Dubai desvendada pelo mar: luxo, arte e o lado invisível da cidade
Rota pelo Golfo Arábico promovida pela MSC Cruzeiros revela aspectos sobre riqueza, fé e costumes do emirado mais rico do mundo
compartilhe
SIGA
Não é exagero dizer que o petróleo construiu Dubai. Até meados do século 20, a região era formada por vilas de pescadores, beduínos e tribos nômades, com uma economia baseada na pesca de pérolas e no comércio regional. A paisagem era árida, horizontal e marcada pela escassez. Nada que lembrasse os arranha-céus futuristas, ilhas artificiais ou os shoppings monumentais que hoje funcionam como verdadeiras cidades climatizadas.
Leia Mais
Se o petróleo foi o motor dessa transformação inicial, hoje é o turismo – ao lado da especulação imobiliária e do setor de negócios – que sustenta o emirado mais rico do mundo. Em 2025, a extração do óleo mineral representava apenas cerca de 6% da economia de Dubai, frente aos 100% de arrecadação que já representou.
A cidade se reinventou de forma planejada, apostando na construção de uma imagem global associada à modernidade, ao luxo e à inovação. Terra do Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundo eternizado no cinema por Tom Cruise em “Missão: Impossível – Protocolo Fantasma” (2011), Dubai consolidou-se como sinônimo de grandiosidade. Pontos como o Dubai Mall, o Museu do Futuro, as Fontes Dançantes e o Gold Souk figuram entre as atrações mais divulgadas e visitadas da cidade.
Mas, fora desse circuito amplamente explorado, surgem experiências que revelam outras camadas do emirado. A Avenida Alserkal, por exemplo, é um distrito artístico e cultural instalado em antigos galpões industriais, onde funcionam galerias, ateliês e espaços dedicados à arte contemporânea e experimental. Já o Lago Al Qudra, um oásis artificial no meio do deserto, atrai moradores e turistas em busca de silêncio, natureza e uma Dubai menos espetacularizada.
'Lado B' de Dubai
A imagem de riqueza e prosperidade, amplamente promovida mundo afora, convive com um “lado B” pouco visível nos materiais turísticos oficiais. Ele se manifesta em cortiços verticalizados, prédios com fachadas descascadas, ruas sem escoamento adequado e sobrados abandonados.
Essas regiões concentram pensões modestas, com diárias acessíveis, ocupadas principalmente por trabalhadores estrangeiros, em sua maioria filipinos, indianos e paquistaneses, que sustentam a engrenagem da cidade, sobretudo na construção civil. Muitos são contratados com salários bem abaixo da média local, estimada em cerca de US$ 2 mil mensais, e vivem à margem do luxo que ajudam a erguer.
Apesar de receber milhões de visitantes ocidentais todos os anos – somente em 2024, cerca de 18 milhões de turistas passaram por Dubai, sendo aproximadamente quatro milhões vindos da Europa Ocidental e das Américas, segundo dados do governo local –, os Emirados Árabes Unidos mantêm leis bastante rigorosas em relação a determinados temas, especialmente o uso de drogas.
Turistas que fazem uso de medicamentos controlados devem, portanto, enviar previamente suas receitas médicas ao Ministério da Saúde e Prevenção do país, por meio do site oficial (mohap.gov.ae). O procedimento é essencial para evitar contrariedades na imigração e reforça a necessidade de o visitante compreender que está em uma cultura com valores e normas muito diferentes dos ocidentais.
Dubai integra os Emirados Árabes Unidos, uma federação formada por sete emirados (Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman, Umm Al-Quwain, Ras Al Khaimah e Fujairah). Embora cada um tenha autonomia para definir suas leis internas, eles se apresentam internacionalmente como uma única nação, cuja capital é Abu Dhabi.
Além de destino turístico em si, Dubai consolidou-se como um dos maiores hubs de transporte do mundo. A cidade funciona como porta de entrada para o Oriente Médio e o Golfo Arábico, conectando diferentes países por rotas aéreas e marítimas. É de lá que partem diversas embarcações, como o cruzeiro MSC Euribia, que percorre Abu Dhabi, Doha (Catar), Manama (Bahrein) e a ilha de Sir Bani Yas. Há viagens semanais nos meses de fevereiro e março. Os pacotes variam de R$ 12.602 a R$ 14.742 e incluem voo internacional, hospedagem inicial em Dubai e o cruzeiro marítimo.
O pacote completo inclui voo partindo de São Paulo com destino a Dubai pela Emirates Airlines. Trata-se de um dos trajetos mais longos e cansativos da aviação comercial – cerca de 14 horas diretas na ida e 15 horas na volta. A rota é operada pelo Airbus A380, a maior aeronave comercial de passageiros em operação regular. O avião tem dois andares e capacidade para até 853 passageiros, em uma configuração de três assentos na janela, quatro no centro e três na lateral oposta. Em viagens tão longas, uma dica prática faz diferença: optar pelo assento no corredor garante maior liberdade de movimentação ao longo do voo.
Ao desembarcar, funcionários da MSC recepcionam os passageiros ainda no aeroporto e os conduzem a um hotel da rede Ibis, incluído no pacote. O embarque no MSC Euribia ocorre apenas na tarde do dia seguinte, o que deixa a manhã livre para um primeiro contato com a cidade e alguns de seus pontos turísticos.
MSC Euribia
O navio parte do Porto de Jebel Ali e impressiona já à distância. Inaugurado em junho de 2023, o Euribia tem 331 metros de comprimento, 43 metros de largura e 73,6 metros de altura. São 19 andares – 15 deles destinados aos hóspedes –, com capacidade para 6.327 passageiros e 1.711 tripulantes, número equivalente à população inteira de Cordisburgo (MG), cidade natal de Guimarães Rosa.
No momento do embarque, é necessário despachar a bagagem durante o check-in, que só é entregue na cabine algumas horas depois. Por isso, recomenda-se levar uma muda de roupa na mochila ou bolsa de mão, caso o passageiro queira tomar banho ou trocar de roupa logo ao entrar no navio.
Leia Mais
Pelas dimensões do Euribia, fica claro que se trata de uma verdadeira cidade flutuante. Perder-se pelos corredores é comum – nem mesmo ao final dos dez dias de viagem o repórter conseguiu andar pela embarcação sem o auxílio de um mapa –, por isso, totens estão espalhados pelo navio.
Cada passageiro recebe dois cartões, que funcionam como chave da cabine e comanda para consumo a bordo. Todas as despesas são cobradas em euro e lançadas no cartão de crédito cadastrado no check-in. Quem adquire o pacote de bebidas pode consumir livremente bebidas alcoólicas e não alcoólicas nos bares e restaurantes do navio, uma exceção às leis restritivas sobre álcool vigentes nos Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein.
O MSC Euribia conta com dez restaurantes e 21 bares e lounges, cinco deles de especialidades, não incluídos no pacote básico. O principal espaço de alimentação é o Marketplace Buffet, localizado no 15º deck. Com cerca de mil lugares, funciona em sistema de self-service e permanece aberto por 20 horas diárias, das 6h às 2h da madrugada. Entre os destaques do cardápio estão as pizzas finas e bastante elogiadas pelos passageiros.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Além da oferta gastronômica, o navio dispõe de cinco piscinas, parque aquático, dois teatros, cassino, fliperama, boliche, quadra de esportes, academia, spa e áreas de recreação infantil, com monitoramento dividido em cinco faixas etárias. É impossível, contudo, aproveitar tudo ao longo dos dez dias de viagem. Até porque há muitos passeios a serem feitos nas cidades onde o navio atraca.