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Motociclista morto em enxurrada em BH é enterrado; família cobra estrutura

Tia de João Lucas lamentou a morte do sobrinho e contou que ele trabalhava com entregas por aplicativo no momento do acidente, na segunda-feira (2/11)

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“Ele sempre foi um bom neto, um excelente sobrinho, nunca me desrespeitou. Toda vez que me via, cumprimentava com um ‘benção, tia’, ‘tchau, tia’, ‘te amo, tia’. É uma perda irreparável”, lamentou Simone Rodrigues, tia do motociclista João Lucas, morto em uma enxurrada no Bairro Camargos, na Região Oeste de Belo Horizonte, nessa segunda-feira (2/11).

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O corpo do jovem, de 23 anos, foi velado e sepultado no fim da manhã desta terça-feira (4/11), no Cemitério Bom Jesus, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A Prefeitura de BH aponta que houve um grande volume de chuva no momento do incidente.

 

“O meu sobrinho estava trabalhando por um aplicativo de entregas e, infelizmente, foi passar por uma dessas vias que não estava interditada”, diz. A familiar comenta que essas plataformas se aproveitam dos períodos de chuva para aumentar os valores pagos aos motoristas. “Se a pessoa passa por dificuldades financeiras, ela sai para trabalhar para conseguir o ganha-pão. Nisso, o motociclista acaba arriscando a vida para conseguir aquele dinâmico, que é aumentado pelas empresas, induzindo os condutores a correrem o risco”.

A tia comenta ainda que o sobrinho passou por muitas dificuldades ao longo da vida, mas manteve a cabeça no lugar e buscou formas de alcançar seus objetivos. Criado pela avó, o jovem concluiu o ensino médio e resolveu morar sozinho. Segundo a familiar, a intenção dele era não dar mais “trabalho” à responsável por sua criação. “Sempre ajudou da forma como pôde a minha mãe, mesmo não ganhando tanto. Sendo superamoroso e presente”.

A infraestrutura de Belo Horizonte foi um dos pontos destacados por Simone, que afirmou que a cidade não tem estrutura adequada para proteger motociclistas em períodos de chuva. “Ele foi passar por uma via que não tinha nenhum apoio para sair do lugar. Foi pego pela enxurrada de água, enquanto as valetas estavam completamente fechadas por conta do lixo e pela falta de manutenção”, protestou.

Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smobi), as bocas de lobo da Rua Joaquim Correa de Aquino estão em “boas condições estruturais” e haviam sido vistoriadas no fim de outubro.

Agentes da Subsecretaria de Zeladoria Urbana (Suzurb) retornaram ao local e certificaram que não houve comprometimento da estrutura durante as chuvas do feriado. O órgão apontou que realiza limpezas rotineiras no local para evitar o acúmulo de lixo.

O volume de chuva concentrado em um curto período foi um dos pontos destacados pela PBH. Somente entre as 18h45 de segunda-feira e a 1h desta terça-feira, a Regional Oeste registrou índice de precipitação de 44,2 mm, volume correspondente a 18,7% de toda a média climatológica prevista para novembro, que é de 236 mm.

A PBH informou que, especificamente para o Bairro Camargos, a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) possui um projeto para ampliar a capacidade de drenagem na Rua Professor Silveira Neto, com intervenções também na rede pluvial que passa pelo interior do quarteirão com a Rua José Nunes Carvalho e na Rua Joaquim Correa de Aquino.

O órgão apontou que o projeto está em fase de revisão técnica, necessária em razão das mudanças significativas na ocupação da região, incluindo a implantação de empreendimentos de grande porte. A atualização permite adequar o dimensionamento das estruturas de drenagem às condições atuais do local, para garantir maior eficiência e segurança à solução proposta.

O acidente

João Lucas morreu depois de ficar preso em um bueiro durante uma forte chuva no Bairro Camargos, na noite de segunda-feira. Algumas pessoas que estavam no local tentaram ajudar a vítima, mas a intensidade da enxurrada dificultou o resgate.

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), a ocorrência foi registrada na Rua Joaquim Correa de Aquino, nas proximidades de uma obra. Uma das possibilidades levantadas é a de que o motociclista tenha ficado com uma das pernas presa no bueiro, sem conseguir sair.

Quando os militares chegaram ao local, encontraram o jovem parcialmente dentro do bueiro, com a parte superior do corpo, até a altura do tórax, para fora da abertura. Os militares retiraram a vítima, que estava sem sinais vitais.

As equipes executaram manobras de reanimação no motociclista, mas ele não respondeu aos procedimentos, e a morte foi constatada no local. A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) também compareceu à ocorrência. A perícia da Polícia Civil e o rabecão foram acionados. As circunstâncias exatas do acidente ainda serão apuradas.

“A água puxou a moto”

Um funcionário de uma empresa próxima ao local da morte contou como tentou salvar a vítima. João Lucas ficou preso em um bueiro, mas a força da enxurrada impediu que as pessoas conseguissem retirá-lo.

Davi Benedito presenciou o acidente e relatou os momentos de desespero vividos por quem tentou socorrer o motociclista.

“Estávamos passando na hora e tivemos a infelicidade de presenciar a cena. Ele veio e a água puxou a traseira da moto e agarrou no bueiro. Muitas pessoas vieram ajudar, mas era muita água”, contou. Segundo o relato, a enxurrada atingiu aproximadamente um metro de altura, e a força da água manteve o piloto preso na abertura do bueiro, dificultando as tentativas de resgate.

Na manhã desta terça-feira (3/11), ainda era possível ver uma capa que seria do motociclista deixada na calçada próxima ao local do acidente.

Morte por causa das chuvas

A morte do motociclista arrastado pela enxurrada foi confirmada como a segunda do período chuvoso em Minas Gerais. De acordo com a Defesa Civil estadual, a outra vítima é um homem que foi levado pela água em Guarará, na Zona da Mata, na última sexta-feira (30/10).

Conforme o boletim da Defesa Civil de Minas Gerais, desde 1º de outubro, quando o período chuvoso começou oficialmente, 41 ocorrências relacionadas à chuva foram registradas em 37 municípios.

Mais de mil pessoas foram desalojadas — ou seja, precisaram deixar suas casas por causa dos efeitos da chuva e se deslocaram para a residência de amigos ou parentes. Já o número de desabrigados — aqueles que precisam de abrigo público — é de 64. Ao todo, 218 mil pessoas foram afetadas.

Até esta terça-feira (3/11), 16 cidades mineiras haviam decretado situação de emergência. Não há municípios em estado de calamidade pública.

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Com informações de Melissa Souza

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