O erro comum no inverno que deixa seu corpo sem defesa
Especialista alerta que o ar frio destrói sua primeira barreira contra vírus, mas a solução para blindar o organismo pode estar no seu prato
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A chegada do inverno favorece a incidência de doenças respiratórias virais devido à permanência das pessoas, por mais tempo, em ambientes fechados, com pouca ventilação e, frequentemente, com ar mais seco. Essas condições facilitam a circulação de vírus e podem comprometer os mecanismos naturais de defesa das vias respiratórias.
“Estudos demonstram que vírus como influenza e rinovírus permanecem viáveis por mais tempo em ambientes frios e com baixa umidade, o que aumenta o potencial de transmissão. O ar frio e seco pode comprometer a primeira linha de defesa do sistema respiratório contra vírus e outros microrganismos”, afirma Isis Tande da Silva, professora do curso de Nutrição da Estácio BH e doutora em Nutrição em Saúde Pública.
Segundo a professora, a manutenção do sistema imunológico depende da combinação de hábitos saudáveis. “São fatores de proteção dormir bem, praticar atividade física regularmente, manter a vacinação em dia, controlar o estresse, beber água em quantidade adequada, ter exposição solar segura, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool e de ultraprocessados e adotar uma alimentação equilibrada”, descreve.
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A alimentação, em especial, exerce papel relevante nesse processo ao fornecer energia, proteínas e garantir o aporte de vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos para o funcionamento do sistema imunológico. “Dentre os micronutrientes, destacam-se vitaminas A, C, D, E, B6, B12, folato e minerais como zinco, ferro, cobre e selênio, que participam de diferentes etapas da imunidade inata e adaptativa. Eles permitem que o organismo responda de forma eficiente a vírus, bactérias e outros agentes infecciosos”, explica Isis Tande.
Isis acrescenta que os micronutrientes não aumentam a imunidade de forma isolada, mas garantem o adequado funcionamento do sistema imunológico. A nutricionista enfatiza ainda que a ingestão adequada de calorias e proteínas é indispensável para a resposta imune.
“A energia proveniente da alimentação sustenta a proliferação e a atividade das células de defesa, enquanto a restrição calórica pode comprometer a função dos linfócitos, a resposta fagocitária e o equilíbrio da resposta inflamatória. Por outro lado, a deficiência de proteínas reduz a produção de anticorpos e prejudica a imunidade celular”, ilustra.
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Outro aspecto importante é a relação entre a alimentação e a microbiota intestinal. “A microbiota ajuda a maturar e regular o sistema imune e a alimentação é um dos seus principais agentes moduladores. Padrões alimentares equilibrados, ricos em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, carnes magras, peixes, ovos, leite e derivados, feijões e outras leguminosas, oleaginosas, sementes, prebióticos e probióticos fortalecem a barreira intestinal, a interação entre nutrição, microbiota e sistema imunológico. Em contrapartida, dietas com baixo consumo de alimentos in natura e excesso de gorduras, açúcares e ultraprocessados promovem o desequilíbrio da microbiota, conhecido como disbiose.”
Saiba mais sobre os nutrientes que fortalecem a imunidade
- Vitaminas C e E: atuam como antioxidantes, protegendo as células contra os danos causados pelos radicais livres e contribuindo para a ativação e o funcionamento das células de defesa.
- Vitamina A: favorece os mecanismos de reconhecimento e eliminação de vírus, enquanto a vitamina D estimula a produção de peptídeos antimicrobianos e ajuda a regular a resposta inflamatória.
- Vitaminas do complexo B (B6, B12 e folato): são importantes para a formação e o funcionamento das células de defesa, contribuem para a produção de anticorpos.
- Zinco: fortalece o sistema imunológico e ajuda o organismo a responder melhor às infecções. A falta desse mineral aumenta a suscetibilidade a infecções.
- Selênio: tem ação antioxidante, protege as células de defesa e contribui para o bom funcionamento do sistema imunológico.
- Ferro: auxilia na atuação das células de defesa contra microrganismos. A suplementação deve ser feita apenas com orientação profissional, pois o excesso pode ser prejudicial.
- Magnésio: participa da produção de energia e do funcionamento adequado das células do sistema imunológico.
- Ômega-3 (EPA e DHA): ajuda a regular a resposta imunológica e a controlar os processos inflamatórios do organismo.