Kleber Mendonça Filho diz que campanha do Oscar 'nunca pareceu eleição'
Em Los Angeles, às vésperas da premiação, o diretor de "O agente secreto" afirmou que o processo de divulgação do filme foi natural e bonito
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O diretor Kleber Mendonça Filho passou os últimos dez meses falando sobre o mesmo assunto: o filme "O agente secreto". E se alguém achar isso chato, é porque ainda não entendeu como funcionam as campanhas do Oscar, prêmio que o filme estrelado por Wagner Moura disputa em quatro categorias, neste domingo (15/3), a partir das 20h (Brasil).
"Muita gente acha que é como um político querendo ganhar uma eleição, e não é. Nunca pareceu nada disso para mim", disse Kleber Mendonça Filho à Folha de S. Paulo, na noite de quinta-feira em Los Angeles.
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"[A campanha] é uma série de conversas naturais com gente que tem interesse e amor pelo 'Agente secreto'", continuou. "Jantar com o pessoal da Pixar, jantar com a [atriz] Lupita Nyong'o, esses encontros foram grandes momentos de quem ama cinema e ama trocar ideias com pessoas que eu admiro. Muita gente acha que é chato, mas não é chato."
"É como se o filme estivesse me apresentando essas pessoas. Acho que essa é a parte mais bonita do processo de viagem com o filme."
À imprensa local, o diretor disse que estava preparando um discurso no caso de ganhar uma estatueta no domingo. "O agente secreto" disputa Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Direção de Elenco.
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"Se eu não usar o discurso, acho absolutamente normal. É um ano muito forte", disse o diretor. "É claro que eu não iria para a cerimônia sem o discurso pronto."
Mendonça Filho estava no Museu da Academia para prestigiar a produtora de "O agente secreto", Emilie Lesclaux, que falou num painel com os produtores de todos os dez filmes indicados ao principal prêmio da noite.
Lesclaux disse que começou a trabalhar com produção de cinema com Mendonça Filho, a partir dos curtas "Vinil verde" (2004) e "Recife frio" (2009). O maior desafio que ela enfrentou ao produzir "O agente secreto" foi recriar o centro de Recife nos anos 1970.
Casada com o diretor, ela viu o projeto crescer e virar roteiro. Ao cinema lotado do museu, ela contou que 1977 é o primeiro ano do qual o diretor se lembra quando criança, com memórias pessoais cheias de detalhes que acabaram entrando no roteiro.
"Ele foi muito específico no que queria. Os carros que ele lembrava, as cores, o jeito como as pessoas falavam, se vestiam", disse Lesclaux. "Trabalhamos com colaboradores maravilhosos na produção de arte e figurino. Eles eram de Recife e tinham uma relação muito pessoal com a cidade. E mergulharam em álbuns de família pessoais para trazer toda essa autenticidade."
A cena mais difícil foi quando o centro da cidade aparece visto do alto da cabine de projeção de um cinema. "Estava animada, mas também morrendo de medo, porque o centro é muito diferente do que foi 50 anos atrás. Ao mesmo tempo, o centro é também meio preservado pela negligência."
Para filmar a passagem, as ruas foram fechadas, dezenas de carros antigos foram levados, assim como muitos extras. "Foi uma coreografia colocar tudo junto", lembrou Lesclaux. "Mas foi como viajar numa máquina do tempo."
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O Museu da Academia participa das festividades do Oscar e realizou debates com os indicados durante a semana toda. No restaurante local, uma lista de drinks foi preparada para homenagear os dez filmes que concorrem ao prêmio principal. No coquetel não alcoólico de "O agente secreto", os ingredientes eram mango, creme de coco, e limão - basicamente uma sobremesa de US$ 12 (R$ 63).