‘Até máfia tem código de ética’, disse Gilmar sobre Mendonça
Gilmar afirmou que o afastamento de Andrei Rodrigues por Mendonça foi uma atitude "covarde" e "vil" e comparou a medida a uma "relação de máfia"
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O ministro Gilmar Mendes criticou a atuação do ministro André Mendonça ao afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em meio a suspeitas de irregularidades, e a definiu como “relação de máfia”. A afirmação foi feita na sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que define se deverá ser aberta ou não uma investigação sobre supostas relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, nesta terça-feira (15/9).
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“Eu protejo você. Relação de máfia. Isso não se faz, não é ambiente de pessoas dignas. Desculpe a sinceridade, presidente, mas as coisas precisam ser chamadas pelo nome. Não se pode submeter, mesmo o colega que esteja eventualmente envolvido, que teve um filho, não pode estar submetido a esse tipo de vexame. É uma atitude covarde, vil. Já disse isso em outro momento, até a máfia tem ética. É preciso ter decência”, afirmou Gilmar.
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Na visão dele, “não se comporta dessa forma”. “Um tribunal que isso admite já não delibera com liberdade. As pessoas estão submetidas, submissas, entregues a esse tipo de vilipêndio”, argumentou.
“Qualquer cidadão que tenha o mínimo de noção do que significa a Polícia Federal, que é um órgão armado, submetido à hierarquia, não faria afastamento de um diretor-geral da Polícia. É como afastar o diretor ou o presidente da NASA, ou tirar o comandante do Exército. Não se faz.
O sujeito tem que se algemar antes de fazer esse tipo de coisa. Quando ele tiver a tentação, tem que pedir que Deus lhe interceda, e não faça. Porque, de fato, submeter a uma instituição que já vive todos os problemas que tem a esse tipo de vexame é de uma falta de noção, de uma gravidade que eu jamais senti", afirmou Gilmar.
Como resposta, o ministro Luiz Fux, presidente da Segunda Turma, afirmou que seu grupo identificou irregularidades na atuação de Andrei Rodrigues e argumentou que “nenhum órgão pode peitar o STF”.
A decisão pelo afastamento também foi criticada por Moraes, que acusou Mendonça de atuar a favor do grupo bolsonarista que atuou para dar um golpe de Estado após a derrota nas eleições presidenciais de 2022. Ele também afirmou que Mendonça atuou para tentar incluí-lo na delação premiada de Vorcaro. “Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a PF colocasse um colega na colaboração premiada?”, questionou.
Afastamento da direção da PF
Na última semana, Mendonça afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, diante de indícios de irregularidades na produção de relatórios atribuídos à estrutura de inteligência da corporação. Na decisão, ele pontuou possível falha no cumprimento das regras internas que disciplinam a atividade de inteligência policial e estabelecem limites para a coleta, análise e disseminação de informações.
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A decisão do afastamento foi anulada pelo ministro Flávio Dino, que determinação a reintegração imediata de Andrei e Leandro. Ao analisar pedido de Andrei, que questionava pedido do Partido Novo pelo afastamento, Dino afirmou que a legenda não tinha legitimidade para solicitar uma medida cautelar penal contra o diretor-geral da corporação. O ministro também questionou a competência de Mendonça para decidir sobre o caso individualmente e relembrou sobre sessão já marcada para análise dos relatórios da PF.