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Estado de Minas LONGE DE CASA

Idoso de 100 anos morre de COVID e filha responsabiliza atraso na vacinação

Ele recebeu a segunda dose poucos dias antes de ser diagnosticado com a doença


22/03/2021 14:19 - atualizado 22/03/2021 14:49

O idoso chegou a ser atendido na Santa Casa de Itapecerica e foi transferido para Nova Serrana(foto: Santa Casa de Itapecerica/Divulgação )
O idoso chegou a ser atendido na Santa Casa de Itapecerica e foi transferido para Nova Serrana (foto: Santa Casa de Itapecerica/Divulgação )

Antônio Teixeira Rios foi mais uma vítima da COVID-19. Aos 100 anos, longe de casa e sem se despedir, ele morreu, neste domingo (22/3), em Nova Serrana, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais. O centenário, orgulho da família, morava em Itapecerica, mas a falta de recursos na cidade não o dava outra alternativa a não ser se tratar a 100 quilômetros dali.

 

O idoso foi diagnosticado com a doença no dia 11 de março, pouco menos de duas semanas antes de receber a segunda dose da vacina. Para a filha dele, a delegada de Divinópolis, Gorete Rios, o atraso na imunização pode ter contribuído para o agravamento da doença. “Se a vacinação tivesse ocorrido antes, talvez ele tivesse pegado, mas não teria tanta dificuldade”, afirma.

 

Senhor Antônio recebeu a primeira dose da vacina no dia 12 de fevereiro e foi imunizado com a segunda no dia 1º de março. Logo depois, começaram a surgir os primeiros sintomas. Desde então, foram várias idas e vindas à Santa Casa de Itapecerica. 

 

Ele também precisou fazer um tomografia do pulmão, em Formiga. Com o agravamento, porém ainda com o quadro de saúde estável, ele foi hospitalizado. Sem vagas nos hospitais de Divinópolis, referência da microrregião a qual Itapecerica pertence, ele foi levado para Nova Serrana onde estava internado há cerca de cinco dias.

 

Mesmo com a dificuldade em conseguir uma vaga, Gorete diz que não faltou assistência. “A COVID não respeita pessoas, idade, lugares no mundo. Foi muito bem tratado em Nova Serrana, fizeram de tudo. Ele não morreu porque foi para Nova Serrana, ele não conseguiu vencer a COVID”, afirmou. Foram alguns dias na enfermaria, para então ser transferido para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após se agravar.

 

Senhor Antônio não tinha nenhuma comorbidade.  “Tanto é que chegou aos 100 anos. Não era obeso, não tinha diabetes, andava de bicicleta até há dois anos, era super lúcido, não tinha hipertensão”, relata a filha. Ele completaria 101 anos em julho. 

Atraso na vacinação 

Para a delegada, a morte do pai dela acende a discussão sobre a urgência de ampliar e acelerar a vacinação. “Precisamos fortalecer a ideia da vacinação. Ela está atrasada, não só para o meu pai, para todo mundo. Ninguém tem culpa, é uma guerra que temos que vencer”, desabafa.

 

A falta de conscientização também foi tratada por ela como fator de preocupação. “É uma guerra e os jovens não aceitam, estão fazendo festas clandestinas, por outro lado, as pessoas não se conscientizam. Para mim o problema é a vacinação atrasada. Se ele tivesse tomado 15 dias antes, talvez isso não tivesse ocorrido”, declara.

 

De acordo com estudos sobre a viabilidade das vacinas contra a doença, a imunização contra o vírus estará completa em cerca de 15 dias após a administração da segunda dose.  

Seguindo o cronograma

O prefeito de Itapecerica Wirley Reis, conhecido como Têko, fez uma alerta nas redes sociais. Disse que as projeções para os próximos dias não são favoráveis.

  

“É difícil prever como será esta semana, pois Minas Gerais dá sinais de um colapso no sistema de saúde. Mas a nossa missão é trabalhar para salvar vidas e quero deixar bem claro que iremos fazer o que for necessário para isso”, afirmou, pedindo que a população não saia de casa e siga as normas sanitárias.

 

Têko reconheceu a demora na vacinação, mas atribuiu a responsabilidade ao Ministério da Saúde. Afirmou que segue o cronograma conforme o recebimento de vacinas.

 

“Ressalto que a quantidade de doses que temos recebido em cada remessa é insuficiente para atender a demanda do nosso município, tendo em vista que a nossa população é formada por um grande número de pessoas idosas”, declarou.

 

*Amanda Quintiliano especial para o EM 

 

O que é o coronavírus


Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp

Como a COVID-19 é transmitida? 

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?


Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal
Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus. 

Vídeo explica por que você deve 'aprender a tossir'


Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

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