Formada pela UFMG, atua no jornalismo desde 2014 e tem experiência como editora e repórter. Trabalhou na Rádio UFMG e na Faculdade de Medicina da UFMG. Faz parte da editoria de Distribuição de Conteúdo / Redes Sociais do Estado de Minas desde 2022
Morte de Marco Eli Chereze foi ligada ao avistamento do ET de Varginha crédito: Acervo EPTV/ Reprodução TV Globo/Reprodução
No dia 15 de fevereiro de 1996, morreu o soldado da Polícia Militar de Minas Gerais Marco Eli Chereze, em Varginha. O agente tinha apenas 23 anos e nenhum histórico de doença anterior. A morte ocorreu menos de um mês após o caso ET de Varginha, no qual o policial teria atuado. Isso alimentou teorias de que ele teria sido infectado por uma criatura extraterrestre, mas o laudo de necropsia apontou que a causa foi uma infecção bacteriana.
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Segundo ufólogos que investigam o caso, Chereze participou de uma operação noturna nas proximidades do bairro Jardim Andere, em Varginha, na noite de 20 de janeiro de 1996. O objetivo da ação, segundo esses depoimentos, seria a captura de uma criatura descrita por testemunhas como não humana.
De acordo com essas versões, o militar teve contato direto com o ser, sem equipamentos de proteção. Pouco tempo depois, apresentou sinais de mal-estar e foi internado. O quadro evoluiu rapidamente, culminando na morte do policial. Pesquisadores afirmam que a criatura teria liberado uma substância tóxica durante a abordagem.
Um dos aspectos que mais chamaram a atenção foi o sepultamento discreto, sem velório público e com o caixão lacrado — procedimento que alimentou especulações e questionamentos na cidade.
Para o ufólogo Vittorio Pacaccini, que esteve em Varginha ainda nos primeiros dias após o ocorrido e é autor do livro “Incidente em Varginha”, a morte do militar sempre foi um dos pontos mais delicados do caso. “O que nos chamou atenção não foi apenas a morte em si, mas a sequência dos fatos. Um policial jovem, saudável, que participa de uma operação incomum, adoece e morre poucos dias depois. Isso, por si só, já exige uma investigação muito mais transparente”, afirma.
Pacaccini ressalta que não afirma, de forma categórica, uma relação direta entre o contato com a criatura e o óbito, mas destaca que as informações disponíveis nunca foram suficientes para encerrar o assunto.
“Se foi uma coincidência, ela ocorreu em um contexto extremamente atípico. E, quando isso acontece, a dúvida permanece”, destaca.
Escultura mostra criatura avistada por Liliane e Valquíria Silva e Kátia de Andrade Xavier em janeiro de 1996 Memorial do ET
O que diz a versão oficial?
As circunstâncias da morte de Chereze foram analisadas no Inquérito Policial Militar (IPM nº 18/97), instaurado após a publicação do livro de Pacaccini. Segundo o relatório final, a morte do soldado ocorreu por causas médicas conhecidas, sem qualquer relação com agentes biológicos desconhecidos ou com contato com criaturas não humanas.
“Inexiste qualquer ligação entre a morte do referido militar e as supostas operações de captura [...] os laudos médicos indicam que o óbito ocorreu devido a um quadro de insuficiência respiratória aguda, septicemia e choque bacteriano”, diz um trecho do processo.
O IPM também afirma que não foram encontradas evidências, dentro das Forças Armadas, que sustentassem a narrativa de contaminação por microrganismo estranho, nem cita uma operação de captura de uma suposta criatura não humana.
A informação coincide com o que aparece no laudo pericial oficial do Instituto Médico Legal de Minas Gerais. O laudo conclui que a morte foi causada por septicemia (infecção generalizada), provocada pela bactéria Staphylococcus aureus, comum na pele humana, mas que pode ser fatal se entrar na corrente sanguínea.
