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Estado de Minas #PraEntender

COVID-19: entenda por que a segunda onda afeta mais os jovens

Faixas etárias menores têm sido cada vez mais comuns nas UTIs do Brasil. Médicos explicam os motivos dessa mudança de perfil entre pacientes.


30/04/2021 15:36 - atualizado 30/04/2021 16:09

O relaxamento de medidas para conter o coronavírus e a demora para vacinar pessoas mais jovens têm levado a um novo cenário na pandemia de coronavírus no Brasil. De acordo com dados da Fiocruz coletados entre 4 e 10 de abril, pessoas entre 20 e 29 anos estão no grupo com maior alta de mortes por COVID-19 na comparação com o início de 2020.

 
A aparente falta de preocupação dos jovens com a pandemia parece também ser um motivo para hoje eles serem maioria nos serviços de atendimento. Raphael Rangel, virologista e coordenador do curso de Biomedicina do Instituto Brasileiro de Medicina e Reabilitação (IBMR), explica que quando as medidas de isolamento são afrouxadas pelos governos, os jovens costumam voltar a aglomerar e não usar máscaras.

Além disso, segundo Rangel, existe o escape imunológico. “O escape imunológico do vírus é ele conseguindo driblar o sistema. Quando ele surgiu, no fim de 2019, ele não conseguia fazer, mas à medida que vai infectando mais pessoas, vai entendendo que tipo de alteração que tem que ser feita para enganar o corpo, e com isso, infectar mais pessoas.”
O virologista Rômulo Neris explica que a ocupação dos lares brasileiros também pode ajudar na propagação do vírus dentro de uma mesma família. “Mesmo que não tenha um idoso morando com você, a gente assumindo que muitos municípios começaram a reabrir em 2020, significa que a gente colocou muita gente na rua. Tem o adulto que tem que trabalhar e o jovem que pode ter necessidade de trabalhar ou ter assumido um comportamento irresponsável”. 
 
 
Idade média dos pacientes
A tendência de uma redução das faixas etárias dos pacientes no Brasil foi captada pelos pesquisadores. A idade média de casos internados na primeira quinzena de abril era de 57,68 anos, enquanto a idade média na primeira semana de janeiro tinha sido de 62,35 anos.

Para a FioCruz, esse cenário pode ter sido influenciado por uma maior flexibilização do distanciamento entre os mais jovens, por motivos que vão de uma exaustão com o confinamento à necessidade de retornar ao trabalho presencial. 
Ainda segundo a Fiocruz, a vacinação de idosos indica sinais de diminuição sobre casos e mortes nas faixas etárias mais altas. Porém, somente análises posteriores poderão afirmar que isso tem relação direta com a mudança no perfil demográfico das pessoas afetadas pela COVID-19 no Brasil.
 

Perfil dos pacientes em Minas
Em Minas Gerais, a situação não é diferente. Na macrorregião conhecida como Triângulo do Norte, que reúne municípios como Uberlândia e Patrocínio, 132 pessoas com menos de 60 anos estavam internadas entre setembro e dezembro de 2020. No começo de 2021, o número subiu para 734 entre janeiro e março.
Segundo a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), a mortalidade de pacientes com menos de 45 anos internados em UTIs triplicou de 13% em novembro para 38,5% em março. Um outro estudo feito pela AMIB mostra que, em março de 2021, pacientes com menos de 40 anos eram quase 60% dos internados em unidades de terapia intensiva no país. 


Novas variantes do Sars-CoV-2
Cientistas acreditam que as novas variantes do coronavírus podem ter promovido uma mudança no perfil dos infectados. Na Inglaterra, pesquisadores perceberam que a variante chamada de B.1.1.7 estava acometendo pessoas mais jovens, inclusive crianças. Diferentemente do que ocorreu durante a primeira onda do vírus Sars-Cov-2 na Europa.
Os médicos brasileiros também suspeitam que a variante P1, identificada em Manaus, possa ser mais agressiva. Isto significa que ela teria capacidade de provocar consequências mais graves mesmo em pessoas jovens e saudáveis.
 
(*Estagiária sob supervisão do subeditor Rafael Alves) 
 

O que é um lockdown?

Saiba como funciona essa medida extrema, as diferenças entre quarentena, distanciamento social e lockdown, e porque as medidas de restrição de circulação de pessoas adotadas no Brasil não podem ser chamadas de lockdown.


Vacinas contra COVID-19 usadas no Brasil

  • Oxford/Astrazeneca

Produzida pelo grupo britânico AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, a vacina recebeu registro definitivo para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No país ela é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

  • CoronaVac/Butantan

Em 17 de janeiro, a vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan no Brasil, recebeu a liberação de uso emergencial pela Anvisa.

  • Janssen

A Anvisa aprovou por unanimidade o uso emergencial no Brasil da vacina da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson, contra a COVID-19. Trata-se do único no mercado que garante a proteção em uma só dose, o que pode acelerar a imunização. A Santa Casa de Belo Horizonte participou dos testes na fase 3 da vacina da Janssen.

  • Pfizer

A vacina da Pfizer foi rejeitada pelo Ministério da Saúde em 2020 e ironizada pelo presidente Jair Bolsonaro, mas foi a primeira a receber autorização para uso amplo pela Anvisa, em 23/02.

Minas Gerais tem 10 vacinas em pesquisa nas universidades

Como funciona o 'passaporte de vacinação'?

Os chamados passaportes de vacinação contra COVID-19 já estão em funcionamento em algumas regiões do mundo e em estudo em vários países. Sistema de controel tem como objetivo garantir trânsito de pessoas imunizadas e fomentar turismo e economia. Especialistas dizem que os passaportes de vacinação impõem desafios éticos e científicos.


Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

 

 

Entenda as regras de proteção contra as novas cepas



 

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.


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