POLÊMICA DE NOSSA SENHORA

Biondini: Brasil 'nunca deixará de ter' Nossa Senhora como padroeira

Deputado federal vê polêmica envolvendo suposta retirada de Nossa Senhora Aparecida como padroeira como uma tentativa da esqurda de enfraquecer candidatura de Flávio Bolsonaro

Publicidade
Carregando...

O deputado federal Eros Biondini (PL-MG) defende que é mentira a afirmação de que a frente bolsonarista vai retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Ele defendeu que o país “nunca deixará de ter” a santa como padroeira e que a polêmica foi “uma tentativa da esquerda de enfraquecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-SP)”. A declaração foi feita em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, na tarde desta segunda-feira (28/9), em meio à polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a legenda bolsonarista.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Na última semana, uma apuração da GloboNews sobre a reação de setores da Igreja Católica a uma articulação de grupos evangélicos de tentar retirar a santa como padroeira do país tomou contornos fortes na polarização eleitoral no país. O projeto de lei em questão, porém, foi apresentado em 2007 e arquivado em 2008. Posteriormente, a emissora se posicionou e pediu desculpas pelo erro.

A discussão foi associada a Flávio Bolsonaro que declarou ainda na pré-campanha que, se eleito presidente, consagraria o Brasil a Jesus Cristo. Desde então, a discussão se tornou o terceiro maior evento político do ano, levando o candidato a acusar membros do PT e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de promoverem fake news para prejudicá-lo na disputa presidencial. 

Por sua vez, a entidade rebateu que “a mentira não se combate com mentira”, que não integra estruturas político-partidárias e que se manifesta sobre eleições a partir de princípios expressos em documentos, “orientados pela dignidade humana, pelo bem comum, pela democracia e pela liberdade de consciência”. O parlamentar preferiu não comentar sobre esta parte da polêmica.

Biondini, que concorre à reeleição para seu quinto mandato, é um dos coordenadores da Frente Parlamentar Católica na Câmara dos Deputados, além de ser cantor gospel, ex-apresentador de programa na emissora católica Canção Nova, fundador da “Comunidade Mundo Novo” e idealizador do evento católico “Cristo é o Show”, que neste ano teve público de 80 mil pessoas no Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.

Ao EM, o parlamentar defendeu que a proclamação de Nossa Senhora da Conceição Aparecida como padroeira do Brasil, feita em decreto pelo Papa Pio XI em 1930, “é um ato da autoridade eclesiástica da Igreja Católica”, o que faz com que o Governo Federal e o Congresso não terem competência para anulá-lo”.

“A própria Constituição impede o Estado de interferir no funcionamento das igrejas e protege a liberdade religiosa”, declarou Eros.

Consagração a Jesus já aconteceu em 1931

O deputado federal também foi o idealizador da cerimônia de consagração do Brasil ao Imaculado Coração de Maria no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro (PL). Segundo o parlamentar, consagrar o país a Jesus Cristo “não compete nada com a consagração feita à Nossa Senhora e com o título de padroeira do Brasil”. Eros defendeu que, historicamente, o país já foi consagrado a Jesus Cristo durante a inauguração da estátua do Cristo Redentor, no Corcovado, em 1931, pelo cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Sebastião Leme. 

“A fórmula da consagração dizia: “eis a vossos pés representado o Brasil, a Terra de Santa Cruz, que se consagra solenemente a vosso Coração sacratíssimo e vos reconhece para sempre seu Rei e Senhor.” Portanto, pode-se dizer historicamente que o Brasil já foi consagrado a Jesus Cristo e reconhecido solenemente como tendo Cristo por “Rei e Senhor”, dentro de um ato de consagração ao Sagrado Coração de Jesus”, argumentou à reportagem.

Decisão do STF foi “absurdo total”

Nesse domingo (27), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino derrubou uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que havia determinado a retirada de uma publicação do humorista Antonio Tabet relacionada à polêmica envolvendo Flávio e Nossa Senhora. No X (antigo Twitter), ele escreveu: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”. A postagem não citava nominalmente Flávio Bolsonaro ou integrantes de sua família.

Na determinação, foi estabelecido que as plataformas digitais restabeleçam a postagem de Tabet e outros conteúdos que tenham sido excluídos pelo mesmo fundamento, sob a justificativa de que as medidas adotadas pela Justiça Eleitoral avançaram sobre as liberdades de expressão e religiosa.

Para Biondini, a decisão é um “absurdo total”. “É um absurdo total o ministro Dino permitir a divulgação dessa fake news, sendo que a própria jornalista que noticiou se retratou afirmando não ser verdadeira essa informação”, afirmou.

Efeito no eleitorado

O parlamentar também declarou que foi “uma tentativa da esquerda de enfraquecer a candidatura de Flávio Bolsonaro através dessa fake news”. Nova pesquisa Quaest, realizada entre os dias 24 e 27 de setembro e divulgada nesta segunda-feira, mostrou uma oscilação de apoio entre grupos religiosos às candidaturas do “filho 01” de Jair Bolsonaro e o atual presidente da República, candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com o levantamento, o apoio de católicos a ambos os candidatos aumentou em termos de porcentagem. Em relação ao candidato da direita, o apoio no grupo passou de 27% para 29%. As sinalizações de voto a Lula também aumentaram: de 43% passou a 48%.

Dentre os evangélicos, porém, o movimento teve direções opostas. Enquanto o apoio ao atual presidente aumentou de 23% para 27%, as sinalizações de voto para Flávio passaram de 49% para 46%.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

A mesma pesquisa mostra um cenário de primeiro turno com Lula conquistando 39% das intenções de voto contra 34% de Flávio, ao passo que o cenário de segundo turno com os dois mostra um empate técnico, com ambos com 42% das intenções.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay