O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que fez uma reunião com Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), nessa terça-feira (17/3), para reforçar o pedido de prisão domiciliar para o pai, Jair Bolsonaro (PL).
O ex-presidente está internado desde sexta-feira (13/3) no Hospital DFStar, em Brasília, para tratamento de uma pneumonia bacteriana bilateral decorrente de broncoaspiração.
Moraes é relator do caso que condenou Jair a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e é responsável pela decisão anterior, de 4 de março, que negou a reversão do cumprimento de pena no presídio para a prisão domiciliar.
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O pedido foi feito pela defesa do líder da direita no mesmo dia. No documento, os advogados argumentaram que o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde Jair cumpre pena, não tem condições de providenciar atendimento médico imediato. Eles solicitaram que Moraes reconsidere a decisão anterior que rejeitou a prisão domiciliar.
A solicitação foi feita depois que Bolsonaro foi levado ao hospital na manhã de sexta após passar mal durante a madrugada. Ele chegou à unidade com suporte de oxigênio devido à baixa saturação, além de febre, dor de cabeça e calafrios. Conforme o último boletim médico, divulgado na terça, o ex-presidente teve melhora clínica, mas permanecerá internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Não há previsão de alta.
O ex-presidente teve a prisão decretada em novembro de 2025, quatro meses depois de já ser monitorado eletronicamente, depois que Flávio convocou uma vigília em frente ao condomínio onde o pai morava. Na madrugada do dia 22, Jair tentou violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda e Moraes considerou risco de fuga ao determinar a prisão preventiva, que depois foi convertida em definitiva.
Em conversa com jornalistas em frente ao hospital, Flávio, que também integra a defesa, contou que a reunião também contou com os advogados do ex-presidente. “O ministro nos recebeu, em uma conversa objetiva, onde nós pudemos reforçar o que já estava na petição, a preocupação com a possível piora do estado de saúde dele por ocasião do local onde ele se encontra, apesar de ele estar sendo bem tratado no 19º Batalhão e ter sido atendido prontamente quando passou mal da última vez”, disse Flávio. As informações são do G1.
Segundo o senador, os advogados pediram uma audiência com o juiz da causa. “Expusemos as nossas razões e ele, em um momento oportuno, ficou de avaliar esse novo pedido da defesa”, afirmou. Ainda de acordo com ele, Moraes não deu um prazo para a tomada de decisão.
No novo pedido, a defesa anexou um relatório médico que, de acordo com ela, aponta risco de novos episódios semelhantes aos que levaram à última internação. O documento cita um quadro de “fragilidade clínica grave”, marcado por “histórico de pneumonias aspirativas recorrentes, refluxo gastroesofágico persistente, apneia obstrutiva do sono grave, instabilidade postural, uso contínuo de múltiplas medicações e necessidade de monitoramento clínico frequente”.
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Segundo a defesa, os sintomas de Bolsonaro começaram às 2h daquela madrugada, mas o atendimento médico somente teve início às 6h45. No documento, a equipe reconheceu o “esforço das autoridades responsáveis pela unidade de custódia”, mas disse que o ambiente não tem condições de garantir resposta imediata.
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A equipe ainda alegou que a falta de assistência rigorosa na custódia da Papudinha, sem resposta imediata de equipe de saúde em caso de mal súbito, pode resultar em pneumonia broncoaspirativa, insuficiência respiratória aguda, eventos cardiovasculares, traumatismos decorrentes de quedas e até morte súbita.