“Em conclusão, admitimos que o soldado Marco possa ter sofrido pequena lesão superficial cutânea ao nível do membro superior; no evento dessa lesão foi inoculada a bactéria Staphylococcus schleiferi que, embora rara, estava provida de recursos bioquímicos para sua defesa, mecanismos de resistência a antibióticos e, em termos de virulência, pelos mecanismos locais necrótico-supurativos (segundo relatos orais) e de invasão do sistema circulatório, provocando sua disseminação com suas secreções, fechando o quadro de septicemia grave”, diz o laudo assinado pelo médico-legista Dr. João Batista de Souza.
As dúvidas persistem
Mesmo com o laudo, os ufólogos questionaram a causa da morte. Isso porque os exames laboratoriais de Chereze mostraram que ele tinha uma contagem de glóbulos brancos muito baixa, o que não estaria de acordo com o quadro da infecção nem com o estilo de vida do soldado, que era jovem e atlético.
A principal teoria que os ufólogos sugerem é que o contato com a suposta criatura pode ter exposto o militar a um agente desconhecido (ou uma “toxina biológica”), que desativou o sistema imunológico, permitindo que bactérias comuns o matassem em poucos dias.
Para Edison Boaventura Jr., ufólogo e autor do livro ETs de Varginha: montando o quebra-cabeça, a conclusão oficial não elimina os questionamentos. “Não se trata de negar o laudo médico, mas de questionar o contexto. A morte acontece dentro de um cenário cercado de sigilo, operações não esclarecidas e ausência de documentos públicos”, afirma.
Boaventura também aponta a dificuldade de acesso aos registros médicos completos, relatórios operacionais e documentos internos.
Faz 30 anos que Varginha passou a ser famosa por uma suposta aparição de extraterrestre.
Em setembro de 2025, a cidade inaugurou uma nova atração turística ligada ao famoso caso do ET. Uma escultura de quatro metros de altura, criada pelo artista plástico Renato Criaturas, foi instalada em frente ao Memorial do ET, no bairro Vila Paiva. Divulgação
Conhecido por seu trabalho com criaturas fantásticas e pela participação na criação de personagens do Castelo Rá-Tim-Bum, Renato projetou o monumento para se tornar ponto de parada obrigatória. Divulgação
A secretária de Turismo, Rosana Carvalho, destacou que a obra valoriza o Memorial e reforça a identidade da cidade: "Varginha já é referência internacional por sua história, e este novo atrativo vem para enriquecer a experiência de quem visita a cidade. Nossa expectativa é de que o fluxo turístico aumente e, com isso, todo o comércio local também seja beneficiado". Divulgação
A fama da cidade começou em 20 de janeiro de 1996, quando três jovens mulheres disseram ter avistado uma criatura marrom, de olhos vermelhos e de cabeça grande na cidade do interior de Minas Gerais. reprodução YouTube
O episódio tomou uma proporção tão grande que chegou a ganhar uma reportagem especial no Fantástico, da Rede Globo. reprodução YouTube TV Globo
Em meio aos boatos, chegou a especular-se que a criatura teria passado, inclusive, por autópsia. Após 20 anos, o ufólogo Ubirajara Rodrigues, um dos que participaram do caso, voltou atrás e afirmou que não houve contato com nenhum extraterrestre. reprodução YouTube
Os documentos oficiais do Exército, divulgados pela revista “IstoÉ”, em 2017, afirmaram que as meninas teriam visto “mudinho”, um morador local com problemas mentais. reprodução YouTube
Até hoje a cidade de Varginha recebe turistas por conta da repercussão do caso. A cidade fundada em 1882 ocupa uma área de 396 km², a 980m de altitude, e tem 138 mil habitantes. reprodução YouTube
O apelo da propaganda sobre o tal extraterrestre foi irresistível e a cidade passou a ter no turismo um ponto forte na economia. Um monumento ao disco voador dá boas-vindas aos visitantes. Oluap2512 wikimedia commons
Uma outra estátua - esta da suposta criatura - também faz sucesso numa praça e chama atenção principalmente das crianças. reprodução YouTube
O caso ainda é cercado de mistério até hoje. Em entrevista recente ao portal G1, o ufólogo Edison Boaventura Jr. afirmou que acredita que militares esconderam a verdade, para acobertar o episódio. reprodução YouTube
