Sob o piso de Novae, na atual Bulgária, arqueólogos acharam uma “geladeira” romana posicionada sobre uma tubulação de água fria. O recipiente de telhas guardava um jarro de vinho, pequenas tigelas e ossos de animais, mostrando como o fluxo hídrico podia ajudar a resfriar alimentos há quase dois mil anos.
O que era a chamada geladeira romana de Novae?
A estrutura descoberta em Novae não tinha gelo, motor ou porta. Era um recipiente construído com tegulae, as grandes telhas romanas, abaixo do nível do piso. A equipe usa o nome “geladeira” para descrever essa solução de conservação ligada à água.
O exemplar mais recente chamou atenção pelo tamanho: era cerca de duas vezes maior que estruturas semelhantes encontradas em campanhas anteriores. Seu lado mais longo foi assentado diretamente sobre uma tubulação, aproveitando a passagem constante de água mais fria sob o piso.

Como a água ajudava a manter o interior mais frio?
A tubulação passava sob a estrutura e fazia a água fria circular junto ao recipiente. Esse contato podia retirar parte do calor do conteúdo, criando um espaço mais fresco que o ambiente ao redor, especialmente útil em dias quentes no assentamento romano.
Os pesquisadores não encontraram um termômetro antigo nem conseguem definir uma temperatura exata. O mecanismo é interpretado pela posição física do recipiente sobre o cano e pelo conjunto descoberto dentro dele, que inclui jarro de vinho, pequenas tigelas e fragmentos de ossos.
O que os arqueólogos encontraram dentro dessa estrutura?
Dentro apareceram fragmentos de pequenas tigelas, algumas feitas de vidro, além de um jarro usado para vinho. Os objetos mostram que o espaço não era apenas parte da hidráulica, mas tinha relação direta com recipientes de consumo e armazenamento.
Também foram encontrados fragmentos de ossos. Eles indicam presença de alimento de origem animal, embora a escavação não tenha recuperado um pedaço intacto de carne. Por isso, a ideia de manter carne fria vem do contexto dos restos alimentares, não de alimento preservado inteiro.
A seguir listamos quatro detalhes preservados que ajudam a reconhecer o achado e entender sua função:
- Jarro de vinho: um recipiente ligado ao consumo da bebida apareceu dentro da estrutura.
- Tigelas pequenas: fragmentos de recipientes, inclusive de vidro, estavam no mesmo espaço.
- Ossos de animais: restos alimentares indicam uso relacionado à comida, sem carne preservada inteira.
- Cano de água: a lateral do recipiente foi construída diretamente sobre a tubulação fria.
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Por que essa descoberta é importante para entender Novae?
Novae foi uma fortaleza legionária às margens do Danúbio e depois cresceu como assentamento urbano. A descoberta mostra que a infraestrutura de água podia servir a mais de uma função, combinando abastecimento, drenagem e soluções domésticas adaptadas à rotina local.
A Universidade de Varsóvia mantém a equipe de pesquisa arqueológica em Novae. O achado se encaixa em anos de escavações que vêm revelando tubulações, canais e edifícios ligados à vida militar e civil na fronteira romana.
A seguir listamos três dados centrais que resumem as características mais importantes documentadas para a peça:
| Elemento | Achado | Interpretação |
|---|---|---|
| Recipiente | Telhas abaixo do piso | Espaço de armazenamento |
| Tubulação | Água fria sob a lateral | Ajuda no resfriamento |
| Conteúdo | Vinho, tigelas e ossos | Uso ligado a alimentos |
O que a geladeira romana revela sobre a vida cotidiana?
A estrutura mostra uma tentativa prática de controlar a temperatura sem eletricidade, aproveitando um recurso já presente no edifício. O princípio era simples: colocar recipientes e alimentos em uma área onde a água fria ajudasse a reduzir o aquecimento ao redor.
Esse pequeno detalhe muda a imagem de uma fortaleza feita apenas de muralhas e soldados. Em Novae, encanamentos, louças, vinho e restos de alimento também contam a história de pessoas que precisavam armazenar, servir e conservar comida no cotidiano há quase dois mil anos.
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