A dois meses do prazo final para a realização das convenções partidárias, que irão oficializar as candidaturas e coligações para as eleições, a indefinição ainda é a tônica das articulações em Minas Gerais. Líder nas pesquisas da disputa pelo Palácio Tiradentes e nome cotado para ser o palanque bolsonarista no estado, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) não pretende tomar uma decisão tão cedo. “Só depois da Copa”, sinalizou em entrevista veiculada nesta sexta-feira (5/6), poucos dias depois de uma reunião com a cúpula do PL, que cravou um prazo de 'alguns dias' para ele bater o martelo sobre o pleito."
A cena, em certa medida, repete o já visto no campo progressista, que ficou à espera do senador Rodrigo Pacheco (PSB) para liderar o projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas e agora avalia nomes para candidatura própria, ainda que sem fechar as portas para possíveis alianças.
Em entrevista ao jornal O Globo, Cleitinho minimizou a pressão por resposta e disse que o mistério em torno da candidatura é deliberado. “Só vou decidir depois, em junho eu quero é ver os jogos da Copa”, afirmou à newsletter Jogo Político. “Se eu fico falando que sou, perde o encanto. É tipo o que acontece com os artistas. O cantor chega para um show e vai para o camarim, oras, não fica andando lá no meio do povo. Senão as pessoas dão uma brochada. É tudo estratégia minha”, declarou.
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O texto publicado por O Globo não informa quando as declarações foram concedidas. O conteúdo, no entanto, reforça a disposição do senador de prolongar o suspense, em contraste com o cronograma traçado pelo PL mineiro, que decidiu no mês passado priorizar uma aliança com Cleitinho para a disputa ao governo, deixando em segundo plano as conversas costuradas em torno da reeleição do governador Mateus Simões (PSD).
Como mostrou nesta terça-feira (4/6) o Estado de Minas, dirigentes da sigla aguardam uma resposta de Cleitinho nos próximos dias para definir o rumo do palanque do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência. O tema esteve na pauta de uma reunião realizada na quarta-feira (3/6), durante a passagem do “filho 01” de Bolsonaro em Minas. O senador fluminense cumpriu três dias de agenda no estado e, em diferentes entrevistas, reiterou sua preferência pelo nome de Cleitinho para encabeçar a chapa bolsonarista. Os dois, porém, só se encontraram no último dia da visita.
Sem aparições conjuntas em eventos públicos, participaram de uma reunião reservada em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, ao lado dos deputados federais Nikolas Ferreira e Domingos Sávio, além do ex-prefeito da cidade, Luís Eduardo Falcão (Republicanos). Anfitrião do encontro, Falcão é cotado para ser vice de Cleitinho, opção que recebeu o aval de Flávio durante o encontro.
A preocupação da legenda agora é evitar que a indefinição se estenda até o período das convenções partidárias, previsto para começar em 20 de julho. “Não podemos deixar isso para a véspera da convenção. Porque, se porventura o Cleitinho não for, a gente tem uma responsabilidade com Minas e com o Brasil. A gente tem que tomar uma decisão”, afirmou anteontem Domingos Sávio ao EM.
PL mantém prazo
Na conversa, Cleitinho teria reafirmado a disposição em concorrer, mas pediu alguns dias “para conversar com a família e terminar de avaliar”. Procurado, Domingos Sávio afirmou que o entendimento firmado no encontro permanece de pé. “Ficou combinado que serão só mais alguns dias”, disse, ressaltando que outras definições do partido ainda vão depender do nome lançado ao governo. A expectativa, segundo Sávio, é a de que a resposta de Cleitinho seja dada até o fim da próxima semana.
Entre as definições que ficaram para depois do “ok” de Cleitinho, estão a composição da chapa e o nome do vice. Caso a resposta seja negativa, o caminho mais provável para o PL será lançar um nome do próprio partido, com ddois recém-filiados à disposição: o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli e o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe.
Ao comentar a possibilidade de entrar na corrida pelo Palácio Tiradentes, Cleitinho disse ainda que não faz “nenhuma questão” de ser candidato. “Mas está virando uma onda o meu nome. Como é que eu não venho a governador agora? Só que eu não preciso ficar latindo que sou candidato, não. Quem tem que fazer isso é quem está lá atrás nas pesquisas”, declarou.
A postura representa uma mudança de tom em relação ao início do ano. Em fevereiro, após receber críticas de adversários que o classificaram como “despreparado” para comandar o estado, Cleitinho afirmou que “não abriria mão da candidatura ao governo”.
Perguntado sobre as chances de entrar na disputa, o parlamentar foi evasivo. “Hoje, onze. Amanhã pode ser um”, disse ao Globo. Na sequência, admitiu que ingressou na política “para aparecer” e que queria mesmo era “ser famoso”. “Na verdade, queria ser comentarista de futebol ou apresentador de TV igual ao Ratinho. Se um dia tiver uma proposta, largo essa merda aqui”, afirmou. Procurado pelo EM para comentar as declarações, o senador não respondeu até o fechamento desta edição.
Atritos com o próprio partido
Na entrevista ao "Globo", Cleitinho ainda colocou em dúvida o apoio de seu partido em uma eventual candidatura sua ao governo de Minas. Apesar de afirmar que o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, garante que lhe concederá a legenda, o senador disse não confiar na promessa. “Ele garante que me dará a legenda para me candidatar, mas não confio 100%. Não sou amigo dele, tenho nojo de qualquer coisa que envolva partido”, afirmou.
Cleitinho também criticou a estratégia da legenda de apostar no ex-deputado federal Eduardo Cunha como puxador de votos para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais. Ele classificou o correligionário como “vagabundo” e disse que pretende “fazer campanha contra” o ex-presidente da Câmara. Na mesma entrevista, ele ainda chamou o líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, figura com forte influência nos rumos da legenda, de “falso profeta”.
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*Com informações de Andrei Megre
