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Estado de Minas

Telemedicina: a tecnologia como aliada no combate ao coronavírus

Defensores da telemedicina aprovam decisão do Ministério da Saúde de adotar a forma de atendimento à população como ação efetiva de combater o avanço do contágio pelo vírus


postado em 29/03/2020 04:00 / atualizado em 03/04/2020 17:14

Vitor Moura, CEO da VidaClass, afirma que na China, onde a epidemia do coronavírus começou, a telemedicina já é altamente praticada(foto: Arquivo Pessoal )
Vitor Moura, CEO da VidaClass, afirma que na China, onde a epidemia do coronavírus começou, a telemedicina já é altamente praticada (foto: Arquivo Pessoal )

Vitor Moura, CEO da VidaClass, startup de saúde que promove acesso a diversos serviços de saúde para o cuidado integral, ressalta que há cerca de 170 milhões de pessoas no Brasil que não têm nenhum plano de saúde e para quem o acesso a um médico ou mesmo a um tratamento da rede pública pode demorar meses. E alerta que nem está falando de qualidade de tratamento, mas das dificuldades em ter acesso a algum tipo de especialidade. “Precisamos ter consciência de que promover a saúde é um dever do Estado e, mais do que um direito do cidadão, um dever de cada indivíduo. Por isso, a importância de desatar o nó em que nos enfiamos, quando tratamos da adoção da telemedicina no Brasil.”

 

Conforme Vitor Moura, na China, onde a pandemia do novo coronavírus começou, a telemedicina já é altamente praticada. Ele cita como exemplo a empresa Ping An Good Doctor, que lançou uma plataforma de assistência médica com inteligência artificial que vai desde consultas até entrega de medicamentos em casa e atende mais de 260 milhões de pacientes. “A mesma empresa recentemente apresentou minilaboratórios para diagnóstico expresso – as clínicas de um minuto.”

 

Segundo ele, o paciente entra num compartimento individual, semelhante às cabines fotográficas, descreve os sintomas para um médico digital que faz a triagem e encaminha para uma teleconsulta com um especialista. Consultado e diagnosticado, o paciente pode adquirir ali mesmo os remédios e começar o tratamento.

 

Para ele, toda nova tecnologia que promove o acesso a serviços, antes restritos a uma parcela da população, gera polêmica e questionamentos que fazem parte do processo de mudança. “Com a promoção e autorização do uso da telemedicina poderemos ganhar e melhorar a qualidade de vida nos mais distantes rincões do Brasil, lugares onde muita gente não sabe o que existe em termos de facilidade para os cuidados com a saúde. Se nos grandes centros, em uma capital como São Paulo, o tempo médio de agendamento de consulta no Sistema Único de Saúde (SUS), em 2018, era de 85 dias, como agir em localidades como Amazonas e Pará?.”

 

Aplicativo liga paciente ao profissional

A médica Carolina Pampolha, head de operações da Docway, plataforma que, por meio da tecnologia, promove o encontro entre prestador de saúde e paciente por meio de um aplicativo desenvolvido para iOS e Android, destaca o serviço de teleorientação que realizam há mais de um ano. Nesse tempo, cerca de 90% dos atendimentos feitos pela empresa não eram casos para expor o paciente aos riscos de um pronto socorro, por exemplo.

 

 

“É possível tirar dúvidas e solicitar orientações durante um atendimento por vídeo, já que um profissional habilitado vai analisar os sintomas e tomar a decisão mais adequada para o problema de saúde enfrentado pelo paciente. Se necessário, ele será encaminhado para o hospital.”

Devido ao potencial de disseminação do coronavírus, não é todo quadro que tem de ir ao hospital. Somente casos em que o paciente apresente febre e tosse ou sintomas respiratórios graves, acrescentado ao fato de ele ter viajado para uma das áreas de risco ou, ainda, que ele tenha tido contato com quem viajou.

 

“Deve-se dar atenção especial às populações mais vulneráveis com esses sintomas, que são os pacientes imunocomprometidos, com idade avançada, pacientes com comorbidades, como doenças cardíacas e pulmonares, nefropatas, pacientes oncológicos em tratamento e pacientes transplantados”, explica a médica.

