ELEIÇÕES 2026

Camilo Santana defende que PT abra mão de candidatura própria em Minas

Coordenador da campanha de Lula afirma que desgaste do governo Pimentel reduz viabilidade eleitoral da legenda e cobra definição do palanque no estado

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A menos de duas semanas do início das convenções partidárias, o senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e integrante da coordenação da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o Partido dos Trabalhadores deveria abrir mão de candidatura própria ao governo de Minas Gerais.

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Para ele, a melhor estratégia para fortalecer o palanque do presidente no segundo maior colégio eleitoral do país é apoiar um nome de um partido aliado, diante da avaliação negativa deixada pela gestão do ex-governador Fernando Pimentel (PT).

Segundo Camilo, o desempenho do governo petista entre 2015 e 2018 ainda pesa sobre a imagem da legenda no estado e compromete sua competitividade na disputa pelo Palácio Tiradentes. "Esse é um dos motivos pelos quais defendo que não seja um nome do PT, por conta do resultado do governo do Pimentel. Mesmo levando em conta todas as justificativas da época, as dívidas com a União, a avaliação do PT por lá foi muito ruim. Não é risco de fiasco, mas a melhor estratégia para Minas é ter um candidato que não seja do partido, que seja do arco de alianças", disse o ex-ministro em entrevista ao jornal O Globo.

Santana classificou a definição do palanque mineiro como sua principal preocupação neste momento da organização da campanha presidencial. "Para fortalecer a campanha do presidente Lula em Minas é importante ter um arco de alianças maior, com candidatos que possam ter viabilidade eleitoral."

Questionado sobre nomes como o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares (PSB) e o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB), Camilo afirmou que as conversas seguem em andamento. "O Edinho está conversando com todos, mas claro que é importante ouvir o PT do estado, porque as realidades são distintas."

Impasse às vésperas das convenções

As declarações de Camilo ocorrem em meio ao impasse do PT mineiro sobre quem disputará o governo estadual. Faltando menos de duas semanas para o início das convenções, marcado para 20 de julho, a legenda ainda não definiu seu candidato ao Palácio Tiradentes.

A discussão voltou à mesa nesta semana, durante reunião realizada pelo presidente Lula com cerca de 30 integrantes da coordenação nacional de campanha, no Palácio da Alvorada. Participaram do encontro Camilo Santana, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o ex-ministro Gilberto Carvalho.

Segundo interlocutores, Lula voltou a cobrar uma definição para o palanque em Minas, considerado estratégico para a disputa presidencial. Durante a reunião, Edinho manifestou expectativa de que o impasse seja resolvido ainda nesta semana.

Foi nesse contexto que surgiu o nome do deputado federal e ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias (PT) como uma das alternativas avaliadas pela direção nacional.

Patrus mantém plano de disputar reeleição

Procurado pelo Estado de Minas, Patrus afirmou, por meio de sua assessoria, que não foi procurado oficialmente pelo partido para discutir uma eventual candidatura ao governo. Segundo a equipe do parlamentar, ele mantém sua pré-candidatura à reeleição para a Câmara dos Deputados e segue cumprindo normalmente sua agenda eleitoral. No último sábado (4/7), inclusive, participou do lançamento de sua pré-campanha em Belo Horizonte.

Resistência interna

O impasse começou ainda em junho, quando a direção estadual do PT aprovou resolução em defesa de uma candidatura própria, após reunião da cúpula partidária com Lula, em Brasília. Na ocasião, o presidente pediu aos dirigentes que tentassem convencer a ex-prefeita de Contagem Marília Campos a trocar sua pré-candidatura ao Senado pela disputa ao governo estadual.

Marília recusou o convite e classificou a estratégia do partido como um "equívoco", defendendo uma composição com partidos da federação e da base aliada do presidente. Camilo afirmou respeitar a decisão da ex-prefeita, mas disse que, em determinados momentos, lideranças precisam assumir missões eleitorais.

"Respeito a decisão pessoal dela, mas acho que há determinados momentos que tem missão a cumprir. O próprio Haddad não queria ser candidato em São Paulo e é um nome importante, com viabilidade. O resultado só temos quando termina o jogo. O nome mais competitivo hoje do PT seria Marília e ela tem resistido, colocado o nome dela para o Senado."

Lista de alternativas segue aberta

Sem Marília, o partido voltou a discutir outros nomes que já vinham sendo considerados enquanto aguardava uma definição do senador Rodrigo Pacheco (PSB), que acabou ficando fora da disputa.

Entre os cotados aparecem a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão; a ex-ministra dos Direitos Humanos Macaé Evaristo; os deputados federais Paulo Guedes, Reginaldo Lopes e Rogério Correia; além da ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais Sandra Goulart, que declarou ao Estado de Minas estar à disposição caso seja escolhida.

O PT também chegou a buscar diálogo com o MDB de Gabriel Azevedo e com o PSB de Jarbas Soares, possibilidade defendida por Marília Campos. Já uma nova aliança com Alexandre Kalil (PDT), candidato apoiado por Lula em 2022, foi descartada pela legenda.

Internamente, a construção de uma candidatura própria é vista como uma tentativa de recuperar espaço na disputa pelo governo de Minas. Desde a fundação do partido, em 1980, apenas Fernando Pimentel conseguiu eleger-se governador do estado.

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Sua administração terminou marcada pelo desgaste provocado, entre outros fatores, pelos atrasos no pagamento de servidores e nos repasses aos municípios, cenário citado por Camilo Santana como um dos principais obstáculos à viabilidade eleitoral do PT em Minas.

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