Sedentarismo compromete saúde vascular: por que se preocupar?
Especialista alerta que doenças como trombose, embolia pulmonar e aterosclerose, que afetam o fluxo sanguíneo, podem ser desencadeadas pela inatividade
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O sedentarismo é comum para 47% dos brasileiros adultos e ainda envolve 84% dos jovens, segundo as estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Saúde. Os dados alertam que se trata de um mal a ser combatido. A situação estimula projetos de lei (PL), como um para criar o Mês Nacional de Combate ao Sedentarismo e de Prevenção da Obesidade, visando proteger o corpo, como a saúde vascular, dos efeitos desse costume inadequado.
O sedentarismo é considerado um estilo de vida com ausência ou pouca atividade física, resultando num baixo gasto energético. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), deve-se praticar o mínimo de 150 minutos de exercícios semanais para não ser considerada uma pessoa pouco ativa e manter a saúde.
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Contudo, é preciso entender a nova realidade da população mundial. O cirurgião vascular Josualdo Euzébio Silva, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, afirma que em uma sociedade cada vez mais conectada, é normal a população passar mais tempo inativa, sentada para assistir televisão, mexendo no celular ou no computador. Entretanto, a ação não deve ser considerada normal e muito menos, pouco ameaçadora.
O hábito torna praticamente inevitável prevenir condições, como a obesidade, que cada vez mais assombra os brasileiros. Para se ter uma ideia, os números citados no relatório da PL apontam que 11,8% dos adultos eram considerados obesos, em 2006, contra 24,3% em 2023. Os dados contribuem para essa nova demanda de conscientização sobre os riscos causados pela inatividade e doenças crônicas.
Quais são os riscos?
A vida sedentária é extremamente perigosa para a saúde vascular. A ausência de atividades físicas provoca condições perigosas, como a trombose, responsável 36 mil internações no Brasil no primeiro semestre de 2025.
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O cirurgião explica que a patologia decorre da formação de coágulos de sangue nos vasos, causando uma obstrução da circulação. “O problema é mais comum nos membros inferiores, justamente pela combinação de falta de movimento e características dessa região corporal, que requer grande esforço para o sangue retornar ao coração”, esclarece.
Além da imobilidade prolongada – seja por hábitos inadequados, internações ou viagens longas – as cirurgias, câncer, diabetes, obesidade, hipertensão, uso de hormônios, gestação, idade avançada, predisposição genética, tabagismo e o consumo de álcool também contribuem para o desenvolvimento da doença.
Uma das maiores preocupações em relação à trombose está em seu caráter silencioso, sobretudo, quando no início. Após uma evolução do quadro, os indivíduos passam a notar alterações no local atingido, como dores, principalmente ao caminhar, inchaço, além de alteração na cor, temperatura e textura da pele.
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É preciso entender que a patologia ainda causa embolia pulmonar, cujas características, muitas vezes, podem ser fatal. A condição acontece com o desprendimento de um coágulo do local de origem se movimentando até o pulmão, obstruindo vasos e provocando sintomas como falta de ar, dor no peito, tosse (com ou sem a presença de sangue), taquicardia e desmaios.
Outro problema vascular potencializado pelo sedentarismo é a doença aterosclerótica. Trata-se de uma inflamação crônica com o acúmulo de placas de gordura, colesterol e cálcio nas paredes das artérias, deixando-as rígidas e estreitas, levando a uma redução do fluxo sanguíneo. A situação amplia os riscos para infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial periférica.
O médico alerta, ainda, que uma dieta rica em alimentos gordurosos aumenta os riscos de desenvolvimento da aterosclerose. Os sintomas são tardios e incluem dor no peito, falta de ar, tontura, palpitações, dor/cãibras nas pernas ou braços - variando conforme a artéria atingida.
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A recomendação é consultar um cirurgião vascular para evitar o agravamento do quadro. Os tratamentos são indicados conforme as características de cada paciente e da evolução da patologia. Contudo, a prática de atividade física, o abandono do tabaco e a adoção de uma alimentação saudável são essenciais para garantir maior qualidade de vida e longevidade com o cuidado adequado da saúde vascular.