Alexandre de Moraes se defende e acusa Mendonça de 'farsa montada'
Veja os argumentos do ministro contra a investigação sobre a relação com o banqueiro Vorcaro e por que ele acusa colega de 'vingança política'
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Após 15 dias de silêncio, o ministro Alexandre de Moraes defendeu-se das suspeitas sobre seu relacionamento com o banqueiro Daniel Vorcaro. A relação foi evidenciada pela revelação de supostas mensagens trocadas com o dono do Banco Master.
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Em uma petição de 44 páginas, Moraes afirmou ser alvo de uma “farsa montada” e que todos sabem a “motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras”. Ele mencionou uma “vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e foram condenados”, em alusão ao núcleo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
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A defesa foi entregue ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, pouco antes do julgamento que decidirá pela abertura ou arquivamento da investigação. Moraes argumenta que a apuração é ilegal por não ter um pedido da Procuradoria-Geral da República nem autorização do plenário da Corte.
A relação entre Moraes e Vorcaro inclui pedidos do banqueiro para que o ministro interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal e ao procurador-geral da República. O objetivo seria conter investigações sobre negócios fraudulentos do Banco Master.
As apurações também apontam a participação do ministro na edição de um contrato de R$ 131 milhões entre sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro. Outros pontos são conversas sobre uma possível saída do banqueiro do país, cobranças sobre pagamentos ao escritório Barci de Moraes e a autorização de cartões de crédito de R$ 300 mil para os filhos do ministro.
Moraes não abordou o conteúdo das mensagens, mas questionou a suposta “ilegalidade” e o “direcionamento enviesado” do relatório da Polícia Federal, produzido sob a relatoria do ministro André Mendonça. O argumento central é a anulação do documento.
Segundo Moraes, o relatório é “duplamente nulo”. Primeiro, por derivar de uma determinação judicial que considera “incompetente e ilegal”. Segundo, por seu conteúdo, classificado como baseado em “ilações sem qualquer comprovação”, com “flagrante desvio de finalidade” e uso de “recortes de fragmentos”.
"Não há, no documento, um único dado bruto. Há imagens de recortes, cortadas por quem os recortou, legendadas por quem os cortou", diz o texto.
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Moraes usa caso Nabas para se defender
Para sua defesa, o ministro recorreu ao caso do perito criminal João Cláudio Nabas. A PF informou a André Mendonça em maio que Nabas produziu arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” com base em citações encontradas no celular de Vorcaro. O perito também teria sugerido a colegas o vazamento do material.
Nabas foi alvo de um mandado de busca e apreensão por suspeita de violação de sigilo funcional e, após a operação, foi afastado de suas funções. Moraes alega que, desde então, Mendonça tinha “conhecimento formal” de que seu nome aparecia na documentação.
Na petição, Moraes afirma que Mendonça não encaminhou o caso ao plenário porque pretendia “realizar uma ilegal investigação no momento político-eleitoral que entendesse mais oportuno”.
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Moraes acusa o colega de ter aguardado a véspera do comício de 7 de setembro para “produzir sua farsa”. Ele alega que o direcionamento da investigação visava incriminar um colega do STF e o presidente do Senado, além de favorecer um grupo político nas eleições de 2026.