Nikolas se desgasta com o racha no PL: ‘Nosso inimigo é outro’
O deputado se disse cansado com conflitos constantes e afirmou que, se ataques continuarem, apoiadores desistirão do apoio a Flávio Bolsonaro
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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) está desgastado com o racha no Partido Liberal (PL). Em publicação no X, antigo Twitter, ele defendeu que o inimigo da direita “é outro”, se referindo ao campo da esquerda. Ele apoiou publicamente a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) ao Palácio do Planalto e afirmou que, caso a pressão por cooperação e ataques continuem, apoiadores irão desistir da campanha.
O parlamentar respondeu a um texto publicado pelo presidenciável na rede social na noite de sexta-feira (24/4). Na publicação, ele dissertou sobre o racha no PL, marcado pela exigência de apoio de parlamentares a outros de sua candidatura, e afirmou que “apoio não se cobra, conquista-se”.
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Um exemplo dessa cobrança foi o deputado estadual de Minas Gerais Cristiano Caporezzo (PL), que afirmou que Nikolas atua “com decisões solo” e apoia mais a candidatura do atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), ao governo mineiro, do que a candidatura de Flávio à Presidência. Em documento acessado pela colunista Ana Mendonça, do Estado de Minas, Caporezzo escreveu que Nikolas ajuda Simões com “uma quantidade de material audiovisual que jamais dedicou” à pré-candidatura do "filho 01".
Já outra situação similar é o próprio irmão de Flávio, o pré-candidato ao Senado por Santa Catarina e ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL), que afirmou que está fazendo um levantamento de prefeitos, vereadores, lideranças e filiados do Partido Liberal (PL) que não têm divulgado a pré-candidatura de Flávio. Segundo ele, a intenção é encaminhar o “diagnóstico” à executiva da sigla para “corrigir” o que considera falta de engajamento interno.
Em publicação própria, Nikolas afirmou que sofre provocações há três anos, que desde então permanece calado, mas que “tem um limite”. “Com o passar do tempo, vários aliados de longa data, leais e íntegros têm sido alvo da mesma turma que nada agregam, a não ser gerar divisão e até mesmo fiscalização/perseguição a quem não posta uma porcentagem que eles desejam”, escreveu.
As provocações que tenho sofrido já vem acontecendo há 3 anos. E permaneço calado. Mas como todo ser humano, tenho um limite. E com o passar do tempo, vários aliados de longa data, leais e íntegros tem sido alvo da mesma turma que nada agregam, a não ser gerar divisão e até mesmo… https://t.co/rW30tnL4GL
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) April 25, 2026
O parlamentar citou os deputados federais do PL Bia Kicis, Caroline De Toni, Carlos Jordy, André Fernandes, Filipe Barros, o vereador de São Paulo Lucas Pavanato e a página de direita Te Atualizei como nomes que “sempre estiveram na linha de frente da defesa da direita” e que estão sendo alvo de perseguição. “Minando a própria base que o seu pai criou”, escreveu Nikolas a Flávio.
Para o deputado, a sequência de ataques “tem gerado um clima que ninguém mais suporta” e que poucos têm coragem de enfrentar. Porém, quando enfrentam, “recebem o rótulo de ‘traidores’”. “Todos, inclusive eu, faremos de tudo para que você ganhe as eleições este ano. Mas obviamente, cada um do seu jeito, no seu papel, da sua melhor forma. Sem acusar ou perseguir ninguém. E sem colocar uma forma do que é ou não ideal de se fazer”, escreveu.
Nikolas criticou aqueles que, mesmo após pedidos de Flávio de pacificação, “insistem em criar atritos” e “desobedecer quem é a liderança escolhida por Jair Bolsonaro”. “Até cor de camisa é argumento para conflitos. Como aturar isso?”, questionou o deputado, se referindo a críticas de apoiadores e de nomes de alto escalão no meio, como de Jair Renan Bolsonaro, que dizem que ele grava vídeos com blusa preta e se afasta do verde e amarelo adotado como uniforme bolsonarista.
“Postar você todos os dias, qualquer um faz. Porque isso é fácil. Mas conquistar os votos, através das ideias que você representa, isso sim é um trabalho efetivo, e que poucos fazem, porque exige trabalho, preparo e inteligência”, argumentou o parlamentar. Na postagem original, Flávio afirmou que não se deve pressionar por apoio, pediu que os apoiadores o deixem fazer os movimentos pré-eleição “do seu jeito” e disse que pretende conquistar o apoio, e não impor.
O deputado ainda afirmou que “fará de tudo” para que Flávio chegue ao Planalto e defendeu anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, assim como outros “perseguidos políticos” e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Ainda para o parlamentar, caso a tensão continue, muitos podem desistir da campanha presidencial. “Se os ataques injustos e mentirosos continuarem, muita gente irá começar a desistir, desanimar e perceber que esse não é um projeto que realmente mudará a nação. E por mais difícil que seja, eu permanecerei calado diante de tudo isso, porque temos um país pra salvar”, escreveu.
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Nikolas terminou a declaração pública defendendo que a direita não deveria atacar a si própria: “Nosso inimigo é outro”. “Que Deus te ilumine pra tomar as decisões certas e dar um rumo novo ao que está acontecendo. Eu acredito em você”, finalizou o deputado, em declaração direta ao presidenciável.