Cadela é achada viva em parede concretada após 10 dias desaparecida
Animal desapareceu e foi encontrado emparedado em construção polícia investiga se houve maus-tratos e como animal ficou preso sem água e comida
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Uma cadela comunitária que estava desaparecida havia cerca de dez dias foi encontrada dentro de uma parede concretada em uma casa em construção em Guarapuava (PR). O resgate aconteceu no sábado (16/5), após moradores ouvirem choros e latidos vindos da estrutura.
Batizada de Pandora pelos moradores da região, a cadela era cuidada coletivamente pela vizinhança e passou a ser procurada assim que o desaparecimento foi percebido. Segundo a Polícia Civil do Paraná, o espaço onde ela estava presa era oco por dentro, sem portas ou janelas que permitissem a saída do animal.
De acordo com o boletim de ocorrência, caso permanecesse no local, Pandora corria risco de morrer por falta de água e alimento.
“Eu escutei latido de longe e achei estranho. Pensei: ‘eu reconheço esse latido’. A gente chegou mais perto, porque ela é bem mansinha”, relatou Mariane da Silva ao g1.
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Segundo a estudante, ela e a mãe começaram a chamar pela cadela e perceberam que os sons vinham de dentro da parede da obra. Moradores tentaram localizar o proprietário do imóvel, mas, sem sucesso, acionaram a Polícia Civil. Conforme os relatos, a estrutura foi quebrada para permitir a retirada do animal.
Pandora vivia há cerca de três anos na região e era considerada uma cachorra querida pelos moradores.
Jaqueline Ribeiro, uma das responsáveis pelos cuidados do animal, contou que a vizinhança iniciou buscas assim que percebeu o desaparecimento. “Faz uns três anos que ela está aqui e a gente cuida dela. Ela sempre foi querida, e quando sumiu, todo mundo começou a perguntar”, disse ao portal.
Segundo Jaqueline, ela chegou a procurar trabalhadores da obra dias antes do resgate. “Eu fui e falei com os pedreiros perguntando dela, se tinham visto aquela cachorra grande. Isso foi na terça-feira passada e fazia uns sete dias que eu não via ela. Eles falaram que não”, relembrou.
Moradores afirmam que Pandora costumava se esconder e dormir no buraco da estrutura antes de a obra ser fechada.
À RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, trabalhadores da construção disseram que não viram nem ouviram a presença da cachorra enquanto o espaço era concretado ou nos dias seguintes.
A Polícia Civil informou que instaurará um inquérito para esclarecer as circunstâncias do caso e identificar os responsáveis pela construção. As investigações tratam o episódio como possível crime de maus-tratos.
O crime está previsto no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais, que considera maus-tratos a prática de abuso, ferimentos ou mutilação contra animais domésticos, silvestres ou domesticados. A pena prevista é de detenção de três meses a um ano, além de multa, podendo aumentar em casos que resultem na morte do animal.
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Após o resgate, Pandora foi levada para a casa de Jaqueline, que decidiu adotá-la. “Ela está se alimentando bem, está tomando bastante água. Acho que ela desidratou bastante”, afirmou.