DIÁLOGO

Wagner Moura critica polarização política: 'Ameaça à democracia'

Em entrevista a Pedro Bial, ator afirmou que está cansado dos ataques por suas posições políticas e defendeu a importância do diálogo e da justiça social

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Wagner Moura fez um alerta sobre os efeitos da polarização política na democracia durante participação no “Conversa com Bial”, exibido na noite dessa terça-feira (4/8), na TV Globo. Em entrevista gravada em Atenas, na Grécia, onde está em turnê com a peça “O julgamento”, o ator afirmou que o cenário atual é mais preocupante do que em outros momentos de divergência política porque, segundo ele, as pessoas deixaram de compartilhar os mesmos fatos.

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Ao comentar a importância da tolerância em uma democracia, Moura disse que o maior problema está na forma como diferentes grupos passaram a enxergar a realidade. "O que, para mim, é assustador é que a gente não está vendo mais a realidade da mesma forma. Eu lembro de uma época em que a esquerda e direita brigavam e discutiam, mas a gente estava vendo o mesmo fato. Hoje, os fatos não importam mais", afirmou ao apresentador Pedro Bial.

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Na avaliação do ator, quando os fatos deixam de ser reconhecidos coletivamente e passam a existir apenas diferentes versões da realidade, a própria democracia fica ameaçada. "Se os fatos deixam de ser relevantes e passam a existir versões da realidade, eu tenho a minha realidade e você tem a sua realidade... A maior ameaça à democracia é a polarização política", declarou.

Wagner contou que aprofundou esse tema durante a preparação para o filme “Guerra civil” (2024). "Eu estudei muito sobre o que leva países a deixarem de ser democráticos, e a polarização política, o descrédito no governo estão no topo da lista", explicou.

Segundo ele, esse cenário abre espaço para o fortalecimento de líderes autoritários. "Por isso que governos autoritários tendem a aparecer como caras que não são da política, fora do sistema. E você vai descredibilizando o sistema democrático”, apontou.

"Estou cansado de ser odiado"

Durante a conversa, Wagner Moura também falou sobre o desgaste provocado pelas críticas que recebe por causa de suas posições políticas. Apesar do cansaço, afirmou que não pretende deixar de expressar suas opiniões.

"É um clichê, mas é verdade: no final, o que importa é o amor. É o afeto, o que a gente sente pelas pessoas que estão próximas e, se a gente tiver empatia suficiente, os outros, inclusive os que pensam diferente da gente. Eu vou ficando cansado, eu já estou cansado de ser odiado por uma galera. É cansativo”, defendeu.

Em seguida, reforçou que continuará se posicionando publicamente. "Eu vou morrer dizendo as coisas que eu acho. E posso estar errado, mas minha natureza é achar uma coisa e dizer o que eu acho. É cansativo, cara”, reafirmou.

Ator rebate críticas por defender pautas sociais

O artista também respondeu às críticas de quem questiona o fato de defender pautas ligadas à justiça social após alcançar sucesso financeiro.

Segundo Moura, prosperar profissionalmente não muda suas convicções e sua própria trajetória foi possível graças a políticas públicas de incentivo à cultura.

"O cara diz: 'Você prosperou na sua carreira como ator, conseguiu dinheiro para comprar suas coisas'. Quando eu estava em Rodelas, fui pobre, aí eu poderia ser de esquerda. Parece que tem um portal que você passa. Eu queria saber qual é o teto, quanto você precisa ganhar para deixar de acreditar em justiça social?", questionou.

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Na sequência, ele relembrou o início da carreira na Bahia. "Eu sou o mesmo cara que estava em Rodelas, onde tinha trabalho escravo. Eu prosperei porque, em Salvador, nos anos 1990, tinha Lei de Incentivo à Cultura. Fez com que eu, Vladimir Brichta, Lázaro Ramos, a gente pudesse trabalhar, ter uma história e carreira como ator. Eu prosperei como ator por isso”, afirmou.

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