SRAG

Chegada do outono e aumento de doenças respiratórias: como se proteger?

Nova estação cria cenário ideal para infecções e alergias; isoladamente, porém, o frio não causa doenças; otorrinolaringologista explica o mito da "friagem"

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Com a queda nos termômetros, aumentam os espirros, a tosse e o nariz entupido. Com o início do outono nesta sexta-feira (20/3), o alerta à saúde respiratória já está aceso. Dados do Informe de Vigilância das Síndromes Gripais, do Ministério da Saúde, revelam um cenário preocupante — em 2025, o Brasil registrou mais de 120 mil casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG).

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O dado que mais chama a atenção, no entanto, é que o grande pico das doenças ocorreu entre o início de abril e o fim de maio, no auge do outono. Nessa curta janela, de pouco mais de um mês, o país registrou cerca de 58 mil casos, o que representa quase metade (48%) de todas as ocorrências do ano.

Efeitos na imunidade

Durante o outono, a queda brusca da temperatura e a redução da umidade do ar deixam o clima mais frio e seco. O nariz funciona como um filtro responsável por aquecer e umidificar o ar antes que ele chegue aos pulmões e, ao respirar esse ar gelado da estação, todo o mecanismo de defesa sofre um estresse intenso.

"A mucosa nasal tende a ficar ressecada, o muco se torna espesso e o transporte mucociliar, que é o sistema natural de limpeza dos seios da face, passa a operar de forma mais lenta. Essa soma de fatores cria um ambiente propício ao surgimento de crises alérgicas e abre as portas para a entrada de vírus respiratórios", explica Pauline Michelin, otorrinolaringologista do Hospital São Marcelino Champagnat.

Além disso, com o nariz trancado, as pessoas passam a respirar pela boca, o que pode ressecar a mucosa da garganta, aumentando o risco de inflamações e infecções.

Como diferenciar alergias e infecções?

Com o aumento da circulação viral, doenças como rinite, sinusite, faringite, resfriados, gripes, crises de asma e otite disparam. Para diferenciar os quadros com tantos sintomas semelhantes, o paciente deve observar a evolução do desconforto.

  • A rinite alérgica não tem duração específica e causa espirros, coceira e coriza clara, sem febre nem mal-estar
  • Já o resfriado comum dura de cinco a dez dias, trazendo os mesmos incômodos nasais, mas acompanhados de dor de garganta e mal-estar leve, com melhora progressiva na primeira semana
  • O quadro gripal, por sua vez, tem início abrupto e sintomas intensos que duram pelo menos sete dias, incluindo febre, dor no corpo, dor de cabeça forte e tosse
  • A sinusite, que pode ser causada por vírus ou bactérias, costuma provocar nariz entupido, secreção mais grossa e esverdeada, sensação de pressão no rosto e diminuição do olfato

"Se os sintomas de sinusite persistirem por mais de dez dias sem melhora, ou houver piora, especialmente acompanhada de febre alta e pus, isso sugere evolução para um quadro bacteriano, podendo haver indicação do uso de antibióticos", aponta a especialista, ressaltando que, quando os sintomas extrapolam o nariz e afetam o corpo todo, provavelmente o quadro é de infecção viral ou bacteriana associada.

O mito da "friagem"

Muita gente acredita que tomar vento ou pisar descalço no chão gelado é o suficiente para ficar doente nas estações mais frias. A otorrinolaringologista esclarece que o frio, isoladamente, não causa nenhuma infecção, pois a contração de uma gripe ou resfriado só ocorre quando o corpo entra em contato direto com um vírus.

"Quando o clima está mais frio, a tendência é passar mais tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação e mais próximos de outras pessoas, o que favorece a proliferação de microrganismos", revela.

O que pode acontecer ao pisar no chão gelado ou ligar o ar-condicionado é o desencadeamento da rinite vasomotora, que se trata de uma hiperreatividade em que o nariz identifica o estímulo da mudança de temperatura como algo ruim e dispara uma crise, com espirros e nariz trancado, frequentemente confundida com um resfriado, mas sem causa alérgica ou infecciosa.

Grupos de risco

Como a via aérea é a mesma, há uma relação direta entre o nariz, que é a porta de entrada do ar, e as doenças pulmonares. Por isso, alguns grupos acabam sendo mais vulneráveis a essas complicações. Pacientes asmáticos, idosos com a imunidade reduzida e crianças que frequentam creches e escolas, devido ao contato direto com os colegas, lideram a lista de risco.

"Pessoas com inflamações nasais de base, como rinite alérgica e rinossinusite crônica, ou com alterações anatômicas, como o desvio de septo, também sofrem mais impactos. Qualquer fator que prejudique o bom funcionamento do nariz acaba deixando o indivíduo mais suscetível às doenças dessa época do ano", alerta a médica.

Tratamentos e prevenções

Para proteger o organismo das SRAGs, algumas medidas simples devem ser adotadas diariamente. Beber bastante água é fundamental para hidratar o corpo e as vias respiratórias, ajudando a tornar a secreção mais fluida e fácil de ser eliminada.

A lavagem nasal com soro fisiológico também é essencial na prevenção e no tratamento de crises, pois remove alérgenos, poluentes e o excesso de muco de forma mecânica.

"No entanto, mesmo com esses cuidados diários, a vacinação contra a gripe continua sendo primordial para evitar as doenças respiratórias. Não é necessário esperar o frio chegar para se vacinar", recomenda a especialista.

Em casa ou no trabalho, é importante manter os ambientes ventilados, mesmo nos dias frios, e higienizar os filtros do ar-condicionado, se ele for usado no modo aquecedor. "O uso de umidificadores de ar exige cautela e não deve ultrapassar mais de duas horas seguidas de funcionamento. Caso contrário, a umidade excessiva do cômodo pode favorecer a multiplicação de fungos e ácaros", pontua Pauline.

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A especialista reforça a importância de visitar o consultório médico para o tratamento das doenças respiratórias, a fim de evitar que se torne algo mais grave.

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