petit.
Faz 30 anos que Varginha passou a ser famosa por uma suposta aparição de extraterrestre.
Em setembro de 2025, a cidade inaugurou uma nova atração turística ligada ao famoso caso do ET. Uma escultura de quatro metros de altura, criada pelo artista plástico Renato Criaturas, foi instalada em frente ao Memorial do ET, no bairro Vila Paiva. Divulgação
Conhecido por seu trabalho com criaturas fantásticas e pela participação na criação de personagens do Castelo Rá-Tim-Bum, Renato projetou o monumento para se tornar ponto de parada obrigatória. Divulgação
A secretária de Turismo, Rosana Carvalho, destacou que a obra valoriza o Memorial e reforça a identidade da cidade: "Varginha já é referência internacional por sua história, e este novo atrativo vem para enriquecer a experiência de quem visita a cidade. Nossa expectativa é de que o fluxo turístico aumente e, com isso, todo o comércio local também seja beneficiado". Divulgação
A fama da cidade começou em 20 de janeiro de 1996, quando três jovens mulheres disseram ter avistado uma criatura marrom, de olhos vermelhos e de cabeça grande na cidade do interior de Minas Gerais. reprodução YouTube
O episódio tomou uma proporção tão grande que chegou a ganhar uma reportagem especial no Fantástico, da Rede Globo. reprodução YouTube TV Globo
Em meio aos boatos, chegou a especular-se que a criatura teria passado, inclusive, por autópsia. Após 20 anos, o ufólogo Ubirajara Rodrigues, um dos que participaram do caso, voltou atrás e afirmou que não houve contato com nenhum extraterrestre. reprodução YouTube
Os documentos oficiais do Exército, divulgados pela revista “IstoÉ”, em 2017, afirmaram que as meninas teriam visto “mudinho”, um morador local com problemas mentais. reprodução YouTube
Até hoje a cidade de Varginha recebe turistas por conta da repercussão do caso. A cidade fundada em 1882 ocupa uma área de 396 km², a 980m de altitude, e tem 138 mil habitantes. reprodução YouTube
O apelo da propaganda sobre o tal extraterrestre foi irresistível e a cidade passou a ter no turismo um ponto forte na economia. Um monumento ao disco voador dá boas-vindas aos visitantes. Oluap2512 wikimedia commons
Uma outra estátua - esta da suposta criatura - também faz sucesso numa praça e chama atenção principalmente das crianças. reprodução YouTube
O caso ainda é cercado de mistério até hoje. Em entrevista recente ao portal G1, o ufólogo Edison Boaventura Jr. afirmou que acredita que militares esconderam a verdade, para acobertar o episódio. reprodução YouTube
Mas o caso de Varginha não foi o único envolvendo supostas aparições estranhas no Brasil. reprodução YouTube
Em 1977, várias pessoas da região de Colares, interior do Pará, afirmaram ter avistado objetos luminosos no céu. reprodução YouTube
Algumas inclusive relataram ter tido queimaduras no corpo e outros problemas de saúde. reprodução YouTube TV Globo
Uma operação foi realizada pela Força Aérea Brasileira para investigar o caso. A operação foi encerrada após 4 meses, e outras missões relacionadas foram realizadas durante o ano de 1978. Andre Gustavo Stumpf Filho - wikimedia commons
O líder da “Operação Prato” na época foi o capitão Uyrangê Bolívar de Hollanda Lima. Ele deu uma longa entrevista à revista “UFO”, 20 anos depois, alegando que imagens do caso haviam sido escondidas pela Aeronáutica. Meses depois, ele se suicidou. reprodução youtube
Em outro episódio, na noite de 19 de maio de 1986, 21 objetos voadores não identificados foram avistados em quatro estados do Brasil: Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. reprodução TV Globo
O caso ficou conhecido como “A noite dos discos voadores”. É o maior número de registros de OVNIs já avistados de uma única vez. Cinco caças da Força Aérea Brasileira (FAB) chegaram a ser acionados para irem atrás dos objetos. reprodução Tv Globo
Relatos dos militares indicam que os objetos pareciam “estrelas”, se moviam de forma anormal e mudavam de cor. O Fantástico divulgou áudios da operação, em que o controlador de voos da torre de São José dos Campos, Sérgio Motta, pede que não contassem a ninguém o que ele havia testemunhado. reprodução TV Globo
Antes mesmo desse caso, outro já havia chamado a atenção da mídia e das autoridades. Foi em 6/3/1982, no estádio “Morenão” (foto), em Campo Grande (MS), durante o jogo Operário x Vasco da Gama. Operaniano Ms2016 wikimedia commons
Jogadores e torcedores afirmaram ter avistado um objeto em forma de cilindro que, segundo eles, emitia luzes enquanto sobrevoava o estádio. Jan Mallander por Pixabay
Há relatos de que o local em torno do estádio se tornou um palco de tentativas de suicídio, o que levou a administração local a instalar câmeras de vigilância como precaução. Fronteira - wikimedia commons
Além disso, um grupo de cientistas fez uma descoberta importante que pode reforçar a ideia de vida alienígena fora da Terra. Myersalex/Pixabay
Foram encontradas moléculas com fósforo em uma nuvem de gás densa, localizada a aproximadamente 74 mil anos-luz do centro da Via Láctea, nas bordas da galáxia. reprodução ufmg.br
Anteriormente, acreditava-se que o fósforo, um elemento essencial para a vida como a conhecemos, fosse escasso no espaço. Unsplash/Vincentiu Solomon
Porém, com a detecção de uma grande quantidade desse material nas extremidades da galáxia, astrônomos da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, sugerem que a possibilidade de vida alienígena pode ser bem maior do que se pensava... reprodução / E.T.: O Extraterrestre
Em 2023, um dos grandes nomes da NASA, a agência espacial americana, fez uma declaração que surpreendeu muita gente. Administrador da Nasa, Bill Nelson disse que, pessoalmente, acredita na existência de vida extraterrestre. Domínio público
A declaração foi dada durante entrevista coletiva após a divulgação do relatório sobre Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) encomendado pela Nasa em 14/9. Divulgação Nasa
Astronauta e político (foi senador), ele disse: “Se acredito que existe vida num universo tão vasto que é difícil compreender o seu tamanho? Minha resposta é sim”. Domínio público
O relatório de 33 páginas aponta que o surgimento de objetos voadores não identificados não pode ser explicado como evento extraterrestre, mas que as apurações e os estudos ainda estão em andamento. Albert Antony Unsplash
“Queremos mudar a conversa sobre OVNIs do sensacionalismo para a ciência”, afirmou Nelson. E você: acredita em vida extraterrestre? PhotoVision pixabay