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Arqueólogos analisam 142 enfeites de argila feitos há até 15.000 anos e encontram impressões digitais deixadas por crianças e adultos

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
07/10/2026
Em Curiosidades
As marcas preservadas permitem estimar diferenças de idade entre quem manipulou a argila

As marcas preservadas permitem estimar diferenças de idade entre quem manipulou a argila

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Arqueólogos analisaram 142 contas, pingentes e adornos de argila natufianos feitos no Levante há até 15.000 anos.↓ Ver no artigo
Impressões digitais preservadas em cerca de 50 marcas indicam a participação de crianças, adolescentes e adultos na produção.↓ Ver no artigo
Os adornos foram encontrados em cinco sítios natufianos e incluem formas cilíndricas, discos e peças alongadas.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
Argila antes da cerâmica
Os 142 enfeites mostram que comunidades natufianas já moldavam argila para adornos muito antes de vasos se tornarem comuns na região.
15 mil anos
02
Marcas de várias idades
Impressões preservadas nas peças indicam participação de crianças, adolescentes e adultos na produção de contas e pequenos pingentes.
50 impressões
03
Produção compartilhada
Formatos, fibras e marcas de dedos sugerem uma tradição artesanal ligada a identidade, aprendizado e convivência dentro das primeiras aldeias.
Vida cotidiana

Pequenas marcas de dedos ficaram presas na argila por milênios. Os 142 enfeites de argila analisados no Levante foram feitos há até 15.000 anos e guardam impressões de crianças, adolescentes e adultos, revelando que a produção desses objetos envolvia pessoas de idades diferentes na mesma tradição artesanal.

O que são esses 142 enfeites de argila?

Os objetos são contas, pingentes e pequenos adornos moldados em argila não queimada por grupos natufianos que viveram no Levante. O conjunto reúne formas cilíndricas, discos e peças alongadas, algumas pequenas o bastante para caber facilmente na palma da mão.

A coleção pertence à cultura natufiana, ligada a comunidades de caçadores-coletores que começaram a viver de forma mais estável. Os enfeites mostram que a argila já tinha uso simbólico antes de se tornar matéria-prima comum para recipientes e outras peças utilitárias.

Crianças e adultos parecem ter participado da produção dos objetos encontrados

Como as impressões digitais revelaram crianças e adultos?

A superfície macia conservou impressões digitais e marcas das mãos de quem modelou parte dos adornos. O tamanho e a forma dessas marcas permitiram comparar faixas etárias, mostrando que a produção não estava concentrada apenas em artesãos adultos experientes.

O estudo publicado em Science Advances descreve 142 ornamentos de cinco sítios natufianos e conclui que crianças e adultos participaram de sua fabricação. O resultado aproxima a arqueologia de uma atividade cotidiana que normalmente desaparece sem deixar registro.

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O que os formatos dos objetos dizem sobre quem os produziu?

Os formatos variados indicam que havia mais de uma maneira de moldar e usar os enfeites. Algumas peças imitam formas vegetais e outras preservam vestígios de fibras, sinal de que podiam ser colocadas em fios e usadas no corpo ou presas a roupas.

As diferenças também ajudam a separar experimentação, aprendizagem e repetição. Peças menos regulares podem refletir mãos ainda aprendendo, enquanto outras mostram execução mais controlada. O conjunto inteiro sugere que conhecimento e prática circulavam entre pessoas com experiências e idades diferentes.

A seguir listamos 4 pistas principais que ajudam a organizar as evidências descritas acima:

  • Marcas de dedos: preservam contato direto com quem moldou a argila ainda úmida.
  • Fibras vegetais: mostram que algumas contas eram formadas ao redor de fios ou hastes.
  • Formas variadas: indicam escolhas diferentes de aparência e fabricação dentro da mesma tradição.
  • Tamanhos distintos: ajudam a perceber peças produzidas e possivelmente usadas por pessoas diferentes.
As impressões digitais oferecem pistas diretas sobre as pessoas envolvidas na confecção das peças

Leia também: Pedra de 6 toneladas no centro de Stonehenge veio da Escócia e percorreu pelo menos 700 km há cerca de 5.000 anos

Por que esses enfeites mudam a visão sobre o uso da argila?

O ponto principal é a antiguidade do uso simbólico da argila. Na região, esse material costuma ser associado ao Neolítico e à fabricação posterior de recipientes. Os adornos mostram que ele já servia para expressar identidade e pertencimento quando essas comunidades ainda viviam de caça e coleta.

A sequência cronológica também revela uma tradição mantida por milênios, não um teste isolado. Os objetos aparecem em diferentes sítios e momentos do período natufiano, enquanto técnicas como cobertura com argila líquida e pigmento mostram um cuidado visual que ia além da simples modelagem.

A seguir listamos 3 comparações centrais que resumem o que as evidências permitem interpretar:

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DADOS EM FOCO
O que as peças revelam
Tabela com período, evidência arqueológica e interpretação dos enfeites de argila natufianos.
Período Evidência O que mostra
Até 15 mil anos Adornos de argila Uso simbólico muito antigo
Várias idades Impressões digitais Participação de crianças e adultos
Diferentes sítios Formas recorrentes Tradição compartilhada e duradoura

O que ainda falta entender sobre essa tradição?

As impressões mostram quem participou da fabricação por faixa etária, mas não revelam exatamente quem usava cada peça nem o significado de cada formato. Também não é possível afirmar que todos os adornos tinham a mesma função social, ritual ou pessoal.

Mesmo com essas dúvidas, os 142 enfeites de argila transformam pequenos vestígios em sinais de convivência. Dedos de crianças e adultos ficaram registrados no mesmo material, oferecendo uma rara imagem do aprendizado e da criação compartilhada em comunidades de milhares de anos atrás.

Sua história pode virar reportagem

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Tags: argilaarqueologiaimpressões digitaisnatufianos

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