PT-BH pede ao MP investigação sobre relação entre Pablo Almeida e Vorcaro
Representação cita contato do vereador, ex-assessor de Nikolas Ferreira (PL-MG), na agenda de Daniel Vorcaro, preso pela PF, e pede apuração de possível relação
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O presidente do PT em Belo Horizonte, Guilherme “Guima” Jardim, protocolou nesta semana uma representação no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pedindo a apuração de possíveis relações entre o vereador Pablo Almeida (PL), ex-assessor do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e alvo de investigações.
No documento encaminhado ao procurador-geral de Justiça do estado, o dirigente partidário solicita que o Ministério Público investigue se eventuais vínculos entre o parlamentar e o empresário podem envolver contrapartidas, favorecimentos ou influência indevida perante qualquer dos Poderes, inclusive no âmbito da administração municipal.
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O pedido tem como base a reportagem do Estado de Minas, que mostrou que o nome de Pablo Almeida aparece em dados extraídos de celulares apreendidos com Vorcaro. Nos registros, o contato do vereador aparece identificado como “Pablo Almeida Assessor Nikolas”, referência ao período em que ele atuava como assessor parlamentar de Nikolas Ferreira (PL-MG).
Antes de se eleger vereador em Belo Horizonte, Almeida integrou a equipe de Nikolas na Câmara dos Deputados. Em 2024, foi eleito para a Câmara Municipal com votação superior a 39 mil votos.
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A representação também menciona reportagens que indicam que Nikolas Ferreira utilizou, durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2022, uma aeronave ligada a Vorcaro para participar de agendas políticas em apoio ao então presidente Jair Bolsonaro (PL).
No documento enviado ao Ministério Público, Guima afirma que o registro de contatos telefônicos, por si só, não comprova a prática de irregularidades, mas sustenta que o conjunto de informações divulgadas pela imprensa justificaria a abertura de apuração para esclarecer a natureza das relações entre o empresário investigado e integrantes do grupo político ligado ao deputado mineiro.
A representação pede que o MPMG analise os fatos e, caso identifique indícios de irregularidades, adote as medidas investigativas cabíveis.
Vorcaro e Pablo Almeida
O nome de Pablo Almeida aparece na agenda telefônica de Vorcaro em meio ao material apreendido pela Polícia Federal no âmbito do inquérito do caso Master, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro André Mendonça. A lista reúne ainda contatos de políticos, autoridades do Banco Central e ministros da Corte.
Segundo os registros, o contato do vereador teria sido incluído no aparelho em 6 de novembro de 2022, após viagens realizadas no mês anterior por Nikolas Ferreira em uma aeronave vinculada a empresas do banqueiro. À época, o deputado percorreu estados do Nordeste ao lado do pastor Guilherme Batista em agendas de apoio à campanha do então presidente Jair Bolsonaro.
Em nota encaminhada ao Estado de Minas, Nikolas confirmou que utilizou a aeronave, mas afirmou que, naquele momento, não sabia que o jatinho estaria ligado ao empresário.
"Cortina de fumaça"
Procurado pela reportagem, Pablo Almeida afirmou que o pedido de investigação sobre uma possível relação entre ele e o investigado da Polícia Federal é uma “tentativa de criar uma cortina de fumaça” e que está tranquilo de que não aparecerá em nenhum registro de pagamentos indevidos.
Para ele, um pedido do PT é uma tentativa de “esconder quem, de fato, está envolvido nesse esquema de corrupção”, uma vez que políticos do partido não assinaram a CPMI do Banco Master.
“Por qual motivo o PT não pede investigação contra Lula por ter se encontrado com Vorcaro de forma sigilosa e fora da agenda? Por que não comentam tudo o que está sendo veiculado em relação ao Lulinha?
Entendo que estejam bastante preocupados em levantar narrativas, afinal há muita gente envolvida nesses escândalos do Master e do INSS. A própria amiga do Lulinha, Roberta Luchsinger, afirmou que não vai cair sozinha”, afirmou Pablo.
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O vereador disse ainda que não tem nenhuma relação com Vorcaro e que o fato de o banqueiro ter seu contato salvo pode ter relação com sua função como chefe de gabinete de Nikolas. “Não foram raras as vezes em que pessoas repassaram meu contato a terceiros em razão da minha função pública”, disse. “Torço para que todos os envolvidos, sem exceção, sejam devidamente investigados, julgados e que lhes sejam aplicados os rigores da lei”, finalizou.