O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) terá como eixo de seu programa de governo o ajuste fiscal. Segundo sua assessoria, o plano inclui um pacote de privatizações, redução de despesas públicas e medidas para conter o avanço da dívida e buscar superávit primário.

O plano será apresentado nesta quinta-feira (16/4), em São Paulo, mesmo estado onde Zema lançou a pré-candidatura, em agosto do ano passado. O ex-governador deixou o cargo no último mês para se dedicar à campanha e tem intensificado agendas pelo país para divulgar suas propostas.

Entre os principais pontos está a defesa de um programa de desestatização em larga escala, aliado a cortes nos gastos do governo federal. Zema também propõe a aplicação rigorosa do teto remuneratório do funcionalismo, sem exceções, como forma de limitar os chamados “supersalários” - os chamados “penduricalhos”.

Tom crítico

Ao antecipar o conteúdo do plano, o pré-candidato adotou tom crítico à estrutura administrativa. “Vou passar a faca no governo”, afirmou, ao defender a venda de estatais e a revisão de benefícios e gratificações no serviço público.

Em nota, acrescentou que pretende “cortar mordomias, privilégios e gastos desnecessários”. “Vou acabar com os penduricalhos que transformam o salário de alguns servidores em supersalários. Teto é teto e ninguém pode furar. Chega de governo rico e povo pobre”, destacou.

Segundo Zema, a proposta nacional tem como base medidas adotadas durante sua gestão em Minas Gerais. No início do mandato, em 2019, promoveu uma reforma administrativa que reduziu o número de secretarias de 21 para 12 e extinguiu cerca de 6 mil cargos comissionados.

Zema tenta projetar, no plano nacional, a agenda fiscal adotada em Minas, em um momento em que busca se consolidar na disputa presidencial. De acordo com a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada no último sábado, o pré-candidato tem 4% das intenções de voto.

Ao se lançar na disputa pela presidência, Zema afirmou que tinha o objetivo de livrar o Brasil do “Lulismo, dos parasitas e das facções criminosas”. “Vamos chegar a Brasília para varrer o PT do mapa, para acabar com os abusos de Alexandre de Moraes. Vamos chegar a Brasília para liberar o Brasil. O lulismo está afundando o Brasil e está na hora de virar a página”, disse o ex-governador em seu discurso de lançamento de pré-candidatura.

 

Controvérsias

Apesar do discurso de austeridade, sua passagem pelo governo mineiro também foi marcada por medidas que geraram questionamentos. Em 2023, foi sancionada lei que elevou o salário do governador de R$ 10.500 para R$ 41.845,49 - um aumento de quase 300% que gerou diversas críticas.

Além disso, como mostrou o Estado de Minas, dados da Secretaria de Estado da Fazenda indicam ainda que Minas Gerais deve acumular mais de R$ 120 bilhões em renúncias fiscais entre 2019 e 2026. No período, o volume anual de desonerações passou de R$ 6,1 bilhões para uma previsão de R$ 25,2 bilhões.

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Já a dívida estadual apresentou crescimento de 51,3% desde janeiro de 2020, quando somava R$ 124,7 bilhões. Em dezembro do ano passado, o montante chegou a R$ 188,7 bilhões, segundo o Boletim Mensal da Dívida Pública Estadual.

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