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Estado de Minas SAÚDE

COVID-19: hidroxicloroquina provoca aumento da mortalidade, confirma estudo

A análise colaborativa internacional de ensaios clínicos publicada na 'Nature' destaca, ainda, que o uso da cloroquina não oferece benefícios para pacientes


15/04/2021 15:31 - atualizado 15/04/2021 15:49

(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)

A hidroxicloroquina e a cloroquina, medicamentos que compõem o chamado “kit Covid”, usado na prevenção ou tratamento para quadros de infecção por COVID-19 sem comprovação científica, são responsáveis por respostas contrárias ao desejado, conforme aponta análise internacional de estudos publicada nesta quinta-feira (15/) na "Nature". Segundo os dados apresentados, a hidroxicloroquina, inclusive, é associada ao aumento da mortalidade

Com base nos estudos randomizados disponíveis, não houve, também, benefício do uso da cloroquina para tratamento da COVID-19. Justamente por isso, a recomendação final do artigo é: “Os profissionais médicos em todo o mundo são incentivados a informar os pacientes sobre essas evidências”, diz. 

Ao todo, 28 ensaios clínicos foram analisados – publicados ou não –, incluindo 10.319 pacientes. “Esta meta-análise oferece informações úteis para uma situação de saúde desafiadora. Centenas de milhares de pacientes receberam hidroxicloroquina e cloroquina fora dos ensaios clínicos, sem evidências de seus efeitos benéficos. O interesse público é sem precedentes, com evidências fracas que apoiam os méritos da hidroxicloroquina sendo amplamente discutidas em mídias e redes sociais, apesar dos resultados desfavoráveis.” 

“Esta pandemia reuniu uma colaboração de pesquisadores clínicos concordando em compartilhar seus dados, o que permite que este estudo não apenas resuma as evidências existentes, mas também ilustre o acúmulo de evidências que de outra forma não estariam disponíveis”, aponta. 

Para a hidroxicloroquina, a evidência é dominada pelo estudo “Recovery”, que não indicou benefício na mortalidade para pacientes tratados com COVID-19, juntamente com hospitalização mais longa e maior risco de progressão para ventilação mecânica invasiva e/ou morte. Da mesma forma, o estudo “Who Solidarity” não indicou nenhum benefício na redução da mortalidade.  

“Os estudos usaram hidroxicloroquina em doses comparativamente mais altas do que todos os outros estudos, exceto ‘Remap-cap’. Não houve evidência de uma modificação de efeito por dose, e o efeito combinado de todos os ensaios com dose mais baixa não indicou um benefício de hidroxicloroquina, mas tendeu a um efeito nulo. Esta meta-análise não aborda o uso profilático nem outros resultados além da mortalidade."

Entre os cinco estudos em pacientes ambulatoriais, houve três mortes, duas ocorrendo em um ensaio de 491 pacientes relativamente jovens com poucas comorbidades e uma em um pequeno ensaio com 27 pacientes. Para pacientes ambulatoriais idosos ou com comorbidades, as evidências são esparsas. A maioria dos 28 estudos excluiu pessoas com comorbidades com maior risco de eventos adversos de hidroxicloroquina e cloroquina. 

“Este artigo oferece o resumo mais abrangente sobre HCQ e mortalidade em COVID-19 até o momento. Planejamos realizar uma atualização quando evidências adicionais substanciais estiverem disponíveis”, conclui o estudo. 
 

O que é um lockdown?

Saiba como funciona essa medida extrema, as diferenças entre quarentena, distanciamento social e lockdown, e porque as medidas de restrição de circulação de pessoas adotadas no Brasil não podem ser chamadas de lockdown.


Vacinas contra COVID-19 usadas no Brasil

  • Oxford/Astrazeneca

Produzida pelo grupo britânico AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, a vacina recebeu registro definitivo para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No país ela é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

  • CoronaVac/Butantan

Em 17 de janeiro, a vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan no Brasil, recebeu a liberação de uso emergencial pela Anvisa.

  • Janssen

A Anvisa aprovou por unanimidade o uso emergencial no Brasil da vacina da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson, contra a COVID-19. Trata-se do único no mercado que garante a proteção em uma só dose, o que pode acelerar a imunização. A Santa Casa de Belo Horizonte participou dos testes na fase 3 da vacina da Janssen.

  • Pfizer

A vacina da Pfizer foi rejeitada pelo Ministério da Saúde em 2020 e ironizada pelo presidente Jair Bolsonaro, mas foi a primeira a receber autorização para uso amplo pela Anvisa, em 23/02.

Minas Gerais tem 10 vacinas em pesquisa nas universidades

Como funciona o 'passaporte de vacinação'?

Os chamados passaportes de vacinação contra COVID-19 já estão em funcionamento em algumas regiões do mundo e em estudo em vários países. Sistema de controel tem como objetivo garantir trânsito de pessoas imunizadas e fomentar turismo e economia. Especialistas dizem que os passaportes de vacinação impõem desafios éticos e científicos.


Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

 

 

Entenda as regras de proteção contra as novas cepas



 

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.


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