Menos exagero e mais personalidade: as tendências de festas no Brasil
Personalização, tecnologia, nostalgia e produção nacional impulsionam um setor que se reinventa para acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor
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Menos personagens de papel, mais personalização. Menos exagero, mais experiência. As festas brasileiras estão mudando — e essas transformações vêm redesenhando um mercado que movimenta cerca de R$ 25 bilhões por ano no país.
Das comemorações infantis aos casamentos, passando pelas festas juninas, Halloween e Natal, consumidores têm buscado eventos mais intimistas, afetivos e personalizados. A tendência é uma das mais evidentes na Celebra Show 2026, maior feira de celebrações da América Latina, realizada em São Paulo, onde fabricantes, decoradores e especialistas apresentaram as apostas para os próximos anos. O evento começou no último domingo (31/5).
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"O setor está em constante reinvenção porque a celebração faz parte da cultura brasileira. As pessoas continuam comemorando, mas hoje procuram experiências mais significativas e personalizadas", afirma Eduardo Cincinato, presidente da Associação Brasileira de Produtos para Casa e Celebrações (ABCasa), organizadora da feira.
Segundo dados da Associação Brasileira do Comércio de Artigos para Festa (Asbrafe), o mercado de festas movimenta cerca de R$ 25 bilhões por ano e gera aproximadamente 95 mil empregos diretos no país.
A era da personalização
Se existe uma palavra capaz de resumir o momento atual do setor, ela é personalização. Nas festas infantis, por exemplo, a tendência já alterou completamente a composição dos eventos. Segundo Cincinato, houve uma redução do volume de produtos decorativos tradicionais, enquanto cresceram os itens criados sob medida para cada comemoração.
"Hoje as festas são muito mais traduzidas em personalização, balões e elementos que contam a história daquela criança ou daquela família", afirma.
Topos de bolo exclusivos, lembranças customizadas, embalagens personalizadas e peças produzidas em pequenas tiragens passaram a ocupar um espaço cada vez maior no mercado. O movimento também favoreceu gráficas rápidas, designers e pequenos empreendedores especializados em criar soluções sob demanda.
Outra tendência observada pelos especialistas é a busca por celebrações mais intimistas. Ao contrário do que pode parecer, a redução do tamanho das festas não significa um mercado menor. O que mudou foi a forma de distribuir os gastos. As famílias têm investido menos em grandes estruturas e mais em experiências, decoração afetiva e detalhes que transmitam identidade.
Para Daniel Galante, diretor-executivo da ABCasa, essa mudança está ligada à valorização dos momentos de convivência. "As pessoas estão investindo mais em comemorar com amigos e familiares. Existe uma valorização maior da celebração, da casa e dos momentos compartilhados", afirma.
O resultado é um mercado que se afasta dos modelos padronizados e se aproxima de experiências mais autênticas e emocionais.
Tecnologia e nostalgia
Se a personalização domina o presente, a tecnologia aponta caminhos para o futuro. Na Celebra Show, algumas das novidades incluem personagens animatrônicos, decorações interativas e itens capazes de responder ao público.
Entre os lançamentos apresentados está uma linha de pinhatas equipada com QR Code. Ao ser quebrada, a peça aciona automaticamente uma música escolhida pelo cliente, transformando o objeto em uma experiência interativa. A aposta é da Bam Festas, empresa que decidiu investir na fabricação nacional do produto após identificar espaço para inovação em um segmento ainda pouco explorado no Brasil.
"O setor está precisando de novidades. Está tudo muito parecido", afirma Gabriela Castro, fundadora da marca.
Outra tendência crescente é o resgate de elementos que despertam memória afetiva. Personagens clássicos, brinquedos antigos e referências dos anos 1980, 1990 e 2000 aparecem cada vez mais em festas infantis e eventos para adultos.
Segundo especialistas do setor, o consumidor busca criar conexões emocionais por meio da decoração, incorporando elementos que marcaram diferentes fases da vida. Essa nostalgia também se reflete no mercado de fantasias. A Fashion Fantasy, empresa carioca especializada em produtos voltados ao público geek e adulto, aposta justamente na transformação da fantasia em uma experiência imersiva. "O fã não quer apenas vestir uma roupa. Ele quer se transformar naquele personagem", explica a sócia Thaís Lagoas.
Produção nacional ganha espaço
Apesar da concorrência dos importados, o mercado de celebrações vive um movimento de fortalecimento da produção brasileira. Empresas vêm investindo em desenvolvimento próprio, licenciamento oficial de personagens, fabricação artesanal e identidade autoral para se diferenciar.
Para a ABCasa, essa mudança demonstra o amadurecimento de um setor que deixou de competir apenas por preço e passou a disputar espaço por criatividade, inovação e valor agregado.
"O mercado brasileiro possui uma capacidade única de unir criatividade, inovação e experiência. Hoje vemos empresas investindo em identidade própria e desenvolvimento nacional, fortalecendo toda a cadeia produtiva", afirma Cincinato.
Festa Junina ganha estética "instagramável"
As festas juninas continuam entre as principais datas do calendário de celebrações brasileiro, mas também passaram por um processo de modernização. Sem abandonar elementos tradicionais, como bandeirinhas, chapéus de palha e estampas xadrez, o setor tem apostado em releituras mais sofisticadas e personalizadas.
A tendência é combinar referências rurais com uma estética mais contemporânea, usando paletas de cores coordenadas, painéis personalizados, balões orgânicos e cenários pensados para fotos e compartilhamento nas redes sociais.
Segundo profissionais do setor, o consumidor busca festas que preservem a identidade cultural da data, mas que também proporcionem experiências visuais marcantes. O resultado são celebrações que misturam tradição, afeto e forte apelo estético.
Copa do Mundo movimenta decoração temática
Outro segmento que já mobiliza fabricantes e lojistas é a próxima Copa do Mundo. Na Celebra Show, expositores levaram artigos temáticos e soluções de decoração para quem pretende aproveitar o período de jogos como oportunidade de negócio, com opções para bares, restaurantes, condomínios e comemorações domésticas.
Para Daniel Galante, diretor-executivo da ABCasa, eventos esportivos de grande porte têm capacidade de impulsionar diversos segmentos do mercado de celebrações.
"Você tem Copa do Mundo, Halloween, Natal e outras datas que movimentam o setor. São ocasiões que estimulam encontros entre amigos e familiares e acabam gerando demanda por decoração, produtos temáticos e experiências", afirma.
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A expectativa do setor é que a Copa fortaleça uma tendência já observada nos últimos anos: a transformação de eventos esportivos em ocasiões de celebração, com ambientações cada vez mais elaboradas e personalizadas.