Desculpem o trocadilho, mas ‘Cão’ é bom pra cachorro!
Espetáculo em cartaz no CCBB-BH reúne os grupos Clowns de Shakespeare (RN) e Magiluth (PE) em trama sobre profissionais de eventos em apuros por festa política
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Com exceção de produções locais que, volta e meia, estão em cena, o humor no teatro está cada vez mais raro. Por isso, “Cão”, em cartaz no CCBB-BH, é uma programação obrigatória. E melhor: o humor não é a única qualidade da montagem.
Em cena, atores dos grupos Clowns de Shakespeare (RN) e Magiluth (PE) formam um elenco coeso para dar vida a um grupo de trabalhadores de eventos às voltas com jornadas exaustivas e os percalços – incluindo os delírios do produtor da festa – para a posse do recém-eleito líder da jovem república do Lácio.
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O maior barato é a disposição cênica, já que grande parte da ação da peça se passa nos bastidores do teatro. A peça fica em cartaz até 4 de maio, quando completa um mês na cidade.
• GIRAMUNDO E MARIA CUTIA
Os atores de “Cão” têm aproveitado como podem para conhecer a capital mineira. “Estamos muito perto do Mercado Central e do Mercado Novo, e estamos o tempo todo passando por lá, para conhecer a gastronomia, fazer compras.
Visitamos alguns museus, como o Museu da Moda, o Palácio das Artes, para ver a exposição do Giramundo, que para a gente do teatro é muito maravilhoso, uma experiência e possibilidade de ver os bonecos de perto. Visitamos a exposição “Meme”, no CCBB.
Fomos ao Parque Municipal, Feira Hippie e demos uma passeada pela Pampulha. Está nos planos ir ao Inhotim, mas ainda não temos data", enumera o ator Diogo Spinelli. “Vamos também conseguir acompanhar algumas apresentações do Maria Cutia, que são nossos amigos, nossos parceiros de longa data. Está sendo muito bom estar em BH, como sempre é, visitar essa cidade tão hospitaleira.”
• CLOWNS DE SHAKESPEARE
Diogo, Paula Queiroz e Fernando Yamamoto vão ministrar no Galpão Cine Horto uma oficina do Clowns de Shakespeare, nos próximos dias 28 a 30, das 14h às 18h.
“O fato de estar no Galpão, como essa grande referência que é para qualquer grupo de teatro brasileiro, é muito bom”, diz.
Segundo ele, “a oficina pretende apresentar de forma prática princípios que estiveram presentes nos processos de criação mais recentes do grupo Clowns de Shakespeare, bem como aqueles que têm norteado a práxis do coletivo em suas mais de três décadas de trajetória, abordando a perspectiva do grupo acerca do teatro popular, do jogo e da musicalidade em cena como disparadores para a criação”.
As inscrições para a oficina seguem até o dia 24/4, via link no Instagram (@teatroclowns).
• MALETTA EM CENA
A estreia em Belo Horizonte também trouxe uma surpresa. Na véspera, a atriz Olivia León, que estava se tratando de fortes dores na coluna, precisou ser substituída. Quem entrou em cena – e fez bonito – foi Ernani Maletta, que assina a direção musical.
“Inicialmente, decidimos que ela seria substituída pelo ator José Medeiros, que já integra a equipe como stand-in. Porém, como Olivia faz dois personagem no espetáculo – uma técnica de som e uma maestra –, e estávamos a menos de 24 horas da estreia, seria uma tarefa complexa para José preparar os dois personagens em tão pouco tempo.
Apesar disso, certamente ele se disporia a fazê-lo, mas como os Clowns já conheciam também minhas experiências como ator – o que curiosamente não é tão divulgado em Belo Horizonte –, perguntaram-me se eu toparia assumir a personagem da maestra.”
• DEPOIS DA APOSENTADORIA
“Como acompanhei intensamente todo o processo de criação do espetáculo, eu sabia muito bem como se dava a participação da talvez argentina maestra Dolores, neste momento transformada no talvez italiano maestro Dolori”, relembra o ator, professor e diretor, que passou parte da madrugada e do dia da estreia memorizando o texto e se adaptando à cena com o apoio e o auxílio dos diretores e de todos do elenco.
“Dessa forma, entrei em cena no primeiro dia com a melhor cara boa que podia inventar, o olho brilhando e o coração aos pulos. E com a torcida unânime de todos em cena, que me abraçaram com todo o amor que há nesta vida”, afirma.
“Digo com toda a sinceridade que vivi um final de semana de plena alegria. Para mim, estar em cena como ator é um prazer indescritível e fazer isso cada vez mais foi o primeiro projeto ao qual me propus assim que me aposentei da UFMG."
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"Em especial, estar em cena neste espetáculo, fruto da belíssima parceria dos Clowns com o Magiluth, depois do meu envolvimento na sua dramaturgia musical, foi um presente delicioso. Sinto-me honrado e vivendo o privilégio de colher tantos frutos bacanas, do tanto que plantei em mais de 40 anos de carreira.”
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
