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Uma pequena figura de argila feita há 12.000 anos mostra uma mulher com um ganso e pode guardar uma das primeiras cenas entre humanos e animais

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
06/10/2026
Em Entretenimento
A pequena peça reúne uma figura humana e um animal em uma composição incomum para sua idade - Imagem ilustrativa

A pequena peça reúne uma figura humana e um animal em uma composição incomum para sua idade - Imagem ilustrativa

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Estatueta de 3,7 cm encontrada em Nahal Ein Gev II, no norte de Israel, mostra uma mulher inclinada com um ganso sobre as costas há cerca de 12 mil anos.↓ Ver no artigo
A peça é considerada a mais antiga estatueta conhecida a representar diretamente uma interação entre humano e animal no Levante.↓ Ver no artigo
Análises indicam argila local, aquecimento de pelo menos 400 °C, pigmento mineral vermelho e uma impressão digital preservada.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
Cena muito antiga
A pequena estatueta do norte de Israel mostra uma mulher e um ganso juntos em uma composição modelada há cerca de 12 mil anos.
Arte pré-histórica
02
Argila trabalhada
Análises indicam argila local, aquecimento controlado, pigmento vermelho e marcas deixadas durante a modelagem da peça.
Técnica antiga
03
Interação simbólica
Os pesquisadores interpretam a composição como uma cena não ligada à caça e possivelmente relacionada a ideias míticas ou animistas.
Sentido possível

Uma peça de argila com apenas alguns centímetros guardou uma cena feita há cerca de 12 mil anos. A figura de argila mostra uma mulher e um ganso em interação e é apontada pelos pesquisadores como a mais antiga estatueta conhecida a representar diretamente uma relação entre humano e animal no Levante.

O que mostra a figura de argila de 12 mil anos?

A peça foi encontrada em Nahal Ein Gev II, assentamento ligado à cultura natufiana no norte de Israel. Com apenas 3,7 centímetros de altura, ela representa uma figura feminina inclinada e um ganso colocado sobre suas costas.

A pesquisa classifica o objeto como a mais antiga estatueta conhecida a mostrar uma interação entre humano e animal. Também seria a representação naturalista feminina mais antiga conhecida no sudoeste da Ásia, dois pontos que tornam a pequena peça importante para estudar a origem de novas formas de arte.

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Como os pesquisadores descobriram que a peça foi produzida?

Análises tecnológicas e químicas indicam que a argila era local e foi preparada antes da modelagem. A estatueta secou e depois foi aquecida a pelo menos 400 °C. Resíduos mostram ainda que pigmento mineral vermelho foi aplicado sobre partes da superfície.

O trabalho publicado pela Hebrew University of Jerusalem também registra uma impressão digital preservada. A análise sugere que ela pode ter sido deixada por um adulto jovem de sexo não determinado ou por uma mulher adulta, sem permitir identificar individualmente quem criou a peça.

Por que a mulher e o ganso chamam tanta atenção?

A cena não parece representar uma caçada. O ganso é mostrado vivo e em contato direto com a mulher, levando os autores a propor uma interação imaginada ou mitológica. Essa leitura é compatível com crenças animistas, mas continua sendo uma interpretação arqueológica, não uma legenda deixada pelos próprios criadores.

Os detalhes de volume também importam. Incisões, posição das formas e uso de luz e sombra criam uma cena que muda conforme o ângulo. Marcas de uso indicam que a peça foi manipulada depois de pronta, o que sugere que não ficou apenas parada como decoração.

A seguir listamos quatro detalhes da estatueta que ajudam a entender por que ela é tão incomum:

  • Composição: a mulher e o ganso formam uma única cena tridimensional.
  • Material: a argila parece ter sido obtida perto do próprio assentamento.
  • Aquecimento: a peça chegou a pelo menos 400 °C depois de secar.
  • Pigmento: resíduos vermelhos mostram que a superfície recebeu cor após o aquecimento.
O tamanho reduzido contrasta com a importância que a imagem pode ter para o estudo da arte pré-histórica – Imagem ilustrativa

Leia também: Pedra de 6 toneladas no centro de Stonehenge veio da Escócia e percorreu pelo menos 700 km há cerca de 5.000 anos

O que a peça revela sobre comunidades antes da agricultura?

Os natufianos já formavam comunidades mais sedentárias antes da agricultura plenamente desenvolvida. Nesse contexto, a estatueta mostra que experimentações simbólicas com argila, narrativa e imagem já existiam no fim do Epipaleolítico, antes de várias mudanças que se tornariam mais comuns no Neolítico.

A peça apareceu no preenchimento de uma estrutura semicircular com sepultamentos e depósitos interpretados como cerimoniais. Esse contexto reforça a possibilidade de um uso especial, mas não permite saber exatamente qual ritual, história ou crença estava ligada à mulher e ao ganso.

A seguir listamos três aspectos do contexto que ligam a pequena peça às mudanças culturais daquele período:

Logo EM Foco
DADOS EM FOCO
O contexto da estatueta
Relação entre a estatueta e o período natufiano
Aspecto O que foi encontrado O que sugere
Assentamento Aldeia natufiana tardia Vida mais sedentária
Estrutura Espaço semicircular com sepultamentos Contexto possivelmente cerimonial
Arte Modelagem, pigmento e perspectiva Expressão simbólica complexa

É correto chamar essa cena de uma das primeiras entre humanos e animais?

A formulação precisa exige um limite. A pesquisa fala da mais antiga estatueta conhecida com interação humano-animal, não da primeira imagem de qualquer tipo. Pinturas e gravuras paleolíticas com figuras humanas e animais já eram conhecidas em outros lugares, principalmente na Europa.

Mesmo com essa diferença, o objeto continua raro: reúne narrativa, modelagem e interação entre espécies em uma peça tridimensional de cerca de 12 mil anos. É essa combinação que faz a figura de argila ampliar o que se sabia sobre expressão simbólica pouco antes da expansão das sociedades neolíticas.

Sua história pode virar reportagem

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Tags: argilanarqueologiaartenatufianos

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