Ex-deputado federal Marcus Pestana venceu resistência do Cidadania para disputar o governo (foto: JUAREZ RODRIGUES/EM/D.A.PRESS)
Após incertezas e resistência de parte de aliados, o ex-deputado federal Marcus Pestana (PSDB) e o senador Carlos Viana (PL) foram confirmados por seus partidos na disputa pelo governo mineiro. A ratificação das candidaturas veio na semana passada, às portas do fechamento da janela para convenções partidárias, cujo prazo terminou na última sexta-feira. Agora, Pestana e Viana se preparam para pôr as campanhas na rua e tentar furar a polarização entre o governador Romeu Zema (Novo) e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD), que ocupam as primeiras posições nas pesquisas na corrida ao Palácio Tiradentes.
As articulações em torno das duas candidaturas expuseram rachaduras nos grupos políticos que abrigam Pestana e Viana. O tucano não conseguiu vencer a resistência nem do Cidadania, partido federado ao PSDB, mas desejoso de compor formalmente a coligação de Zema. A federação, no entanto, obriga legendas unidas a agir como se fossem uma agremiação única. Minoritário na federação com os tucanos, restou ao Cidadania entregar o tempo de rádio e televisão a Pestana e endossar informalmente a campanha do governador à reeleição.
Por ora, além de herdar o tempo de TV do Cidadania, o PSDB firmou aliança com o PDT. A fim de garantir espaço para o presidenciável Ciro Gomes, os trabalhistas indicaram Bruno Miranda, vereador de Belo Horizonte, como o candidato da coligação ao Senado. O prazo para o registro das chapas junto à Justiça Eleitoral vence no próximo dia 15; por isso, os tucanos de Minas ainda tentam angariar mais apoios.
O primeiro suplente de Miranda, porém, já está definido: será Henrique Braga (PSDB), pastor e parlamentar na capital mineira. A ideia é utilizá-lo como via para alcançar o voto do eleitorado evangélico
Embora ainda patine nas pesquisas e tenha aparecido com 0,9% no último levantamento do Instituto F5 Atualiza Dados, divulgado pelo Estado de Minas no fim de julho, Pestana, ainda sem um vice definido, recorre a uma metáfora do futebol para assegurar a competitividade de sua candidatura.
"O jogo não começou. Como dizia o Didi, nosso grande craque da Seleção Brasileira de 1958, jogo é jogo e treino é treino. A sociedade não está antenada à eleição, mas preocupada com fome, desemprego, miséria e tudo que atormenta a vida do brasileiro”, disse, há dois dias, quando teve o nome aprovado pela Executiva do PSDB.
Viana, por sua vez, anunciou acordo com União Brasil, dono da maior fatia do tempo na propaganda eleitoral gratuita. Os planos, porém, não saíram do papel, e a aliança foi desfeita. O Republicanos, aliado fiel a Bolsonaro no Congresso Nacional, também caminhará formalmente com o senador e terá a missão de indicar o vice.
Em busca de erguer sua estrutura eleitoral, o congressista liberal, segundo apurou a reportagem, tem contactado pessoas para tocar a campanha e delinear o plano de governo.
'Palanque firme'
“Queremos um palanque firme para o presidente Bolsonaro em Minas Gerais. Um palanque que não seja duvidoso. A partir de agora, levaremos a todos os cantos de Minas o que o governo fez pelo estado — e não foi pouco”, explicou Viana, após a reunião em Brasília (DF) que sacramentou sua candidatura.
Na mais recente sondagem F5/EM, Viana apareceu com 1,8% das intenções de voto. Para Domilson Coelho, diretor-executivo do instituto e pós-graduado em Ciência Política, o ingresso do senador na lista de postulantes oficiais deve alterar o traçado da corrida eleitoral em Minas e diminuir as chances de Zema vencer já no primeiro turno.
“O eleitor de Zema se mistura ao eleitor de Carlos Viana. Ambos são de uma mesma tendência, à direita. Um ou outro eleitor de Alexandre Kalil pode acompanhar Viana para o governo, mas a tendência de o governador desidratar e, consequentemente, haver uma evolução de Viana, é um cenário esperado”.
Viana (foto) se prepara para disputar o governo mineiro com o apoio de Bolsonaro (foto: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A PRESS)
"Quando entrar o rádio e a televisão, nós vamos ver que essa polarização é fugaz, muito tênue, e que existem quatro candidaturas bastante competitivas", garantiu o tucano.
O liberal, por sua vez, atribui a polarização local ao protagonismo de Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito presidencial: "Isso acaba se refletindo nos estados". [
No PSDB, a ordem é superar os atritos com o Cidadania e fortalecer a aliança com o PDT. O imbróglio na coalizão tucana começou após Zema convidar o jornalista Eduardo Costa, filiado ao Cidadania, para ser candidato a vice-governador. A reboque da decisão de manter Marcus Pestana na disputa, aconteceu a recusa à oferta do Novo. O desfecho da história abalou a relação.
"O Cidadania não teve o tratamento respeitoso que merecia. O partido poderia e deveria ter composto a chapa do governador Zema através de Eduardo Costa", criticou o deputado estadual João Vítor Xavier, presidente do partido.
'Fantasia' e dissidência
No meio da semana passada, o deputado federal Paulo Abi-Ackel, presidente do diretório tucano em Minas e líder da federação no estado, chegou a criticar João Vítor publicamente e alfinetou a agremiação aliada.
Ele chamou de "fantasia" a ideia de emplacar Eduardo Costa na chapa do Novo. O dirigente insinuou que a articulação pela parceria entre Zema e o jornalista, na verdade, seria uma forma de o partido do governador lançar chapa "puro-sangue", com Mateus Simões como candidato a vice.
"Se, até agora, alguns dirigentes e membros do Cidadania não compreenderam o papel que foram levados a cumprir nesta eleição, e se sentem confortáveis em serem usados para justificar o que o Novo sempre quis, que era a chapa Novo com Novo, não somos nós que iremos contrariá-los", disparou.
No PL, o "racha" nasceu porque Viana, recém-saído do MDB, chegou ao partido em 1° abril, último dia do prazo para trocas de legenda. À época, parte dos deputados liberais esperava trabalhar pela reeleição de Zema.
Mesmo em meio aos entraves, Viana garantiu, na semana passada, que sua candidatura é para valer. Ele refutou a hipótese de ter se lançado apenas para forçar um segundo turno entre Zema e Kalil e, assim, assegurar apoio do governador ao presidente da República.
"A estratégia da minha candidatura é para ganhar a eleição. Não vim para simplesmente fazer número", assinalou.