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Documentário revê o sucesso meteórico e o fim dramático dos Raimundos

‘Andar na pedra’, de Daniel Ferro, disponível no Globoplay, entrevista membros da formação original (Rodolfo, Digão e Fred) sobre a história da banda

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A série documental “Andar na pedra - A história dos Raimundos” (Globoplay) anda causando burburinho nas redes sociais, em blogs e canais do YouTube.

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Na opinião do diretor Daniel Ferro, essa reverberação se deve às muitas camadas da produção, que procura ir além da biografia de uma banda de rock que teve sucesso meteórico e cuja formação original acabou de forma traumática.


“Sempre acreditei muito na história dos Raimundos, sempre entendi que tinha ali um lado humano muito interessante. A partir do momento em que comecei a captar os depoimentos, vi o potencial”, afirma Ferro. “Lógico que a gente é surpreendido. Por conta dessas outras camadas, o documentário fura bolhas, a cada semana fura uma, então, não deixa de ser uma surpresa agradável que ele siga repercutindo tanto."

Dividida em cinco episódios, a série documental abre a câmera para os integrantes da formação original, o vocalista Rodolfo, o guitarrista Digão e o baterista Fred, e traz áudios de uma entrevista que Ferro fez em 2022 com o baixista Canisso, que morreu em 2023.

Os depoimentos revelam a euforia com a chegada do sucesso, o cansaço resultante de uma intensa agenda de shows e as mágoas guardadas a partir do momento em que a banda se desfez, quando Rodolfo se tornou evangélico e anunciou, repentinamente, sua saída.


Além dos integrantes, diversos outros personagens, entre familiares, amigos, integrantes da equipe e jornalistas, dão depoimentos, apresentando suas visões sobre o que aconteceu. O diretor considera que se trata de uma história que toca em cada pessoa de uma maneira diferente.

"Num primeiro momento, você vai assistir por causa da banda, mas aí vêm as outras questões, falando sobre paternidade, masculinidade, arrependimentos. Isso reverbera em perfis diferentes", diz.

Conversão

Ele destaca que a conversão de Rodolfo é um ponto sensível da série. “A pessoa não precisa escolher um ofício ou um modo de vida e seguir até o final; ela pode mudar”, pontua.

Ferro acredita que a maneira como conduziu as entrevistas e encadeou depoimentos e imagens de arquivo contribuiu para que “Andar na pedra” saia do lugar comum das biografias de rock.

“Começamos falando da infância deles, daquelas crianças que crescem no ambiente dos anos 1980. São quatro amigos que se juntam por um sonho e esse sonho começa a ruir. Todo mundo começa a se enxergar um pouco nisso. São nuances humanas e psicológicas que estão ali, que têm a ver com as decisões que aquelas pessoas tomam”, afirma.

Em sua opinião, a série é um quebra-cabeças que o espectador começa a montar no primeiro episódio e que só fecha no quinto.

“Aquela formação dos Raimundos já era fadada a terminar, porque o perfil do Rodolfo era o de alguém em transição. Mostramos isso ao longo da série. É natural crescer, evoluir e mudar de opinião”, diz. Ele destaca que não se trata de um documentário expositivo; não há nele elementos ou argumentos para tentar convencer ninguém de nada, conforme diz.

“A vida é feita de erros e acertos. Todos os integrantes dos Raimundos erraram em algum momento, mas não há julgamento”, pontua.

“Acareação”

Os depoimentos das pessoas que orbitaram a banda serviram para aprofundar a história, segundo Ferro. Ele diz que esses olhares de fora possibilitaram uma “acareação dos fatos” com os integrantes.

“Sempre que um deles citava alguém, essa pessoa entrava numa lista de pré-selecionados. Cheguei a uma lista de 70 nomes, personagens-satélites dos quais entrevistei uns 50. Eu sabia que existiam coisas não ditas nessa história, então precisava investigar, precisava de outras opiniões e de outras abordagens”, comenta.


Após colher novas informações, o diretor marcava outras rodadas de conversas com os integrantes da banda.

“Numa primeira conversa, cada um deles ia só até uma certa profundidade, por uma questão de autopreservação. Com os depoimentos que fui colhendo, eu marcava um segundo encontro, voltava com uma réplica para que me devolvessem uma tréplica. Eram conversas olho no olho, quase uma sessão de terapia, por isso essa coisa densa, um processo pesado até para mim”, observa.

Mudança de rumos

Daniel Ferro conta que a morte de Canisso representou um impacto grande para a produção de “Andar na pedra”, que teve início em 2021. Ele já vinha fazendo entrevistas e pesquisando, ainda sem ir a campo para as filmagens, que começaram em 2024, e chegou a pensar em engavetar o projeto.

“Quando conversei com Adriana Toscano, viúva do Canisso, entendi que deveria continuar com o documentário, até por uma questão de preservar o legado dele”, diz. “Andar na pedra” seguiu adiante, mas com outro direcionamento.

“A série conta como a relação daqueles quatro foi complicada do início ao fim. O Canisso virou o capítulo final dessa história, acabou sendo uma maneira não planejada de arrematar”, afirma.

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“ANDAR NA PEDRA - A HISTÓRIA DOS RAIMUNDOS”
• Série documental dirigida por Daniel Ferro, em cinco episódios, disponível na Globoplay.

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