Mas o caso de Varginha não foi o único envolvendo supostas aparições estranhas no Brasil. reprodução YouTube
Em 1977, várias pessoas da região de Colares, interior do Pará, afirmaram ter avistado objetos luminosos no céu. reprodução YouTube
Algumas inclusive relataram ter tido queimaduras no corpo e outros problemas de saúde. reprodução YouTube TV Globo
Uma operação foi realizada pela Força Aérea Brasileira para investigar o caso. A operação foi encerrada após 4 meses, e outras missões relacionadas foram realizadas durante o ano de 1978. Andre Gustavo Stumpf Filho - wikimedia commons
O líder da “Operação Prato” na época foi o capitão Uyrangê Bolívar de Hollanda Lima. Ele deu uma longa entrevista à revista “UFO”, 20 anos depois, alegando que imagens do caso haviam sido escondidas pela Aeronáutica. Meses depois, ele se suicidou. reprodução youtube
Em outro episódio, na noite de 19 de maio de 1986, 21 objetos voadores não identificados foram avistados em quatro estados do Brasil: Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. reprodução TV Globo
O caso ficou conhecido como “A noite dos discos voadores”. É o maior número de registros de OVNIs já avistados de uma única vez. Cinco caças da Força Aérea Brasileira (FAB) chegaram a ser acionados para irem atrás dos objetos. reprodução Tv Globo
Relatos dos militares indicam que os objetos pareciam “estrelas”, se moviam de forma anormal e mudavam de cor. O Fantástico divulgou áudios da operação, em que o controlador de voos da torre de São José dos Campos, Sérgio Motta, pede que não contassem a ninguém o que ele havia testemunhado. reprodução TV Globo
Antes mesmo desse caso, outro já havia chamado a atenção da mídia e das autoridades. Foi em 6/3/1982, no estádio “Morenão” (foto), em Campo Grande (MS), durante o jogo Operário x Vasco da Gama. Operaniano Ms2016 wikimedia commons
Jogadores e torcedores afirmaram ter avistado um objeto em forma de cilindro que, segundo eles, emitia luzes enquanto sobrevoava o estádio. Jan Mallander por Pixabay
Há relatos de que o local em torno do estádio se tornou um palco de tentativas de suicídio, o que levou a administração local a instalar câmeras de vigilância como precaução. Fronteira - wikimedia commons
Além disso, um grupo de cientistas fez uma descoberta importante que pode reforçar a ideia de vida alienígena fora da Terra. Myersalex/Pixabay
Foram encontradas moléculas com fósforo em uma nuvem de gás densa, localizada a aproximadamente 74 mil anos-luz do centro da Via Láctea, nas bordas da galáxia. reprodução ufmg.br
Anteriormente, acreditava-se que o fósforo, um elemento essencial para a vida como a conhecemos, fosse escasso no espaço. Unsplash/Vincentiu Solomon
Porém, com a detecção de uma grande quantidade desse material nas extremidades da galáxia, astrônomos da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, sugerem que a possibilidade de vida alienígena pode ser bem maior do que se pensava... reprodução / E.T.: O Extraterrestre
Em 2023, um dos grandes nomes da NASA, a agência espacial americana, fez uma declaração que surpreendeu muita gente. Administrador da Nasa, Bill Nelson disse que, pessoalmente, acredita na existência de vida extraterrestre. Domínio público
A declaração foi dada durante entrevista coletiva após a divulgação do relatório sobre Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) encomendado pela Nasa em 14/9. Divulgação Nasa
Astronauta e político (foi senador), ele disse: “Se acredito que existe vida num universo tão vasto que é difícil compreender o seu tamanho? Minha resposta é sim”. Domínio público
O relatório de 33 páginas aponta que o surgimento de objetos voadores não identificados não pode ser explicado como evento extraterrestre, mas que as apurações e os estudos ainda estão em andamento. Albert Antony Unsplash
“Queremos mudar a conversa sobre OVNIs do sensacionalismo para a ciência”, afirmou Nelson. E você: acredita em vida extraterrestre? PhotoVision pixabay