O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, na noite dessa sexta-feira (15/5), que não irá “se curvar diante das mentiras” dirigidas contra ele, em meio à repercussão da divulgação de áudios sobre pedidos de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Durante agenda em Campinas, no interior de São Paulo, Flávio declarou que está “mais motivado do que nunca” diante das críticas e associou os ataques ao campo político adversário. “AQUI TEM SANGUE DE BOLSONARO! E eu não vou me curvar diante das mentiras que querem jogar contra mim! A verdade está do nosso lado e eu digo: a nossa bandeira jamais será vermelha!”, destacou o senador no X (antigo Twitter), ao publicar trecho do discurso.
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Na fala ao público, o parlamentar afirmou ter acordado com uma passagem bíblica de Provérbios 24:10 e disse que sabia das dificuldades que enfrentaria ao assumir a missão política atribuída por seu pai. “Quando a verdade está do nosso lado e quando a gente sabe que fez a coisa certa, isso nos motiva”, afirmou. Segundo ele, “o lado de lá não tem limites de fazer o mal”, se referindo, sem citar, ao governo Lula (PT).
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A agenda ocorreu em meio à crise desencadeada pela divulgação, pelo portal The Intercept Brasil, de um áudio em que Flávio cobra R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para a produção do filme “Dark Horse”, obra biográfica sobre Jair Bolsonaro.
Segundo a reportagem, a conversa ocorreu um dia antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal (PF) em investigação sobre suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e lobby envolvendo setores político, econômico e de mídia.
Mesmo diante da repercussão do caso, Flávio decidiu manter compromissos públicos ao lado de aliados, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), que lançou pré-candidatura ao Senado durante evento realizado no Hotel Royal Palm Plaza.
No discurso, o senador também defendeu a busca de financiamento privado para o longa-metragem sobre o pai. “Um filho quer fazer um filme em homenagem ao próprio pai. Ele merece ou não merece esse filme?”, questionou. “E a gente vai fazer e busca recursos privados, tudo certo, direitinho, dentro da lei.”
Flávio afirmou ainda que, à época das negociações, “ninguém imaginava” a situação enfrentada atualmente por Vorcaro. O senador também criticou o The Intercept Brasil, responsável pela divulgação das conversas, e associou a publicação das reportagens a reações contra propostas de combate ao crime organizado defendidas por ele.
Segundo o portal, ao menos R$ 61 milhões já teriam sido pagos para a produção do filme, valor superior ao orçamento de produções vencedoras do Oscar, como "Ainda Estou Aqui". Parte das transferências, de acordo com a reportagem, teria ocorrido por meio de operações envolvendo empresas ligadas a Vorcaro e um fundo sediado no Texas controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
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Após inicialmente negar a existência do áudio, Flávio confirmou posteriormente ter recebido recursos de Vorcaro para o filme, mas negou qualquer irregularidade. Segundo ele, o contato com o banqueiro ocorreu após o fim do governo Bolsonaro e antes de surgirem acusações públicas contra o empresário. O senador afirmou ainda que não ofereceu vantagens em troca dos valores e defendeu a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.
