Eduardo Bolsonaro sobre Salles: 'Endossa discurso de ditadores do país'
O embate entre Eduardo Bolsonaro e Ricardo Salles expôs o racha no PL paulista pela disputa ao Senado e elevou o tom entre aliados de Jair Bolsonaro
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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) rebateu as críticas do deputado federal Ricardo Salles em meio ao racha do PL na disputa pelo Senado em São Paulo e afirmou que Ricardo “endossa discursos de ditadores do país”, referindo-se ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
As declarações foram feitas depois que Salles participou do podcast Iron Talks, na última sexta-feira (8/5), e acusou o filho do ex-presidente de atuar contra interesses do país após sua mudança para os Estados Unidos. “Você se mandou para os Estados Unidos porque você quis. Você só inviabilizou o seu retorno para o Brasil depois que você já estava lá nos Estados Unidos falando um monte de merda, inclusive trabalhando contra o Brasil nessa história de tarifaço”, disparou Ricardo na gravação.
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Em vídeo divulgado em seu canal no YouTube, nesta segunda-feira (11/5), Eduardo criticou a mudança de posicionamento do ex-ministro do Meio Ambiente sobre seu “autoexílio” e afirmou que ele está reproduzindo um “discurso de ditadores do Brasil” ao dizer que o filho de Jair Bolsonaro (PL) saiu do Brasil porque quis.
Em março de 2025, Eduardo anunciou, por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, que se licenciaria do mandato de deputado federal para viver nos Estados Unidos. De acordo com ele, a decisão foi motivada pelas “perseguições políticas” que afirma sofrer ao lado do pai no Brasil. Depois disso, seu mandato foi cassado.
Na publicação, o ex-deputado usou cortes de entrevistas anteriores de Salles em que ele afirmava que Eduardo havia feito a coisa certa ao sair do Brasil. Eduardo ainda defendeu que prefere estar livre nos Estados Unidos do que preso no Brasil e que esta é a única forma que encontrou de “enfrentar um sistema que encarcera velhinhas”.
Em resposta a um trecho da entrevista em que Salles afirma que Eduardo “não passou nem de perto” o que ele passou como ministro, o filho de Bolsonaro rebateu: “Salles, a gente não tá numa competição pra ver quem sofreu mais, mas você voltou pra tua casa. Você não teve que correr atrás de uma filha pra matricular em outra escola, não ficou com receio de ser expulso do país e retornar pro seu país de origem, provavelmente direto pra cadeia. Não teve que correr atrás de um aluguel novo em dólar, queimar a reserva. Eu tive”, afirmou.
O ex-deputado também rebateu a afirmação de ter a estadia nos EUA paga pelo ex-presidente afirmando que as pessoas que enviaram Pix a Jair o fizeram para o combate dele contra “ditadura” e que, fora do país, ele e outras pessoas estão “prestando um bom trabalho lutando contra esse sistema autoritário dos togados”, referindo-se aos ministros do STF.
“O meu papai, que era o seu presidente na época, você reclamou pra ele que queria um carguinho em um conselho quando saiu do Ministério do Meio Ambiente, não foi? Porque você queria a ajuda do papai também? Conta pra gente”, questionou.
“Você não tem moral pra falar de mim. E mesmo que nada disso tivesse acontecido com o Salles, quando alguma coisa de emergência acontece, graças a Deus eu tenho uma família estruturada sim a quem recorrer”, continuou Eduardo.
Segundo ele, precisaria de um ou dois anos de histórico bancário positivo nos Estados Unidos para pegar empréstimo no novo país, e questionou se o certo seria não aceitar o dinheiro da família. O ex-deputado também argumentou que não movimentou nenhum dinheiro em sua empresa que estava aberta no estado do Texas.
Acusado por Salles de ser covarde por ter saído do país, Eduardo se definiu como “valente” por ter saído, não esperar as coisas acontecerem e ajudar a impedir restrições de monetização de conteúdo de influenciadores de direita. “Fiz tudo o que estava ao meu alcance para que passássemos por essa tormenta com o menor balanço possível do barco. Eu sei o que fiz, não preciso me vangloriar”, afirmou.
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O deputado ainda aconselhou outros parlamentares a terem visto americano em dia caso precisem sair do Brasil e manterem conta bancária “em qualquer lugar do mundo, mas fora do Brasil, onde [o ministro do STF] Alexandre de Moraes não possa meter a mão”.