BH vive 'clima de Copa do Mundo' na torcida pelas estatuetas do Oscar
A expectativa em torno da participação brasileira no Oscar transforma a noite em um grande evento coletivo na cidade e com direito a muita torcida
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Neste domingo (15/3), Belo Horizonte trocou as camisas da Seleção Brasileira pelas telas de cinema. Em bares, praças e salas de exibição, a capital mineira vive "clima de Copa do Mundo" para acompanhar a cerimônia do Oscar, com torcedores, ou melhor, cinéfilos, reunidos para vibrar pelas cinco indicações brasileiras na premiação deste ano.
A principal esperança vem de "O agente secreto", dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura. O longa disputa quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção de Elenco e Melhor Ator. Direção de Elenco já saiu para "Uma batalha após a outra". A quinta indicação brasileira está nas mãos do diretor de fotografia Adolpho Veloso, indicado por seu trabalho em "Sonhos de trem" na categoria Melhor Fotografia.
Samba, cinema e torcida no Viaduto Santa Tereza
No Viaduto Santa Tereza, no Bairro Floresta, Região Centro-Sul, o coletivo cultural Samba do Arco preparou uma edição especial dedicada ao cinema nacional. A programação começou às 17h com roda de samba e segue com a transmissão ao vivo do Oscar em telão montado sob o viaduto.
Gratuito e aberto ao público, o encontro reúne música, cultura e torcida. Segundo os organizadores, a proposta é celebrar o destaque do Brasil na premiação e valorizar o cinema nacional como ferramenta de memória, denúncia social e preservação cultural.
Entre sambas e debates improvisados sobre as chances brasileiras, o público acompanha cada anúncio da premiação como se fosse disputa de pênaltis.
Entre os espectadores está Lucas, que torce por qualquer vitória brasileira na noite. "Minha expectativa é que o cinema brasileiro 'represente' de alguma forma com uma vitória, ou que o filme ou que o Wagner Moura ganhe. Gostei muito de 'Pecadores' e gostaria que esse filme levasse ao menos duas ou três das várias indicações que ele teve".
Ele garante que o espetáculo vale a pena, independentemente do resultado. "Se o Brasil não ganhar nada vou ficar chateado, mas gosto muito do Oscar, então vou aproveitar a apresentação e o espetáculo".
Sessão especial e quiz no Cine Belas Artes
Outro ponto de encontro de fãs de cinema é o UNA Cine Belas Artes, que organizou transmissão gratuita da cerimônia com DJ, comentaristas convidados e o quiz "Seu palpite vale ouro", que premia quem acertar os vencedores com um ano de ingressos grátis.
Foi ali que a reação da plateia deixou evidente o clima de torcida: quando Wagner Moura apareceu nas telonas, o público levantou e ovacionou o ator, tratado como representante nacional na disputa.
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Os estudantes de cinema Millie e Benjamin, que acompanham a cerimônia com colegas da UFMG, aguardavam o resultado com muito entusiasmo: "Estamos muito ansiosos para o Oscar deste ano e com a indicação de 'O agente secreto'. O nosso palpite é que o Brasil até ganhe na categoria de Melhor Filme Internacional".
"Aqui (Cine Belas Artes) é um lugar muito bom para poder assistir a esse momento, com todo mundo reunido e vivenciando a cultura", comentam os estudantes.
Bares também entram na festa
A transmissão da cerimônia também mobilizou bares e espaços culturais da cidade. As duas unidades do Mi Corazón abriram as portas a partir das 16h para receber o público. No Cannibals e no Tizé, cinéfilos se reúnem entre drinques e bolões de apostas, na última casa, quem acertar as quatro principais categorias leva R$ 200 em consumação.
Primeira derrota e reação do público
A tensão da torcida mineira ficou evidente quando veio o primeiro resultado envolvendo o Brasil. Com a derrota de 'O agente secreto' na categoria Melhor Direção de Elenco, a plateia reagiu com decepção.
"Não éramos favoritos nessa categoria mesmo, mas a apresentadora poderia ao menos dar um pouco mais de suspense para anunciar", comentou um espectador.
Expectativas e rivalidades
Entre apostas e preferências, a disputa por Melhor Ator movimenta o público, com torcida para Wagner Moura. A estudante Ana Luísa acredita que a estatueta mais provável para o país seja na categoria de Filme Internacional.
"Não sei se ele vai levar, acredito que o Brasil conquiste apenas o prêmio de Melhor Filme Internacional, mas não quero que o Timothée Chalamet ganhe, depois das últimas polêmicas e falas dele".
Uma noite histórica para o cinema brasileiro
Independentemente do resultado final, a participação brasileira já é considerada histórica. Com cinco indicações, o paulista Adolpho Veloso (com família mineira) concorre a Melhor Fotografia, o país entra na cerimônia com uma das maiores presenças de sua história recente no Oscar.
Em Belo Horizonte, cada envelope aberto é acompanhado como se fosse um lance decisivo.
Entre sambas, telões e salas lotadas, a capital mineira prova que, quando o assunto é cinema brasileiro, também sabe torcer como em final de campeonato.
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* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria