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Deportações de Trump não são para já, avalia Itamaraty
Em nota publicada no fim de semana, o Itamaraty reafirmou seu compromisso em monitorar de perto a situação e prestar assistência a cidadãos brasileiros
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21/01/2025 06:00
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Com Bruna Lima, Claudia de Jesus, João Pedroso de Campos e Tatiana Farah
Apesar da expectativa gerada em torno da posse de Donald Trump ontem, diplomatas da cúpula do Itamaraty avaliam como improvável a realização de deportações em massa imediatamente. Medidas na monta do que foi prometido por Trump na campanha requerem planejamento e preparo, não sendo factível que aconteçam hoje ou amanhã.
“A deportação de milhões de pessoas não ocorre da noite para o dia. O que pode acontecer são ações pontuais, com maior visibilidade e cobertura midiática, mas nada na escala prometida em campanha”, comentou um embaixador à coluna sob condição de anonimato.
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As declarações ocorrem em meio à crescente preocupação dos países latino-americanos com o tema. Na quinta-feira, 16, e na sexta-feira, 17, o governo brasileiro participou de um encontro multilateral sobre Mobilidade Humana na Rota Norte, na Cidade do México, que reuniu, além do país organizador, representantes de Belize, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Panamá e Venezuela. Sem citar os Estados Unidos, os países expressaram “séria preocupação” com as possíveis deportações em massa.
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- Embaixadora do Brasil em Washington já esteve com conselheiro de Segurança de Trump
A deportação em massa foi uma das promessas de campanha mais polêmicas de Trump, amplamente apoiada por 55% dos americanos, conforme pesquisa do “New York Times” em parceria com o instituto Ipsos e divulgada no sábado, 18. Contudo, a concretização dessa promessa enfrenta desafios práticos e jurídicos significativos, além de resistência de setores da sociedade civil e de líderes estaduais.
Em nota publicada no fim de semana, o Itamaraty reafirmou seu compromisso em monitorar de perto a situação e prestar assistência a cidadãos brasileiros. Embora o comunicado não faça menção direta ao novo governo americano, a preocupação com os impactos das políticas de Trump é evidente.
A propósito, a embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, já esteve com o novo conselheiro de Segurança Nacional, Mike Waltz.
O encontro foi em dezembro, em um evento onde estavam diversos embaixadores. A conversa de Viotti e Waltz foi rápida. O americano demonstrou interesse no Brasil e em dialogar com o país. Waltz é marido de Julia Nesheiwat, que ocupou o mesmo cargo durante o primeiro mandato de Trump. É um veterano de guerra e crítico da China, país que a gestão Trump quer manter distante de suas áreas de influência, a exemplo da América Latina.
Viotti vem se preparando – e preparando a embaixada – há tempos para o novo governo Trump, mesmo antes da vitória em novembro. Ainda no governo Biden, a embaixadora começou a aprofundar laços com os republicanos. A embaixadora também dispõe de um aliado importante na nova fase de seu trabalho, a partir de hoje: seu caderninho de telefones. Viotti foi chefe de gabinete do António Guterres na ONU.
Tarcísio…
O entorno de Tarcísio de Freitas inclui dois tipos de aliados: os que aceitaram pelo valor de face quando o governador paulista diz que vai tentar a reeleição em 2026 e os que acham que ele vai jogar parado em relação a uma candidatura presidencial para, só muito mais à frente, decidir por qual caminho vai enveredar realmente. O segundo grupo ganhou nessa segunda-feira, 20, mais subsídios para basear suas percepções a respeito de eventuais pretensões presidenciais de Tarcísio.
… e o boné
Entre essa turma, o gesto do governador de São Paulo de comemorar a posse de Donald Trump usando o boné “Make America Great Again”, um dos símbolos do trumpismo, foi visto como aceno ao bolsonarismo mais ideológico tendo em vista uma possível corrida ao Planalto. Integrantes do outro grupo, o que defende a permanência do governador no Palácio dos Bandeirantes para acumular musculatura política até 2030, não deram essa importância toda ao boné vermelho.
Disputa paralela
A chegada da Operação Overclean ao STF acabou colocando no contexto do rumoroso caso de corrupção dois nomes que protagonizam, em lados opostos, os bastidores da disputa por uma vaga no STJ: Kassio Nunes Marques e a desembargadora Daniele Maranhão, do TRF-1. É que Daniele, responsável pela decisão que tirou da cadeia os alvos da Overclean, incluindo o empresário José Marcos de Moura, o “Rei do lixo”, em dezembro, concorre à cadeira no STJ com o desembargador Carlos Brandão, também do TRF-1. Kassio tem feito campanha por Brandão. Entre os apoiadores da magistrada está Gilmar Mendes.
Passado político
Sidônio Palmeira tem dito que não é da política e sim da publicidade, mas nem sempre foi assim. Estudante de engenharia mecânica nos anos 1980, ele foi líder no movimento de estudantes da UFBA, em Salvador. O ministro da Secom chegou a ser vice-presidente do DCE da universidade e militou ombro a ombro com o deputado Zé Neto (PT-BA) e a deputada Lídice da Mata (PSB-BA). Sidônio fazia parte do grupo Direção, que reunia a esquerda do MDB, o PCB e o PCdoB, do qual o publicitário era mais próximo, e o recém-criado PT.
As cartas do boom
Com anos de atraso, deve chegar este ano às prateleiras brasileiras o livro que reúne 207 cartas trocadas entre Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, Julio Cortázar e Carlos Fuentes, quatro grandes protagonistas do movimento literário que sacudiu a América Latina e o mundo nas décadas de 1960 e 1970. A correspondência revela detalhes da amizade, das divergências políticas e das obsessões pessoais em meio ao processo de criação dos quatro. O livro se inicia em 1955, quando Fuentes e Cortázar se encontraram em uma livraria, e vai até 2012, ano em que Fuentes, aos 85 anos, se despediu carinhosamente de García Márquez como “seu amigo de sempre”. Sairá pela editora Record.