Mundo Árabe

Além de Dubai: o melhor do Golfo Arábico em um só roteiro

Cruzeiro do navio MSC Euribia conecta civilizações antigas, heranças beduínas e cidades que hoje simbolizam poder econômico e ambição cultural

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Assim como Dubai, Doha também nasceu como uma pequena vila de pescadores e se transformou a partir da descoberta do petróleo. Primeira parada do MSC Euribia na rota pelo Golfo Arábico – há viagens semanais nos meses de fevereiro e março, com pacotes que variam de R$ 12.602 a R$ 14.742, incluindo voo internacional, hospedagem inicial em Dubai e o cruzeiro marítimo –, a capital do Catar surgiu em meados do século 19, quando a família Al-Thani consolidou seu domínio sobre a região, então disputada por clãs vizinhos e posteriormente colocada sob proteção britânica. A exploração de petróleo, iniciada em 1949, redefiniu o destino do país e impulsionou uma modernização acelerada que alterou profundamente a paisagem urbana.

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Parte desse passado ainda resiste no passeio batizado de “O melhor de Doha”, uma das excursões compatíveis com o tempo de permanência do navio na cidade. O roteiro começa pelo Souq Waqif, coração histórico da capital. Restaurado para preservar a arquitetura tradicional, o mercado mantém o clima de um labirinto vivo de ruelas estreitas, onde lojas de especiarias, tecidos, perfumes e joias convivem com cafés e restaurantes frequentados por moradores e visitantes. Ali também fica o Falcon Souq, espaço dedicado à criação e comercialização de falcões, ave símbolo da cultura árabe e associada à honra e bravura.

Do contraste entre tradição e modernidade nasce a identidade cultural que o Catar busca projetar. Ela se manifesta na Katara Cultural Village, complexo que reúne teatros, galerias e centros artísticos à beira-mar, e no Museu de Arte Islâmica, cujo acervo atravessa 13 séculos de história, reunindo manuscritos, cerâmicas, metais, têxteis e objetos raros de diferentes regiões do mundo islâmico.

Manama, Bahrein
Manama, Bahrein Getty Images

De Doha, o MSC Euribia segue para Manama, capital do Bahrein. Pequeno em território, o país ocupa posição relevante na história do Golfo. A região foi centro da antiga civilização Dilmun, há mais de cinco mil anos, e prosperou durante séculos graças ao comércio marítimo e à pesca de pérolas, atividade que antecedeu a era do petróleo.

Entre os principais pontos turísticos está o Museu Nacional do Bahrein, que apresenta a trajetória do país desde a Dilmun até os dias atuais, com destaque para artefatos arqueológicos e registros da vida ligada ao mar. Outro símbolo histórico é o Forte Português, também conhecido como Qal’at al-Bahrain, sítio arqueológico onde camadas sucessivas de ocupação revelam a importância estratégica da ilha ao longo dos séculos – inclusive durante o período em que foi controlada pelos portugueses, no século 16, interessados nas rotas comerciais do Golfo.

O momento presente do país, por sua vez, aparece no Circuito Internacional do Bahrein, palco anual da Fórmula 1, e na Mesquita Al Fateh, uma das maiores do mundo, aberta à visitação e exemplo da arquitetura islâmica contemporânea. O país combina herança milenar com investimentos modernos, refletindo a tentativa de equilibrar tradição e inserção global.

Cuidados para quem for viajar

  • Medicamentos controlados exigem autorização prévia do governo dos Emirados
  • Demonstrações públicas de afeto devem ser discretas
  • Roupas devem ser mais comportadas em mesquitas e áreas religiosas
  • Sexta-feira é dia sagrado muçulmano – horários podem mudar
  • Bebidas alcoólicas são restritas em terra, mas liberadas no navio
  • O calor é intenso boa parte do ano
  • A moeda varia entre os países (dirham, rial, dinar)

Após a parada no Bahrein, o MSC Euribia navega por uma noite até Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos. O período em alto-mar é oportunidade para explorar a estrutura do navio antes da chegada a uma cidade que representa o centro político do país e concentra grande parte de suas reservas de petróleo, riqueza que financia projetos ambiciosos de diversificação econômica e cultural.

Entre os símbolos dessa estratégia estão a monumental Mesquita Sheikh Zayed, onde mármores brancos, espelhos d’água e lustres colossais compõem um dos cenários religiosos mais impressionantes do mundo islâmico, e o Louvre Abu Dhabi, filial do museu francês. À beira-mar, a Corniche oferece praias, ciclovias e vista para o skyline, enquanto o mirante das Etihad Towers revela a geografia da cidade entre o deserto e o Golfo.

Para compreender o passado anterior ao petróleo, o visitante pode percorrer o Qasr Al Hosn, construção mais antiga da capital, e o Heritage Village, que recria o cotidiano beduíno. Já em Yas Island, parques temáticos como o Ferrari World e o Warner Bros. World mostram a face mais voltada ao entretenimento – no primeiro, aliás, está a Formula Rossa, montanha-russa que chega a 240 km/h.

A viagem se encerra de volta a Dubai, onde o navio permanece atracado por mais um dia, permitindo ao viajante escolher entre revisitar a cidade ou aproveitar as atrações da própria embarcação. Se optar por sair, um passeio propício para este último dia é o jantar no deserto.

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No final das contas, a rota pelo Golfo Arábico revela muito mais do que arranha-céus reluzentes e mesquitas monumentais. Entre mercados tradicionais, fortalezas seculares e museus que guardam memórias de civilizações antiquíssimas, o viajante percebe que esses países foram formados em camadas, do deserto às torres de vidro, das pérolas ao petróleo. Navegar por ali é atravessar, em poucos dias, séculos de história condensados em cidades que aprenderam a transformar escassez em opulência.

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