FEVEREIRO ROXO

Alzheimer, lúpus, fibromialgia: diagnóstico precoce e prevenção são aliados

Especialistas explicam sinais de alerta, avanços terapêuticos e a importância do acompanhamento especializado na qualidade de vida dos pacientes

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Três condições de saúde – Alzheimer, lúpus eritematoso sistêmico e fibromialgia - concentram parte significativa da atenção da medicina contemporânea. Embora distintas em causas e manifestações, elas compartilham um ponto central: o diagnóstico precoce como fator determinante para preservar autonomia, funcionalidade e qualidade de vida.

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Neste Fevereiro Roxo, mês dedicado à conscientização sobre doenças crônicas, especialistas esclarecem os principais sinais de alerta, avanços no tratamento e medidas de prevenção.

Alzheimer

De acordo com o coordenador do Serviço de Neurologia da Rede Mater Dei, Henrique Freitas, a manifestação mais comum começa com alterações na memória recente, mas é preciso diferenciar esquecimentos habituais de sinais preocupantes.

“Esquecer faz parte da vida. O que chama atenção é quando a falha de memória vem acompanhada de prejuízo funcional. Não é apenas esquecer um compromisso, mas deixar de conseguir realizar tarefas do dia a dia, como administrar pagamentos, fazer compras ou resolver situações simples”, explica.

O especialista destaca que já existem métodos capazes de identificar alterações cerebrais associadas à doença até uma década antes do surgimento dos sintomas clínicos. Nos últimos anos, avanços importantes também ocorreram no tratamento. “Além do controle dos sintomas cognitivos e comportamentais, tivemos o desenvolvimento de terapias anti-amilóide, que atuam na eliminação do peptídeo beta-amilóide, proteína envolvida no processo da doença”, afirma.

Em relação à prevenção, o neurologista é enfático: hábitos de vida saudáveis têm papel fundamental. Atividade física regular, controle da pressão arterial, glicemia e colesterol, alimentação equilibrada, estímulo cognitivo e cuidados com audição e visão são fatores protetores relevantes. “Corpo saudável e mente saudável”, resume.

Lúpus

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune crônica que pode afetar múltiplos órgãos, como pele, articulações, rins, pulmões e cérebro. Segundo a coordenadora do Serviço de Reumatologia da Rede Mater Dei, Cláudia Neiva, trata-se de uma condição de origem multifatorial.

“O lúpus é uma doença crônica e autoimune, sem causa única definida, influenciada por fatores genéticos, hormonais e ambientais. Ele provoca alterações no sistema imunológico, com produção de autoanticorpos que levam à inflamação de diferentes órgãos”, explica.

A doença acomete principalmente mulheres entre 15 e 45 anos. Entre os sinais iniciais estão lesões cutâneas em áreas expostas ao sol, dor e inchaço nas articulações, anemia, febre persistente e, em casos mais graves, inflamação renal. A rapidez no diagnóstico é determinante para o prognóstico. “A inflamação precisa ser identificada e tratada precocemente para evitar disfunções permanentes, como insuficiência renal”, alerta a especialista.

O tratamento é individualizado e pode incluir anti-inflamatórios, corticoides, hidroxicloroquina e imunossupressores sintéticos ou biológicos. Com acompanhamento adequado e adesão terapêutica, o paciente pode manter uma rotina ativa e boa qualidade de vida.

Fibromialgia: reconhecimento legal e abordagem multidisciplinar

A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica caracterizada por dor difusa, fadiga, alterações do sono e impacto emocional. A partir de janeiro de 2026, passou a vigorar no Brasil a Lei nº 15.176/2025, que reconhece a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência, ampliando o acesso a direitos e políticas de inclusão.

De acordo com Cláudia, o diagnóstico é clínico, já que não há exame laboratorial específico para confirmação. “A fibromialgia provoca dores crônicas associadas a distúrbios do sono, fadiga e sintomas de ansiedade e depressão. O tratamento envolve controle medicamentoso da dor, acompanhamento multidisciplinar e atividade física regular”, destaca.

O ortopedista e especialista em medicina da dor da Rede Mater Dei, Ângelo Ribeiro Vaz, esclarece que a condição não decorre necessariamente de inflamações ou de lesões estruturais nas áreas de dor, como ocorre na artrose ou dores ciáticas associadas a hérnias de disco, por exemplo.

“O mecanismo predominante envolve uma disfunção no processamento da dor pelo sistema nervoso central. O cérebro passa a interpretar estímulos fisiológicos como dolorosos, fenômeno denominado sensibilização central”, explica.

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Apesar do receio de muitos pacientes, o exercício físico é uma das principais ferramentas terapêuticas. “A atividade deve ser regular, progressiva e adaptada à tolerância individual. Caminhada, hidroginástica, natação e bicicleta ergométrica costumam ser bem toleradas e ajudam a reduzir a dor, melhorar o sono e aumentar a disposição”, orienta.

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