ELEIÇÕES 2026

Simões diz que candidatura de Cleitinho ao governo de MG é ‘pouco provável'

Em entrevista exclusiva ao EM, governador afirma que senador não tem experiência administrativa e vê cenário favorável na disputa pela sucessão em Minas

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O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), afirmou considerar “pouco provável” que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) dispute o Palácio Tiradentes nas eleições de 2026. Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, nesta sexta-feira (29/5), Simões avaliou que o parlamentar ainda não deu sinais concretos de candidatura e apontou dificuldades administrativas e fiscais do estado como obstáculos para uma eventual entrada do senador na corrida eleitoral.

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“Eu acho pouco provável que o Cleitinho seja candidato, tanto é que ele nunca afirmou publicamente que é candidato. Sempre fala: ‘Eu posso ser, se eu quiser’”, disse o governador.

Embora lidere as pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas, Cleitinho ainda não confirmou se disputará o Palácio Tiradentes em 2026. Publicamente, o senador tem afirmado que deixará a decisão para mais perto do período eleitoral, apesar de destacar, de forma recorrente, o apoio recebido nas sondagens e o apelo de eleitores para que entre na disputa. Nas redes sociais, o parlamentar também costuma rebater críticas sobre uma eventual falta de preparo para assumir o comando do estado.

Simões assumiu o comando do Executivo mineiro em 22 de março, após a renúncia de Romeu Zema (Novo), que deixou o cargo para disputar a Presidência da República. Pré-candidato ao governo estadual, o atual chefe do Executivo afirmou enxergar espaço para crescimento eleitoral nos próximos meses e comparou sua situação à de outros vice-governadores que disputaram sucessões estaduais ou municipais.

“Comparativamente com Ricardo Nunes, Fuad Noman e Antonio Anastasia, que foram vice candidatos à sucessão, a minha situação hoje é melhor. Todos chegaram às eleições com menos de dois dígitos nas pesquisas e com adversários colocados”, afirmou.

Segundo ele, a indefinição de candidaturas no campo da esquerda e a ausência de adversários consolidados favorecem sua pré-campanha. “Quase 70% dos eleitores continuam dizendo que não sabem em quem vão votar para governador. Eles estão mais preocupados com a disputa nacional”, disse.

Ao comentar a possibilidade de candidatura de Cleitinho, Simões afirmou que o senador teria consciência das dificuldades de administrar Minas Gerais diante do cenário fiscal do estado. “Você ser muito verbal, muito vocal, como o senador Cleitinho é, e depois ter que lidar com uma administração que tem que dizer ‘não’, é muito difícil. Ele sabe disso”, declarou.

O governador também apontou a ausência de experiência administrativa do senador como um fator que pesaria contra uma candidatura ao Executivo estadual. “O senador não teve vivência administrativa. Ele também sabe que isso é um problema”, afirmou.

Simões revelou ainda manter diálogo frequente com Cleitinho e disse já ter convidado o senador a se aproximar mais da administração estadual. Segundo ele, ambos estiveram “do mesmo lado” nas últimas eleições e não haveria motivo para um rompimento em 2026, caso o parlamentar decida não disputar o Palácio Tiradentes.

“Eu e o Cleitinho nunca tivemos lados opostos. Não vejo por que a gente não estaria junto agora”, respondeu, ao comentar uma eventual desistência do senador e a possibilidade de apoio à sua candidatura.

Apoio do União-PP

Na entrevista, o governador também demonstrou confiança no apoio da federação União Progressista – formada por União Brasil e PP – à sua candidatura. A declaração ocorre após críticas feitas pelo prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), ao governo Zema e à gestão estadual na capital mineira.

Simões afirmou que o apoio já foi assegurado pelos presidentes nacionais das siglas e pelas bancadas federais dos partidos. “Nunca vi um representante local ter condição de desautorizar uma decisão nacional de um partido. Não tenho dúvida de que o PP e União estão comigo, porque isso foi garantido pelos dois presidentes. É repetido tiro pelas bancadas. O candidato deles ao Senado está comigo há todo o tempo, desde as eleições passadas”, afirmou.

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Para o governador, as divergências locais acabam ampliando o ruído político em torno da aliança. “Me surpreenderia muito se duas estruturas desse tamanho resolvessem jogar a palavra delas fora, porque, em política, a única coisa que o político tem é a palavra dele. Político que não tem palavra sobra pouca coisa para ele depois”, completou.

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