A Polícia Federal (PF), por meio da Operação Compliance Zero, estuda envolver a Interpol - Organização Internacional de Polícia Criminal -, nos trâmites das investigações sobre as ações de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, no exterior. 

A operação está em sua quinta fase e investiga uma organização criminosa suspeita de praticar intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos, além de fraudes bilionárias envolvendo a agora liquidada instituição financeira.

De acordo com o jornal O Globo, a instituição brasileira considera incluir Vorcaro na difusão prateada da Polícia Internacional, de maneira a identificar e bloquear remessas de ativos do empresário para fora do país.

Com isso, caso a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Supremo Tribunal Federal (STF) concordem e as autoridades estadunidenses aprovem, a estratégia da Polícia Federal é rastrear o caminho dos valores enviados pelo ex-banqueiro aos Estados Unidos que podem ter sido usados para financiar o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “Dark Horse”.

Investigações da PF indicam que Vorcaro teria enviado para esse financiamento cerca de R$ 60 milhões ao fundo “Havengate Development Fund LP”, controlado nos EUA pelo advogado defensor da família Bolsonaro, Emílio Dal-Bó. O intermediário das remessas teria sido o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho de Jair.

Vorcaro tenta há meses propostas de delação premiada à PF e à PGR. Uma nova proposta, divulgada pelo blog de Débora Bergamasco na CNN, inclui uma citação a Flávio e a negociação sobre o investimento em Dark Horse. Segundo fontes da jornalista, o ex-banqueiro teria narrado pedidos e cobranças de Flávio e repasses que totalizaram R$ 61 milhões. No último mês, o site The Intercept Brasil divulgou áudios em que o presidenciável cobrou R$ 134 milhões do banqueiro para o custeamento do longa. 

Análises de declarações da representante da produtora responsável pelo filme, Go Up, e do próprio Flávio, mostram que mais de 90% do filme foi bancado pelo ex-banqueiro. Outra linha de investigação apura se os valores foram usados para custear a estadia no país de Eduardo Bolsonaro (PL), ex-deputado federal e “filho 03” do ex-presidente. O senador Flávio negou que o dinheiro tenha sido enviado ao irmão.

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Segundo o jornal, o diretor-geral da PF, delegado Andrei Rodrigues, avalia se é necessário instaurar um inquérito exclusivo para identificar se o dinheiro enviado por Vorcaro aos Estados foi, de fato, usado também para custear o filme sobre Bolsonaro. Caso aprovada a investigação, o caso pode ficar sob relatoria do ministro André Mendonça, que é responsável pela investigação da Compliance Zero no STF, ou de Alexandre de Moraes, que é relator das investigações que envolvem Eduardo Bolsonaro.

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