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Estado de Minas COLAPSO

Com COVID-19 e circulando entre as pessoas, família tenta ajudar o pai

Eles deveriam estar isolados, pois têm a COVID-19. Mas devido ao colapso da saúde, mãe e filho tentam entregar roupas ao pai internado na Santa Casa de BH


22/03/2021 11:48 - atualizado 22/03/2021 17:12

Mãe e filho circulam pelos hospitais, mesmo contaminados pela COVID-19(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press)
Mãe e filho circulam pelos hospitais, mesmo contaminados pela COVID-19 (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press)
Eles poderiam ter passado ao seu lado e você não desconfiaria. Com travesseiros e sacolas de roupas nas mãos, mãe e filho se perdem entre a multidão que circula anônima pela região dos hospitais, o local onde mais pacientes com a COVID-19 são tratados em Belo Horizonte. Levam roupas para o pai doente, mas carregam com eles próprios o vírus que levou o sistema de saúde brasileiro ao colapso, com mais demanda de pacientes do que leitos para tratá-los. 

A própria irresponsabilidade da dupla, já testada positiva para o novo coronavírus (Sars-CoV-2), se dá, segundo eles, por causa do colapso hospitalar, uma vez que afirmam que o pai precisa de cobertores, travesseiros melhores e roupas enquanto se trata da COVID-19 na internação da Santa Casa de Misericórdia de BH, onde está há uma semana.

Mesmo sendo para ajudar o parente, os dois arriscam a sociedade ao continuar a propagação da doença e podem, até mesmo ser presos, ainda que usem máscaras de tecido e digam não se aproximar demais das pessoas. Segundo o artigo 268 do Código Penal, é crime infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa, que pode acarretar detenção de um mês a um ano e multa.

”Na nossa casa são cinco pessoas com a COVID-19, incluindo uma criança de 1 anos e 6 meses. Fizemos o teste e deu positivo. Os médicos disseram que a gente tinha de ficar no isolamento,mas só saímos porque o meu marido precisa dessas roupas, a gente não quer que ele passe frio. Quer que ele saia vivo e volte para nós”, disse a dona de casa Helena Aparecida Silva Rocha, de 51 anos. Mesmo infectados, ela e o filho estão desde a semana passada tentando contato com o pai da família, o mecânico Ronaldo de Jesus Rocha, de 55 anos.

”Meu pai pegou COVID-19 durante esta semana. Ele está em observação aqui na Santa Casa. Não estamos conseguindo visitá-lo, nem vê-lo para entregar as roupas que ele precisa. Na ala de COVID-19 do hospital não entra ninguém”, afirma o filho, o técnico em química Wallace Luiz da Silva Rocha, de 30.

Desde que o pais começou a passar mal, os dois deixam o isolamento em sua casa no Bairro Taquaril, na Região Leste de BH, para tentar acompanhá-lo na internação médica. “A família inteira está contaminada. Estamos trancados em casa e só saímos para trazer as roupas para o meu pai, depois vamos voltar pra casa. Nós estamos melhores. Não estamos sentindo quase nada. Só mesmo muita tosse e dor de cabeça. Nossos vizinhos todos também pegaram a doença. Muitos estão doentes, outros já se recuperaram”, conta Wallace.

O pai da família, Ronaldo de Jesus, foi o que apresentou o pior estado de saúde e por isso precisou ser internado. “Levamos ele na UPA e nos disseram que era uma virose. Depois ele foi piorando, sentindo febre e falta de ar. Levamos de novo e disseram que podia ser COVID-19. Testaram a ele e a nós e estamos todos com o vírus”, afirma a dona de casa.

Wallace e a mãe, Helena, tentam entregar roupas no hospital para o pai mesmo tendo de ficar isolados(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press)
Wallace e a mãe, Helena, tentam entregar roupas no hospital para o pai mesmo tendo de ficar isolados (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press)
Mãe e filho confirmam saber que não deveriam deixar o isolamento. “O médico nos disse mesmo que não era para a gente sair de jeito nenhum. Mas como é que vamos deixar o nosso pai aqui sem uma roupa descente para vestir, passando até frio e sozinho”, disse o técnico.

Contudo, os dois confirmaram que vão tentar à tarde entregar as roupas novamente para o pai e se perderam mais uma vez entre os pedestres da movimentada região hospitalar, entre as várias pessoas que atravessavam os dois sentidos da Avenida Francisco Sales, em frente à Santa Casa. “Estamos de carro, A gente não ia pegar ônibus, porque teria risco de passar para outras pessoas esse vírus”, disse Wallace, antes de partir com a mãe até o local onde deixou o carro estacionado.

A pandemia do novo coronavírus exigiu a edição de uma legislação urgente para que as autoridades tivessem respaldo para impor medidas de controle. A Lei 13.979 de 2020 prevê oito dispositivos: a adoção de isolamento, separação de pessoas ou coisas contaminadas; quarentena, restrição de atividade ou separação de pessoas ou coisas suspeitas de contaminação; realização compulsória, mesmo contra à vontade da pessoa, de exames, testes, coleta de material, vacinação e tratamentos; estudo ou investigação; exumação, manejo e até destruição de cadáveres; restrição temporária de entrada ou saída do país; requisição de coisas ou pessoas; e, autorização temporária para importação de produtos necessários sem registro na Anvisa.

A Santa Casa BH informa que ao contrário do relato da família, todos os leitos de internação da instituição possuem enxoval contendo lençol, travesseiro com fronha e cobertor. "Porém, caso os itens não estejam do agrado do paciente, é permitido que solicite aos familiares que entreguem o material que considerem mais confortável, desde que estejam em acordo com as normas de segurança e higiene hospitalar".

Com relação às roupas usadas pelos pacientes e itens de higiene pessoal, é de responsabilidade dos familiares a entrega do material para uso durante a internação e o
recolhimento dos mesmos para higienização. "Esse trâmite segue um rígido controle e é feito em pontos específicos nas portarias da Santa Casa BH, para que os pertences de pacientes com COVID-19 tenham contato com os de pacientes de outras alas", informa a assessoria de imprensa da instituição.

No caso do paciente Ronaldo de Jesus Rocha, a Santa Casa BH informa que recebeu os mesmos cuidados, atendimentos e itens que os outros pacientes internados na enfermaria de isolamento respiratório. "A instituição reforça que preza pelo bem-estar e atendimento humanizado a quem busca tratamento no hospital".

O que é o coronavírus

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp

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Como a COVID-19 é transmitida?


A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?

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Como se prevenir?


A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê

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Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

 

Vídeo explica porque você deve aprender a tossir

Mitos e verdades sobre o vírus


Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

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