 

Carolina Pampolha destaca ainda outra vantagem por conta da falta de dependência do horário de funcionamento de clínicas e hospitais. O paciente pode ser atendido e esclarecer todas as dúvidas sobre o coronavírus no lugar onde estiver. “Toda e qualquer pessoa com uma necessidade de atendimento médico fará parte do público que vai se beneficiar com a telemedicina. Existem as exceções, nas quais o paciente precisa ser encaminhado imediatamente para um pronto-atendimento, porém, para que haja a certeza dessa necessidade, o atendimento a distância pode dar uma assistência e uma solução quase imediatas em casos menos complexos”.

 

Projeto EuSaúde

Nesta hora de tensão, receio e dúvidas sobre como lidar com a COVID-19, a grande questão para a população é como buscar orientação médica sem, necessariamente, ir até um hospital ou outra unidade de saúde. O médico ginecologista Ricardo Cabral, CEO do grupo mineiro Rede de Cuidados em Saúde (RCS), indica a teleorientação e indica o projeto EuSaúde, do qual é o coordenador: “O link https://www.novocoronavirus.info está disponível e recebe, com uma equipe de médicos e enfermeiras, interações de todo o país 24 horas por dia, sete dias por semana. O acesso nunca esteve tão alto. Estando neste momento com mais de 200 pessoas em simultâneo. A plataforma tem recebido em média 100 interações diárias de pessoas com sintomas ou buscando orientações sobre qual serviço de saúde devem procurar. A maioria dúvidas é sobre a doença e como se prevenir”.

 

Ricardo Cabral enfatiza que a teleorientação não é um ato médico, portanto, não submetida ao conselho de medicina. “Temos uma consulta feita ao Conselho Federal há alguns anos nos autorizando a prover orientações on-line. Os médicos apenas orientam, não dão diagnóstico ou prescrevem receituário.” O ginecologista explica que “ao receber as dúvidas e queixas de uma pessoa, o profissional de saúde da teleorientação tem a chance de fazer uma orientação prévia e, na maioria das vezes, solucionar casos que possivelmente iriam para a triagem presencial, sobrecarregando o atendimento e aumentando a demanda por recursos”. Com a portaria liberando a telemedicina, o grupo RCS disponibiliza a plataforma NEAR operando também com a teleconsulta.

 

Depoimento

CYNTHIA DIAS PINTO COELHO

PSICÓLOGA

 

“Na semana passada, recebemos uma resolução do CRP autorizando o atendimento psicoterápico on-line em função do avanço da pandemia de COVID-19 e das medidas de isolamento social necessárias à sua contenção. A partir disso, passei a fazer todos os meus atendimentos on-line e a experiência tem sido muito positiva. Num primeiro momento, fiz um comunicado aos meus pacientes sobre a nossa alternativa para dar continuidade à psicoterapia neste momento. A maior parte das pessoas concordou em experimentar e o resultado tem sido surpreendente. Ao fim de cada atendimento, pedi um feedback e todos, sem exceção, responderam: “O atendimento presencial é melhor, mas o digital não deixa nada a desejar”. Alguns pacientes idosos tiveram certa resistência inicial, seja por não dominar a tecnologia, seja por achar estranha a ideia, mas no final eles também gostaram e acho que aprenderam uma nova forma de contato para usar com parentes que estão longe, amigos que não podem visitar... É uma ferramenta e tanto para driblar a solidão nesta fase e trazer um pouco de alegria e contato. Já as crianças e adolescentes adoraram a ideia, talvez por lidar bem com os eletrônicos e tecnologias desde bebês. As crianças têm um papel importante no grupo familiar ao levar para ele temas trabalhados em suas sessões, sejam elas virtuais ou presenciais." 

 

O que é o coronavírus?

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.

 

Como a COVID-19 é transmitida?

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia


Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o coronavírus é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Para saber mais sobre o coronavírus, leia também:

Especial: Tudo sobre o coronavírus 

Coronavírus: o que fazer com roupas, acessórios e sapatos ao voltar para casa

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